Coração e Vida | 10 perguntas sobre sexo e saúde íntima - Coração e Vida

10 perguntas sobre sexo e saúde íntima

Abandone a vergonha e busque informações de qualidade

30.05.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Quando se trata de questões envolvendo sexo e saúde íntima, nossa imaginação não tem limites. Infelizmente, nosso conhecimento tem. Deveriam entrar em cena, aí, os especialistas. Mas nem todo mundo tem o desprendimento de, no consultório médico, fazer certas perguntas. Deveríamos, mas é complicado, às vezes.

Então o Coração & Vida reuniu abaixo perguntas comuns nas clínicas, muito comentadas na internet (onde o plano virtual parece dar aquela coragem extra para questionar) e levou até a Dra. Leila Domingues de Oliveira Corrêa, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Abandone a vergonha e busque mais informação de qualidade, isso é o mais importante.

1 – Faz mal lavar calcinhas e deixar secando no banheiro?

Não faz mal lavar as calcinhas no chuveiro. Porém, o ambiente do banheiro, geralmente úmido, tende a não propiciar uma secagem adequada, o que favorece a proliferação de micro-organismos, como fungos e bactérias que podem causar irritações e infecções genitais. Vale lembrar que ideal é utilizar calcinhas de algodão no dia a dia, lavá-las com sabão neutro, secá-las em um ambiente bem ventilado (varal, por exemplo) e passá-las a ferro.

2 – É possível uma mulher ter um orgasmo enquanto dorme?

Sim, é possível. Durante o sono, apesar de estarmos dormindo, o nosso cérebro se mantém ativo com os processos vitais, como os batimentos cardíacos, produção de hormônios, etc. E, principalmente no sono REM [movimento rápido dos olhos], onde os sonhos acontecem mais vividamente, há uma mudança na circulação, com aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais, que pode causar excitação sexual e culminar com orgasmo.

3 – Praticar sexo estando menstruada pode trazer algum problema? E fazer sexo usando coletor menstrual, é possível?

A princípio, não há grandes problemas em relações sexuais durante o período menstrual, desde que os parceiros estejam confortáveis com isso. Só vale lembrar que, como em todas as relações sexuais, há a necessidade de uso de preservativos, pelo risco de contrair DSTs, e de engravidar (há mulheres que têm ciclos irregulares e podem ovular mesmo durante a menstruação). E sim, é possível ter relações sexuais com uso do coletor. Mas se houver penetração vaginal pode haver desconforto para os dois, a depender do formato do coletor.

4 – É melhor para a saúde aparar os pelos da região íntima feminina? E masculina?

Não há benefícios clínicos significativos em aparar os pelos da região íntima, tanto para mulheres como para homens. Os pelos pubianos ajudam na proteção contra a transmissão de vírus, bactérias e fungos, mas não há um prejuízo significativo em retirá-los. Atualmente, existe uma tendência a serem realizadas depilações genitais por diferentes técnicas, sendo recomendável a utilização das menos traumáticas para evitar machucar a pele ao retirá-los, o que poderia causar pequenas feridas que facilitariam a entrada de micro-organismos e aumentariam a ocorrência de infecções.

5 – Quanto tempo depois de ter um bebê é bom esperar para voltar a ter relações sexuais?

Geralmente aguardamos de 30 a 40 dias para o reinício das relações sexuais, para que a mulher se recupere dos processos naturais do parto, tanto vaginal quanto cesáreo.

6 – Fazer sexo todos os dias pode causar algum problema físico, como infecção urinária?

Não há problema algum em ter relações sexuais todos os dias. A infecção urinária pode acontecer relacionada ou não à frequência das relações sexuais. Para preveni-la, o que recomendamos é ter o cuidado de urinar logo após as relações sexuais, pois a urina acidifica a uretra e diminui a ascensão de bactérias que podem causar a infecção urinária.

7 – Existem homens que não conseguem mesmo usar camisinha? Ou isso é desculpa?

Existem pessoas, tanto homens como mulheres, que têm alergia ao látex, um dos componentes da maior parte dos preservativos masculinos no mercado. Porém, hoje em dia, já existem preservativos masculinos que não contêm látex em sua composição, o que possibilita o uso para as pessoas alérgicas. Vale lembrar que o preservativo feminino não contém látex em sua composição. E há alguns homens que, por falta de hábito, manifestam desconforto com o uso do preservativo, mas isso não deve ser motivo para deixar de utilizar o método, pois é o único eficaz para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

8 – Usar calças muito apertadas, tanto por mulheres quanto por homens, faz mal?

Sim, as calças muito apertadas tendem a deixar a região genital mais quente e úmida, o que pode aumentar a incidência de inflamações e infecções nesses órgãos.

9 – Qual o método contraceptivo mais seguro de todos?

Atualmente, os métodos que temos disponíveis são bem seguros, com uma porcentagem semelhante de eficácia. É a aderência ao método e o uso correto que têm grande influência na eficácia. Os dispositivos intrauterinos (DIU), implantes hormonais e métodos de esterilização cirúrgica (laqueadura e vasectomia), contraceptivos orais (pílulas), injetáveis, adesivos transdérmicos e anel vaginal têm taxas de gravidez descritas como inferior a 1 a cada 100 mulheres em 1 ano. Por exemplo:

– Os DIUs, implantes hormonais e métodos de esterilização cirúrgica (laqueadura e vasectomia) têm menor influência de ações e aderência das usuárias (como lembrar de tomar um comprimido no horário correto ou colocar um preservativo e usá-lo durante toda a relação sexual), portanto com taxas menores de gestação na prática.

– Os contraceptivos orais (as pílulas), injetáveis, adesivos transdérmicos e anel vaginal são métodos muito efetivos também, desde que usados corretamente.

– O preservativo masculino, se usado corretamente, ou seja, em todas as relações sexuais, do início ao fim, tem incidência de gestação de 2 a cada 100 mulheres ao ano. Já o feminino em torno de 5 a cada 100 mulheres ao ano.

Métodos menos efetivos são considerados o diafragma, os espermicidas, o coito interrompido e a “tabelinha”.

10 – O sexo na terceira idade é um tabu… Mas ele precisa de cuidados também, certo? E usar estímulos, como o Viagra, é seguro?

O sexo na terceira idade não precisa ser um tabu. A capacidade de ter prazer existe em todas as fases da idade adulta, existe apenas a necessidade de se adaptar a certas mudanças do corpo. Na terceira idade, a diminuição na lubrificação vaginal pode levar ao desconforto durante o ato sexual, por exemplo. Mas existem vários tratamentos e cuidados que melhoram o desconforto e permitem que a relação sexual seja prazerosa. A mulher pode fazer uso de lubrificantes à base de água para não causar irritações locais, hidratantes vaginais e, com orientação médica, cremes ou óvulos com pequenas quantidades de hormônio local. O uso de medicamentos como o Viagra e drogas semelhantes também deve ser sempre avaliado por um médico – e, se não houver contraindicação, pode ser bom para a qualidade de vida. Os estudos mostram boa resposta para os homens, mas não foram observados benefícios para as mulheres. E um dado importante: o aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis na terceira idade. Usar preservativo é fundamental nessa fase também!

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.
* Campos obrigatórios.

Esse site é melhor visualizado no modo Portrait.

Esse site é melhor visualizado no modo Landscape.