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A importância de checar rótulos dos alimentos

Listar as informações nutricionais dos produtos é obrigatório por lei, mas nem sempre a descrição de um produto recebe a atenção merecida do consumidor

9.06.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Não é lá o trabalho mais fácil do mundo ler as letras miúdas de cada embalagem comprada no mercado. Mas é, com certeza, muito importante para a saúde que isso se torne um hábito. Os rótulos dos alimentos industrializados são a “bula” para ter uma boa noção daquilo que estamos consumindo – ou permitindo, por exemplo, que crianças e familiares com condições específicas de saúde consumam.

Foto: Shutterstock

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Segundo a legislação brasileira, os rótulos das embalagens precisam conter informações sobre a composição, ingredientes, origem do produto, data de validade, valor nutricional e o lote de fabricação dos alimentos (além de algo mais técnico, o conteúdo líquido).

Os rótulos são essenciais na relação entre produtos e consumidores e, por isso, tudo que tiver descrito neles deve estar claro – dando a opção de uma escolha adequada na hora da compra, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No entanto, uma pesquisa recente da Anvisa – que entrevistou mais de 3.000 pessoas em 160 cidades –, registrou que 48% dos consumidores admitem nunca ler os rótulos dos produtos. O que pode ser um grande problema.

“Os rótulos trazem, também, informações destinadas a portadores de doença celíaca ou outras alergias alimentares, por exemplo”, lembra Marcela Taleb Haddad, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“Essas informações devem aparecer em qualquer produto que contenha alimentos considerados alergênicos, como trigo, centeio, cevada, aveia, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite de todos os mamíferos, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha do Pará, macadâmia, nozes, pecan, pistaches, pinoli, castanhas, além de látex natural, presente em luvas usadas na manipulação durante o processo de produção.”

São muitas as informações, de fato, que constam nos rótulos. A nutricionista destacou alguns pontos centrais a serem notados e levados em consideração.

Lista de ingredientes

A relação de ingredientes presentes deve estar em ordem decrescente. Isso quer dizer que o primeiro ingrediente é aquele que está em maior quantidade no produto e o último em menor quantidade. Apenas os alimentos de ingredientes únicos, como açúcar, café, farinha de mandioca, leite e vinagre, por exemplo, não precisam apresentar lista de componentes. Se um pão de forma se diz integral, por exemplo, é importante notar se o primeiro ingrediente da lista é mesmo farinha integral.

Tabela nutricional

É obrigatório constar o tamanho da porção na tabela, ou seja, a quantidade média do alimento em gramas ou mililitros que deve ser, usualmente, consumida por pessoas sadias a cada vez que o alimento é ingerido (levando em consideração uma alimentação saudável). Essa quantidade deve ser expressa também em medidas caseiras (copo, colher de sopa, fatias, unidades, etc.). A tabela deve oferecer ainda informações sobre o valor energético daquela porção do alimento (em quilocalorias e quilojoules), além da quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras e outros itens. A inclusão da quantidade de outros minerais e vitaminas é obrigatória apenas quando o produto tiver uma declaração de propriedades nutricionais ou outra declaração que faça refer­ência a esses nutrientes. E podem, ainda, ser declarados outras vitaminas e minerais – desde que estejam presentes em quantidade igual ou maior a 5% da Ingestão Diária Reco­mendada (IDR) por porção indicada.

Gordura Trans

Apesar de, hoje em dia, serem muito lembradas, não são estabelecidos valores diários de referência para gordura trans. Portanto, fica excluída a sua declaração em porcentagem de valor diário (%VD). Isso porque não é recomendada, de modo algum, a ingestão destas gorduras, mesmo que em quantidades mínimas. Vale observar, então, a presença dela sempre.

O que considerar primeiro

Todas as informações presentes no rótulo são importantes. Porém, dependendo do objetivo do consumidor e da presença ou não de doenças como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, alergias alimentares ou ainda a fase de vida em que o indivíduo se encontra, como, por exemplo, gestação ou lactação, alguns itens devem receber atenção especial. Para a escolha do produto, é importante analisar a lista de ingredientes (que não devem ser consumidos por gestantes, por exemplo), verificando a presença de aditivos, como o tipo de adoçante. Quanto menor o número de ingredientes de um alimento industrializado, menos aditivos ele possui e menos processado ele é.

Calorias

É importante se atentar ao valor calórico do alimento. Mas esse número não leva em consideração a qualidade nutricional. Para quem precisa perder peso, então, é necessário analisar o consumo energético total ao longo do dia e escolher alimentos com menor densidade calórica – e é essencial que seja avaliada também a qualidade daquele alimento. Tão importante quanto as calorias, é observar na lista de ingredientes se há presença de açúcares, farinha de trigo refinada, fontes de gorduras, corantes ou conservantes. O ideal é escolher os produtos com menor quantidade de aditivos e sódio possível, com farinha de trigo 100% integral, maior teor de fibras, vitaminas e minerais, isentos de gordura trans. Um produto com maior densidade calórica e melhor qualidade em termos de fibras e gorduras monoinsaturadas, muitas vezes, pode ser uma opção melhor por contribuir para o aumento da saciedade e reduzir o consumo na próxima refeição, por exemplo. Em contrapartida, um alimento com valor calórico reduzido não deve ser consumido de forma exagerada.

Decisão individual 

Sem dúvida, conhecer o próprio corpo e as condições de saúde é decisivo para escolher um alimento e entender, pelo rótulo, o que ele trará de benefícios e malefícios. Para um diabético, é necessário atentar sobre a presença de açúcar nos produtos e também à quantidade de carboidratos, sendo o alimento “diet” ou “light”, por exemplo. É importante lembrar, porém, que independentemente da particularidade do paciente, para uma alimentação saudável o produto deve ser avaliado por inteiro, e não somente um ingrediente.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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