A revolução se faz com livros – e o mundo virtual

Biblioteca do InCor se mantém há quatro décadas como um centro de disseminação do conhecimento

3.01.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

O grupo de quase uma dúzia de estudantes se acomoda nas cadeiras e poltronas em torno do mestre e de uma tela de alta definição, touchscreen, interativa. Juntos, debatem assuntos da área médica e acessam prontuários de pacientes, com perguntas e respostas correndo de um lado para o outro.

Nenhuma surpresa que toda essa situação se passe em uma biblioteca – porque se trata de uma biblioteca renovada em sua função. O Serviço de Biblioteca, Documentação Científica e Didática Prof. Dr. Luiz Venere Décourt, pertencendo ao InCor em São Paulo, foi aberto pela primeira vez em abril de 1977.

Um pequeno armário de madeira, bem na entrada do espaço onde fica a biblioteca, se dispõe a representar aqueles tempos – com as gavetinhas cheias de fichas de papel escritas à mão, na caligrafia bonita de quem catalogou livros e mais livros de medicina.

O restante do espaço de 140 m², no entanto, já não lembra as bibliotecas clássicas, com prateleiras recheadas de volumes e muito silêncio.

“Muitas aulas acontecem aqui pelas facilidades em tecnologia e informação que a biblioteca do InCor proporciona”, explica o professor, cardiologista e diretor da Unidade de Coronariopatia do InCor, Luiz Antônio Machado Cesar.

“A interatividade permite um aprendizado muito mais prático – que começa acessando dados e apresentando imagens e exames, por exemplo, e termina quando levamos os alunos à beira do leito dos pacientes.”

A sala de aula à moda antiga ganhou muito com a renovação da biblioteca do InCor.

Professor há muitos anos, o cardiologista reconhece que o papel da biblioteca mudou bastante. Hoje, as consultas a livros são menos recorrentes para ele e para os estudantes – já que um conteúdo mais atualizado pode ser conseguindo online, com acesso a bases de dados científicas, por exemplo.

“Antigamente, o que podíamos fazer era assinar revistas médicas do exterior e receber os artigos, talvez, dois meses depois”, lembra. A internet revolucionou essa logística.

Quem cuida de toda essa operação na Biblioteca Prof. Dr. Luiz Venere Décourt é a chefe do setor, Maria do Carmo Barreto. Uma entusiasta da disseminação da informação (que é uma eterna busca e propósito das bibliotecas e dos bibliotecários), ela e sua equipe de 12 pessoas coordenam um volume de 100 a 150 visitantes por dia.

Além dos que chegam para consultas de livros – que ainda é um grande mote da biblioteca –, eles recebem alunos e professores para aulas nos quatro telões e 24 estações com computadores. Recebem, na verdade, qualquer usuário que se cadastre para fazer as consultas aos materiais.

Existe acesso às bases de dados de artigos científicos, impressos e revistas, teses e mais de 19 mil imagens colhidas no InCor ao longo dos anos (organizadas pela equipe, que conta, inclusive, com dois fotógrafos que podem ser chamados a qualquer momento para registrar procedimentos ao vivo no centro cirúrgico).

Com todo esse poder de transformar dados em referências, a biblioteca do InCor tornou-se um modelo de apoio à pesquisa e na implantação da memória científica brasileira.

O uso de novas tecnologias da informação e novas mídias vem permitindo catapultar ainda mais esse acesso dos usuários – e sem deixar o apoio tradicional de lado.

“Os alunos de mestrado e doutorado também contam com a ajuda da nossa equipe para orientar os padrões de teses e artigos, as questões bibliográficas e normas que precisam ser seguidas para a divulgação de suas pesquisas”, explica Maria do Carmo Barreto.

É esse o ambiente que encontra semanalmente Amanda Lima Guerreiro, aluna do terceiro ano de medicina, quando entra na biblioteca do InCor para estudar e assistir aula.

“É um sistema bem interessante para os alunos, porque o fato de usarmos a sala permite ‘imersão’ nos assuntos de aula, com interatividade, gerando mais comentários e tendo um retorno melhor do professor”, diz.

Muitas vezes, a turma de Amanda começa uma aula na biblioteca, vai visitar o paciente que serviu como exemplo e depois retorna para seguir estudando o caso.

E as dificuldades de entender um caso desaparecem com a união entre professor, tecnologia e as referências proporcionadas por uma biblioteca que não parou no tempo – e pretende ir ainda mais longe.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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