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Amamentação pode reduzir risco de infarto e AVC, indica estudo

Prática protege mulheres contra doenças coronárias; recomendação é de amamentar ao menos 12 meses

22.06.2017 | por Elioenai Paes - Equipe Coração e Vida

Amamentar não é um ato benéfico apenas para os bebês, mas também para as mães. Uma pesquisa publicada no periódico da Associação Americana do Coração (AHA) mostra que o aleitamento pode reduzir, em longo prazo, o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) nas mães.

Estudos anteriores mostraram que mães que amamentam já tinham vantagens imediatas, como perda de peso, redução do colesterol, da pressão arterial e da glicemia depois da gestação. Os efeitos futuros do aleitamento, no entanto, ainda não eram claros. O novo estudo, feito na China, descobriu que mulheres que amamentam seus bebês têm um risco 10% menor de ter infarto ou AVC.

Foto: Shutterstock

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Pesquisadores da Universidade de Oxford, da Academia Chinesa de Ciências Médicas e da Universidade de Pequim analisaram dados de 289.573 mulheres chinesas (com idade média de 51 anos). Depois de oito anos do início da pesquisa, houve 16.671 casos de doenças coronárias – incluindo infartos – e 23.983 casos de AVC.

Os pesquisadores observaram que as mães que amamentaram seus bebês tiveram um risco 9% menor de doença cardíaca e um risco 8% menor de AVC em comparação às que não amamentaram. Além disso, descobriram que entre as mães que amamentaram por dois anos ou mais, o risco de doença cardíaca foi 18% menor e o de AVC, 17% menor. Seis meses adicionais de lactação foram associados a um risco 4% menor de doença cardiovascular e 3% menor de AVC.

Os pesquisadores consideraram também uma série de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como tabagismo, pressão alta, obesidade, diabetes e atividade física, que poderiam levar a resultados tendenciosos.

“Embora não possamos estabelecer os efeitos causais, os benefícios da amamentação podem ser explicados por um restabelecimento mais rápido do metabolismo da mãe após a gravidez”, explica Sanne Peters, pesquisadora da Universidade de Oxford no Reino Unido.

De acordo com a especialista, a gravidez altera dramaticamente o metabolismo da mulher, pois ela armazena gordura para fornecer a energia necessária à gestação do bebê e também para o aleitamento. “Amamentar pode eliminar a gordura armazenada de forma mais rápida e efetiva”, explica.

Além disso, os pesquisadores observaram que as mulheres que amamentam tendem a ter comportamentos mais saudáveis do que as que não amamentam, e isso também reduz o risco de eventos cardíacos.

“As descobertas devem incentivar o aleitamento para o benefício da mãe e da criança”, diz Zhengming Chen, autor do estudo e professor de epidemiologia na Universidade de Oxford. “O estudo apoia a recomendação da OMS de que as mães devem amamentar seus bebês exclusivamente durante os primeiros seis meses de vida.”

A Associação Americana do Coração sugere a amamentação durante 12 meses, se possível.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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