Aposentadoria aumenta chances de depressão e problemas físicos

Pesquisa indica que parar de trabalhar pode trazer prejuízos para o corpo e para a mente

15.03.2017 | por Thiago Fraga - Equipe Coração e Vida

Pesquisa do Institute of Economics Affairs (IEA), com sede em Londres, desmistifica a ideia que muitos têm sobre a aposentadoria. O levantamento indicou que parar de trabalhar pode trazer prejuízos para o corpo e para a mente.

O estudo comparou pessoas da mesma faixa etária que deixaram de trabalhar com aqueles ainda em atividade e concluiu que manter-se profissionalmente ativo não é apenas uma necessidade econômica. O IEA apontou que a aposentadoria pode aumentar em 40% as chances de desenvolver depressão e em 60% a possibilidade do aparecimento de um problema físico.

A falta de planejamento pode ser o principal problema, explica o médico do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Alexandre Leopold Busse.

Foto: Shutterstock

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“Percebemos que muitas pessoas não se preparam para esse momento da vida. Especialmente os homens [das gerações anteriores] acreditam que esse período será apenas de descanso e mais tarde acabam sofrendo com a diminuição de atividade”, explica.

A queda no padrão de vida é um dos fatores que contribuem para um quadro de depressão. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Brasil tem 18,5 milhões de aposentados. Desse total, 25% trabalham e apenas 1% tem independência financeira.

Em muitos casos, a depressão na terceira idade passa despercebida. Neste sentido, o papel da família é fundamental, observando como o idoso lida com esse período.

“No caso de um jovem a depressão fica mais latente. Nos idosos ela costuma ser mais sutil e atribuída ao envelhecimento. Nessa situação, o mais comum é a falta de energia, ausência de prazer em tarefas cotidianas e irritabilidade”, detalha o médico.

A piora nas condições físicas também está ligada à aposentadoria. A falta de atividade diária induz a uma situação de ociosidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a prática de 150 minutos de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade aeróbica intensa por semana.

Os exercícios têm papel fundamental na melhora da capacidade cardiorrespiratória e muscular, além da saúde óssea e funcional.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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