Coração e Vida | Ar seco e poluição aumentam em 50% o risco de eventos cardíacos, alerta especialista - Coração e Vida

Ar seco e poluição aumentam em 50% o risco de eventos cardíacos, alerta especialista

Beber mais água do que o habitual é fundamental à saúde

29.07.2017 | por Elioenai Paes - Equipe Coração e Vida

O ar seco que atinge São Paulo e outras regiões do país merece atenção, afinal, essa condição eleva a concentração de poluentes e pode aumentar em 50% o risco cardíaco de pessoas com alguma vulnerabilidade, como comprometimento coronário.

É justamente nos dias de maior poluição e ar seco que a necessidade vital de respirar culmina em maior risco de parar nas emergências de hospitais.

Foto: Shutterstock

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De acordo com o patologista e especialista em poluição atmosférica, Paulo Saldiva, para quem tem alguma vulnerabilidade cardíaca, o ar seco pode ser a diferença entre saúde e doença e até mesmo ser causa de morte.

O risco aumenta, segundo ele, porque, em períodos de calor, os vasos periféricos se dilatam para poder liberar esse calor. “Para manter a pressão arterial com esses vasos dilatados, o coração precisa trabalhar mais, batendo mais forte.”

Além de o coração fazer mais esforço, os poluentes do ar promovem uma irritação no pulmão. “Essa irritação é ruim, pois os brônquios ficam mais fechados. Quando isso acontece, os vasos também se fecham mais e o coração vai bombear contra um pulmão mais fechado, aumentando a resistência dos vasos.” Asmáticos sofrem ainda mais com essa reação.

A desidratação pelo ar seco também preocupa, pois quando a umidade do ar está baixa, o pulmão continua necessitando de um ar com 100% de saturação.

“O ar chega lá como se fosse uma sauna, com umidade acima de 95%. Mas e se fora a umidade estiver em 20%? A pessoa passa a perder mais água do que o habitual. Pode perder até 1,5 litro a mais do que o normal”, alerta Saldiva.

É importante saber que a desidratação traz também outras consequências graves, como maior risco de trombose e sobrecarga ao coração, pelo fato de o sangue ficar mais espesso. Com isso, o coração se vê obrigado a trabalhar mais depressa.

Saldiva explica que a poluição proporciona uma inflamação que não dá febre, mas, como todo processo inflamatório, pode aumentar a chance de o sangue coagular, elevando o risco de trombose.

A boa notícia é que apesar de o dia ser difícil, a umidade aumenta à noite. “Mesmo em períodos de baixa umidade do ar, à noite sobe para 50% ou 60% – o que ainda não é o ideal, mas é mais tolerável.”

Idosos e bebês precisam de mais cuidados

É por isso que idosos ou seus cuidadores devem ficar atentos. “Idosos perdem a sensação de sede e passam a perder água sem sentir sede. O ideal é olhar a cor da urina: se escureceu, tem que oferecer mais água, como se fosse realmente uma medicação”, recomenda.

O mesmo vale para os bebês, já que não tomam água sozinhos. “A mães podem olhar a cor do xixi pela fralda”, ensina o especialista.

Pratica atividade física ao ar livre? Fique atento!

Saldiva recomenda cautela ao praticar atividade física ao ar livre durante dias com ar seco e grande concentração de poluição.

“É preciso se hidratar mais do que o normal e evitar os períodos de maior insolação”, explica. Em outras palavras, o ideal é só praticar atividade ao ar livre antes das 8h e depois das 19h.

O fundamento para essa preocupação também é científico, já que o ozônio – gás que está presente na atmosfera – e outros poluentes fotoquímicos agem com maior intensidade durante as horas mais quentes e ensolaradas do dia.

“Sem vento e chuva, as partículas de poluentes ficam de dois a cinco dias voando sem se depositar, e vão sendo transformadas pela radiação solar, gerando radicais livres. O ozônio é o maior representante, mas há uma família de aerossóis voláteis que causam esse problema”, explica o especialista.

Outro conselho de Saldiva é não correr próximo aos carros. “Os níveis de poluentes são muito mais altos nos corredores de tráfego do que no meio das árvores de um parque, por exemplo”, explica ele.

Essa dica não vale apenas para os dias mais secos, mas para todos que se exercitam em grandes avenidas ou regiões com muita movimentação de carros.
“O ideal é se manter com mais de 150 metros de distância das vias de tráfego.”

Veja dicas para minimizar as consequências do ar seco

Ao contrário do que muita gente pensa, umidificar o ar é indispensável durante o período mais crítico do dia, entre 11h e 16h, já que à noite o ar volta a ficar mais úmido, melhorando o risco de todas as condições já citadas.

Quem tem umidificador de ar pode usar, mas desde que o filtro esteja limpo para evitar a colonização por fungos. “A bacia de água também ajuda a aumentar a umidade relativa do ar.” Usar esse truque durante o dia traz muito mais conforto respiratório e melhor qualidade de vida.

Além disso, beber mais água é fundamental para aliviar as sensações ruins trazidas pela baixa umidade do ar. “Deixar o vapor de água que sai do chuveiro quente também é uma alternativa”, explica Saldiva.

Gotas de soro fisiológico para limpar o nariz e lágrimas artificiais para os olhos também trazem conforto para enfrentar os dias de umidade desértica.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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