Nº de doadores de órgãos bate recorde e chega a 2.983 em 2016

Entenda a importância da doação; esse gesto pode salvar vidas

10.03.2017 | por Coração e Vida

O número de doadores efetivos de órgãos no Brasil subiu para 2.983 em 2016, alta de 5% em relação ao ano anterior e maior número já registrado na história, de acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Ministério da Saúde.

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Outro recorde contabilizado foi com relação aos transplantes de coração em 2016: foram 357 procedimentos, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Também houve um aumento nos transplantes de rim (18%), fígado (34%), medula óssea (39%) e pulmão (53%) em seis anos.

Foto: Shutterstock

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“Nosso objetivo para reduzir as listas de espera, já que temos uma excelente infraestrutura física e técnica, é fazer campanhas de conscientização para que as famílias autorizem a doação de órgãos”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Em relação à fila de espera, em dezembro do ano passado, havia 41.042 pessoas aguardando por um transplante, sendo a maior parte delas (24.914) para rim. Já a taxa de aceitação familiar, em 2016, foi de 57% (anos anteriores: 2013 – 56%; 2014 – 58%; e 2015 – 56%).

Em junho de 2016, o governo federal assinou um decreto disponibilizado um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) exclusivamente para ajudar nos transportes dos órgãos.

“Dispomos das mais modernas técnicas. E ter um avião da FAB à disposição contribui e muito para o sucesso das operações, reforçando ainda mais o nosso compromisso em nos manter um país de referência mundial em transplantes”, afirmou o cardiologista Roberto Kalil, diretor do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A instituição está hoje entre as sete do mundo em números de transplantes de órgãos.

Desde o primeiro transplante realizado no hospital, em 1985, foram 1.134 procedimentos até fevereiro de 2017.

A organização das equipes médicas, por meio do Núcleo de Transplantes do InCor, foi fundamental para o resultado alcançado, além do suporte da Secretaria de Saúde de São Paulo, que disponibilizou equipes multidisciplinares e helicópteros para o rápido transporte dos órgãos dentro do Estado.

Criada em 2013 como uma área focada exclusivamente em transplantes, a unidade reuniu num mesmo processo de gestão todas as equipes envolvidas neste tipo de procedimento: cirúrgica, clínica e multiprofissional de transplantes de coração e pulmão, adulto e infantil.

Confira a seguir algumas dúvidas mais frequentes sobre a doação de órgãos:

Quem pode e quem não pode ser doador de órgãos e tecidos?

Todos podemos ser doadores de órgãos desde que não sejamos portadores de doenças transmissíveis (Aids, por exemplo), de infecções graves e de câncer generalizado. Não podem ser doadores as pessoas com doenças infecciosas incuráveis e câncer generalizado, ou ainda as pessoas com doenças, que pela sua evolução, tenham comprometido o estado dos órgãos. Também estão excluídos do direito de doar as pessoas sem identidade, ou menores de 21 anos sem a autorização dos responsáveis.

Quais as partes do corpo que podem ser doadas para transplante?

As mais frequentes são rins, pulmões, coração, fígado, córneas e válvulas cardíacas. As menos frequentes, rim e pâncreas juntos. Fora do Brasil também são feitos transplantes de estômago e intestino. É possível também transplantar pele e ossos, e até mesmo uma parte completa, como a mão.

Existe limite de idade para ser doador ou receptor?

O que determina o uso de partes do corpo para transplante é o seu estado de saúde. Em geral, aceita-se os seguintes limites, em anos: rim (75), fígado (70), coração e pulmão (55), pâncreas (50), válvulas cardíacas (65), córneas (sem limite), pele e ossos (65).

Eu quero ser doador(a). O que devo fazer?

A atitude mais importante é comunicar à família e aos amigos este desejo, pois pela legislação atual todos nós podemos ser doadores, desde que a família autorize a retirada dos órgãos. Por isso, é muito importante que seus amigos e familiares saibam da sua opção de doar. Use um símbolo (um selo de doador, por exemplo) que indique claramente esta opção em seu documento de identidade.

Quando podemos doar?

A doação de rim, medula óssea ou parte do fígado pode ser feita em vida. Mas em geral nos tornamos doadores quando ocorre a morte encefálica. Tipicamente ocorre morte encefálica em pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc.) e continuam com seus outros órgãos em bom estado de funcionamento.

A morte encefálica pode ser diagnosticada em qualquer hospital?

Depende, o exame clínico por neurologista é habitualmente feito em todos os hospitais, contudo nem sempre há disponibilidade para exame complementar de eletroencefalograma ou angiografia cerebral conforme a lei exige, o que requer participação de outro hospital.

Há chance de os médicos errarem no diagnóstico de morte encefálica?

Não. Se for seguido o protocolo, que está muito bem documentado.

Quem retira os órgãos de um doador?

Desde que haja um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe com treinamento específico para este tipo de procedimento. Depois disso, o corpo é devidamente recomposto e liberado para os familiares.

Como fazer para um familiar falecido se tornar doador?

Um dos membros da família pode manifestar o desejo de doar os órgãos ao médico que atendeu o familiar, ou à administração do hospital, ou ainda entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomará as providências necessárias. Se a sua família quer mesmo adotar esta atitude de doação, aconselha-se que insista com a equipe médica do hospital para que as providências sejam tomadas.

Se for tomada a decisão de doar os órgãos de um familiar, quanto isso vai custar?

A família de um potencial doador não paga pelos procedimentos de sua doação. Existem coberturas do SUS para este procedimento. A maioria dos planos privados de saúde não cobre este tipo de procedimento.

Tenho um familiar em lista de espera por um transplante. Sou compatível com ele. Se eu morrer, posso ser o seu doador?

Não. Os familiares do falecido não podem escolher ser receptor. O receptor será sempre indicado pela Central de Transplantes com base apenas em critérios de compatibilidade e de urgência do procedimento.

Como sei se um familiar ou amigo pode doar para mim?

Se você precisa de um rim, medula óssea ou parte do fígado, um familiar ou amigo pode ser doador em vida. Antes da doação, no entanto, eles devem ser submetidos a uma bateria de exames de compatibilidade, sempre sob a orientação de médicos, para determinar esta possibilidade.

Uma pessoa é doadora e vem a falecer. Se quando chegar ao hospital não encontram seus documentos, nem os seus familiares, seus órgãos podem ser retirados para transplantes?

Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos, sem autorização dos responsáveis, não são consideradas doadoras.

Quem faz transplante no Brasil?

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, existem no Brasil cerca de 400 equipes médicas cadastradas para realizar transplantes de órgãos.

Como funciona o sistema de captação de órgãos?

Se existe um doador em potencial (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc., com autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos), a função vital dos órgãos deve ser mantida. É realizado o diagnóstico de morte encefálica. Seguem-se então as seguintes ações:

– O hospital notifica a Central de Transplantes sobre um paciente com morte encefálica (potencial doador);

– A Central de Transplantes pede confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento;

– A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (Equipes de Transplante) onde eles são atendidos;

– As Equipes de Transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio, etc.);

– Os órgãos são retirados e o transplante realizado.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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