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Carne vermelha: consuma com moderação

Proteína não deve ser excluída do cardápio diário, mas é preciso observar quantidade e acompanhamentos

4.07.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Quando o assunto é alimentação, são muitas as dúvidas que costumam surgir a respeito de alimentos que, em tese, deveriam ser evitados a todo custo e de produtos que deveriam ser presença constante no prato de todos os brasileiros. Com a carne não é diferente.

Ainda que não se entre em qualquer polêmica envolvendo a alimentação considerada mais tradicional e as diversas vertentes do vegetarianismo, o simples consumo da carne gera uma série de inquietações nas pessoas, que perpassam o simples sabor de cada proteína.

Foto: Shutterstock

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A carne vermelha, por exemplo, é tida por muitos como um alimento que deve ser evitado na alimentação diária. Outros, no entanto, consideram que a proteína nessa forma é a mais saudável e, portanto, deveria ser priorizada em relação às demais.

Segundo a nutricionista Paula Mintz Hertel, o consumo da carne vermelha pode ser feito de maneira saudável. Não se trata, portanto, de olhar esse tipo de proteína como se esta fosse um mal no prato dos brasileiros. A nutricionista ressalta, porém, que esse consumo deve adotar uma frequência adequada, sem exageros. “E é preciso dar preferência aos cortes mais magros [de carne vermelha]”, completa Paula.

O assunto ganhou maior relevância recentemente após a divulgação de uma pesquisa realizada pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Na publicação, a entidade sustenta que o consumo de carnes processadas – como presunto, salsichas, linguiças e bacon – aumentam a incidência de câncer colorretal. Já as carnes vermelhas, segundo o estudo, são “provavelmente cancerígenas para humanos”.

Diante da polêmica criada e das incertezas em relação à recomendação ou não de consumo de carne vermelha, o diretor da IARC, Christopher Wild, veio a publico esclarecer que os resultados do levantamento podem, de fato, apoiar as atuais recomendações de saúde pública para limitar a ingestão de carne. “Ao mesmo tempo, a carne vermelha tem valor nutricional. Portanto, esses resultados são importantes para permitir que os governos e as agências reguladoras internacionais realizem avaliações de risco, a fim de equilibrar os riscos e os benefícios de comer carne vermelha e carne processada e fornecer as melhores recomendações dietéticas possíveis”, completou Wild.

Recomendação

No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é que o consumo diário de carne não ultrapasse 100 gramas, em média, por pessoa. A pasta, no entanto, não define se esse consumo deve/pode ser de carne processada, vermelha, bovina, suíno ou de frango, por exemplo.

Nos Estados Unidos, o World Cancer Research Fund, órgão que atua na prevenção do câncer, recomenda um consumo semanal máximo de 500 gramas de carne vermelha e processada por pessoa. A recomendação brasileira equivale a cerca de um bife pequeno por dia, por pessoa.

O que se percebe a partir de estudos específicos, no entanto, é que esse consumo tem sido maior em parte da população do país. Ao menos em São Paulo, os dados mais recentes apontam que três em cada quatro paulistanos consomem quantidades de carne muito acima do índice recomendado.

Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), publicada em 2013, o consumo de carne diária pelo paulistano passou de 143g para 179g entre 2003 e 2008. A mesma pesquisa mostrou um aumento de 108g para 135g por dia no consumo de carne vermelha e processada especificamente entre a população jovem da cidade – uma quantidade também superior à recomendação.

As orientações da nutricionista Paula Hertel estão alinhadas com a recomendação da OMS sobre o consumo de carne vermelha. Não se trata de proibir, e sim de consumir em uma frequência que seja considerada normal. Além disso, de acordo com a médica, ao se pensar no prato consumido diariamente, é sempre possível relacionar alimentos que possam trazer mais benefícios do que a carne vermelha. Dessa forma, se consumida na quantidade recomendável e em conjunto com outros alimentos, a carne vermelha se torna (mais) uma opção saborosa de proteína como outra qualquer.

“O recomendável é compor o prato com os diferentes grupos alimentares, como, por exemplo, legumes, verduras, grãos. Isso favorece o equilíbrio [da alimentação]”, explicou a nutricionista, que indicou ainda que esse consumo diário deve ser adequado a diferentes grupos populacionais, como idosos e crianças, sempre considerando uma série de fatores que influenciarão nos benefícios e malefícios causados pela proteína vermelha.

“​Precisamos levar em consideração questões de saúde [por exemplo, doenças cardiovasculares, anemia], digestão, o modo de preparo da carne, a necessidade proteica de cada indivíduo, o uso de medicamentos. Tudo isso influencia na quantidade e na frequência adequada de consumo”, completa.

Além disso, é preciso evitar as tradicionais armadilhas da alimentação diária. A carne de frango, por exemplo, que é opção comum entre aqueles que desejam seguir uma alimentação mais saudável, deve ser ingerida a partir de alguns critérios. De nada adianta a opção por este tipo de proteína se a carne for servida (e consumida) com a pele ou por meio de frituras, por exemplo.

Outro exemplo a ser citado é o peixe, proteína muito bem recomendada por nutricionistas, mas que pode, na verdade, atrapalhar a dieta caso seja consumido frito ou com molhos calóricos e gordurosos.

A recomendação para a carne vermelha é a mesma adotada para diversos outros alimentos: é possível consumi-la, mas sem exageros e respeitando as necessidades nutricionais de cada indivíduo. Para isso, o recomendável é sempre a consulta com profissional médico responsável.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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