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Cheguei aos 30, e agora?

Quarta década de vida acarreta mudanças importantes no corpo, que requerem cuidados e visitas mais frequentes ao médico

18.09.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Envelhecer é um processo natural do nosso corpo e a forma como isso acontece depende, juntamente com fatores genéticos, do estilo de vida adotado por cada pessoa durante o passar dos anos.

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Cada década vivida traz consigo transformações no organismo de homens e de mulheres. Como não é possível ignorar tais modificações, seguir certos passos e adotar hábitos saudáveis podem amenizar as consequências do envelhecimento. Apesar de ser recomendável consultar um médico em qualquer idade, a partir dos 30 anos os cuidados devem ser redobrados.

Foto: Shutterstock

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De acordo com Marcus Gaz, clínico-geral do Hospital Israelita Albert Einstein, completar 30 anos pode trazer a oportunidade de refletir sobre a própria saúde.

“Nesta fase da vida costuma-se dar conta de que não somos super-homens ou super-mulheres. As costas começam a doer, o estômago fica mais sensível, a disposição para sair à noite não é mais a mesma. Por isso, deve-se aproveitar para colocar a avaliação médica geral em dia. Além disso, manter bons hábitos de vida, especialmente a partir da terceira ou quarta década de vida, pode impactar na prevenção de doenças na terceira idade.”

Os adeptos das festas noturnas recheadas de álcool aos finais de semana devem ter ciência de que, a partir dos 30 anos, o metabolismo muda e as consequências dos abusos também aparecem.

“A resistência do corpo não é mais a mesma. Normalmente temos menos reservas funcionais para lidar com situações mais adversas, ou seja, o metabolismo é mais lento, a massa muscular é menor, o sistema digestivo é mais devagar e menos eficiente. Assim, é importante que, a partir dessa idade, situações como estas sejam cada vez menos frequentes, sob o risco de impacto direto na saúde e na qualidade de vida”, destaca o médico do Albert Einstein.

Sentir nesta etapa da vida os primeiros sinais de que o corpo e o organismo não são mais os mesmos é algo absolutamente normal. Gaz explica que, conforme se costuma dizer, o corpo humano foi “projetado” para uma vida útil de apenas 50 anos.

“Parece exagero, mas é só lembrar que, antes dos avanços na Medicina e na prevenção de doenças, a expectativa de vida da população era, de fato, por volta de 45 a 50 anos. Assim, é normal, já a partir dos 30 anos, apresentarmos algumas limitações inerentes a esse processo de envelhecimento”, completa.

Cybelle Machado, endocrinologista do Hospital Bartira, da Rede D’Or São Luiz, ressalta ainda uma importante mudança no corpo e dois hábitos que devem ser adotados por quem chegou à quarta década de vida.

“Até os 20 anos, o corpo está se formando. Entre esse período até os 30 não há nem perda nem ganho de massa muscular e óssea. Depois desta idade, a cada década, perdemos 10% da taxa de metabolismo basal de repouso, ou seja, precisamos comer cada vez menos e aumentar a atividade física”, afirma Machado.

Cuidados básicos

De acordo com a endocrinologista, as recomendações para prevenir possíveis problemas de saúde tanto para homens quanto para mulheres que já atingiram ou ultrapassaram a faixa dos 30 anos de idade são basicamente as mesmas.

“Praticar atividades físicas, não fumar, reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas, aumentar a quantidade de verduras, legumes e frutas na alimentação, além de beber muita água”, orienta.

Também deve ser somada a estas orientações 7 a 8 horas de sono, já que uma noite mal dormida pode trazer péssimas consequências para o organismo.

“Não dormir o suficiente faz com que os hormônios fiquem todos bagunçados, levando a quadros de obesidade, riscos de diabetes, além da diminuição da capacidade de atenção”, complementa.

No caso dos homens é preciso se atentar à famosa “barriga de chope”, que nada mais é do que o acúmulo de gordura na região abdominal, que pode acarretar em futuros problemas cardiovasculares. Apesar desta característica não ser tão comum em mulheres, os altos níveis de estresse causados muitas vezes por longas jornadas de trabalho fora e dentro de casa também devem ser evitados.

As mulheres também devem ter uma atenção especial com os exames preventivos ginecológicos, especialmente se pretendem engravidar nesta faixa etária, quando as gestações costumam ser mais arriscadas do que em mulheres na casa dos vinte anos. Além disso, doenças como o câncer de mama começam a aumentar sua incidência a partir dos 35 anos, principalmente em mulheres com histórico familiar da doença.

As dicas para ambos os sexos aos 30 anos não fogem à regra, já que é normal também o ganho de peso a partir desta idade devido à diminuição do metabolismo. Apesar das soluções relativamente simples, nem sempre segui-las à risca é uma tarefa fácil. O ideal é manter uma programação de exercícios que inclua caminhadas, natação, andar de bicicleta, além de uma dieta equilibrada.

Nunca é tarde para se cuidar

Independentemente de ter tido uma vida regrada ou não até chegar aos 30, nunca é tarde para cuidar da saúde. Adquirir hábitos saudáveis fará com que os benefícios sejam sentidos em vários aspectos. Porém, são necessários alguns cuidados para que esta mudança no estilo de vida seja feita de forma gradual e adequada a cada biótipo. É preciso levar em conta também se há um histórico familiar de doenças, pois nestes casos exames específicos devem ser feitos para saber se há ou não uma propensão a desenvolvê-las.

O clínico-geral e médico de família do Hospital Sírio-Libanês Alfredo Salim reforça o pensamento de que qualquer pessoa pode e deve dar o primeiro passo.

“Além de seguir as orientações básicas como consultar um médico, a pessoa deve realizar exames clínicos para checar os índices de gorduras, colesterol, triglicérides, além de ser submetida a testes para avaliar o sistema cardiovascular para saber qual o grau de esforço físico que ela pode ser submetida”, explica.

Salim ainda alerta que não é necessário nenhum tipo de exagero na hora de iniciar uma rotina de exercícios físicos.

“A pessoa tem que ter uma vida não sedentária, ou seja, entre três e quatro vezes por semana fazer atividade física, porém isso não significa fazer exercícios violentos, pesados. Se ela conseguir, por exemplo, andar quatro vezes por semana em uma esteira, durante 45 minutos, a uma velocidade entre 5 a 5,5 km/h, já terá bons resultados”, finaliza.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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