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Cuidados com o óleo de prímula

Substância é usada para amenizar sintomas da TPM e menopausa, mas não há comprovação científica

26.12.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

As (muitas) mulheres que sofrem atualmente com os sintomas decorrentes da chamada Tensão Pré-menstrual (TPM) ou da menopausa certamente já buscaram tratamentos e remédios alternativos para o que sentem. Um deles é o óleo de prímula, que, inclusive, é indicado por alguns médicos como uma opção aos métodos tradicionais.

É preciso atentar-se, no entanto, que não há comprovação científica dos benefícios gerados pelo óleo de prímula em pacientes com queixas de TPM ou menopausa. Quem explica é Eliezer Berenstein, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz.

Foto: Shutterstock

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“Muitas pacientes frequentemente se voltam para abordagens ditas alternativas sem base na Medicina, baseadas em evidências terapêuticas fora da medicina convencional. Não há evidências suficientes para fazer uma avaliação confiável [da eficácia do óleo]”, afirma Berenstein, que discorre sobre as propriedades da substância.

“O óleo de prímula [Oenotherabiennis] é uma terapia alternativa de uso comum e uma fonte rica de ácidos graxos essenciais ômega-6. É mais conhecido pelo seu uso no tratamento de doenças sistêmicas marcadas por inflamação crônica, como dermatite atópica e artrite reumatóide. No entanto, a maioria dos testes até o momento tem falhas metodológicas significativas e devem ser considerados preliminares”, completou.

A avaliação é partilhada por Eduardo Motta, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, que alerta sobre o oferecimento da substância sem qualquer controle ou acompanhamento para mulheres de perfis e sintomas diversos.

“É importante observar que estas substâncias são oferecidas à população sem parâmetros de controle de qualidade definidos, o que permite que possa haver oferta de componentes contaminantes ou em dosagem desconhecida. Desta forma, é importante estar atento à procedência e aos controles de qualidade para o consumo. Qualquer substância ingerida pode apresentar efeitos colaterais, como alergias, por exemplo”, explica.

É importante ressaltar ainda que os sintomas inerentes à TPM ou à menopausa não devem ser minimizados. Pelo contrário, podem e devem ser combatidos, na medida do possível, para evitar que a paciente tenha uma piora sensível na qualidade de vida.

Justamente por isso os especialistas ressaltam a importância de buscar acompanhamento médico ao notar a permanência dos sintomas e a piora do quadro clínico.

“É importante ter certeza do diagnóstico para que não se esteja retardando um tratamento mais adequado”, afirma Motta.

Já Berenstein destaca que cada mulher deve seguir o tratamento mais adequado às suas necessidades, pois não existe um único medicamento ou tratamento capaz de amenizar, de forma geral e indistinta, os sintomas da menopausa ou da TPM (chamada também pelos especialistas de Síndrome do Transtorno Pré-menstrual, ainda que o “nome popular” persista).

“Toda mulher é diferente e única. A maioria, mas não todas, experimenta sintomas da síndrome, até certo ponto, em algum momento. Mas nem todas sentem os mesmos sintomas, e esses sintomas variam em gravidade entre as mulheres, e mesmo de mês para mês”, completa.

Se você está experimentando sintomas fortes e persistentes relacionados à TPM ou à menopausa, procure um ginecologista para monitorar a situação. Antes disso, evite qualquer tipo de remédio ou terapia alternativa, sem comprovação científica, justamente para evitar um possível agravamento do quadro.

OLEO-DE-PRIMULA_v2Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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