Coração e Vida | Doenças cardiovasculares matam 17 milhões ao ano no mundo - Coração e Vida

Doenças cardiovasculares matam 17 milhões ao ano no mundo

No Dia Mundial do Coração, cardiologista faz alertas e reflexões sobre o tema

29.09.2016 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

É um dos órgãos vitais do corpo humano – e, até por isso, sempre muito lembrado quando se fala em cuidar da saúde. Mesmo assim, o coração ainda sofre. Todos os anos, no mundo, registram-se cerca de 17 milhões de mortes em decorrência das doenças cardíacas. Foi por isso mesmo, inclusive, que nasceu o Dia Mundial do Coração.

Cardiologista Roberto Kalil responde a perguntas de internautas

O dia 29 de setembro serve, desde 2000, quando foi instituído, para informar às pessoas ao redor do planeta que as doenças cardíacas têm todo esse peso no número de óbitos sobre a população mundial.

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“Mesmo com procedimentos tão evoluídos em cirurgias, UTIs mais modernas, novos medicamentos, ainda assim o mais importante é que as pessoas sejam informadas, escutem seus médicos, entendam a dimensão do problema e, principalmente, façam a prevenção contra os problemas no coração.” A mensagem é do cardiologista Roberto Kalil Filho, diretor do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Recados como esse, contundentes, mas tão essenciais, é que fazem valer o Dia Mundial do Coração. Para trazer, então, mais informação direta, alertas e reflexões sobre o tema, acompanhe os tópicos abaixo – e comece hoje a cuidar do seu coração.

Prevenção

Essa é a palavra de ordem quando se trata do coração. Existem, sim, as doenças congênitas do aparelho cardiorrespiratório – mas, em grande parte, é possível evitar problemas futuros com medidas práticas, diárias. Observar sempre os fatores de risco é a primeira delas.

São situações que acendem um sinal de alerta e devem ser evitadas ou acompanhadas de muito perto.

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Alimentação

Muita gente ouve falar sobre “comer direito” e como isso pode ajudar o coração. E não é preciso ser um especialista para aderir a uma dieta balanceada (não se trata de sair cortando alimentos do cardápio radicalmente, com certeza). O ponto é equilibrar.

“Deve-se comer de forma variada, acrescentando carboidratos, carnes. Legumes e verduras precisam estar muito presentes, assim como alimentos com fibras, que ajudam a reduzir o colesterol”, diz Kalil.

“Diminuir o leite e derivados e carne em excesso, que prejudicam o colesterol, também é importante”, completa o cardiologista. Vale sempre evitar, ainda, o consumo de gorduras saturadas – optando por carnes magras, peixes, frutas como o abacate, castanhas e tudo o que traz gorduras boas para o organismo.

“O grande objetivo de campanhas como o Dia Mundial do Coração é convocar a população para repensar pontos como a alimentação e um modo de vida mais saudável”, diz Kalil. “O mundo em que vivemos já é muito opressor, então não devemos colocar rigor absoluto e tirar o prazer da alimentação – mas é importante fazer boas escolhas e se informar melhor sobre o que comer.”

Exercícios

“A sua vida está nos seus pés.” Como costuma lembrar Kalil, essa é uma antiga máxima que professores de medicina usavam para explicar que um organismo que se movimenta tem mais chances de funcionar melhor. Exercícios, como uma simples caminhada diária, já fazem uma ótima prevenção das cardiopatias.

Deu vontade de intensificar e partir para a academia? Melhor ainda (desde que com acompanhamento adequado de profissionais) – é a partir daí que o corpo ganha mais condicionamento, elevando a frequência cardíaca e ajudando, por exemplo, na perda de peso. Mas o importante mesmo é se mexer, mesmo que em um ritmo mais leve.

“E sempre se pode tentar também outras modalidades conforme o gosto da pessoa, como andar de bicicleta, na esteira, fazer natação. Se movimentar: essa é a melhor prevenção”, define o cardiologista.

Estresse

A vida moderna é sempre lembrada pelos ganhos que tivemos com a tecnologia, por exemplo – e o quanto perdemos no sossego. Parece um contrassenso, mas é assim mesmo: a modernidade acabou gerando um grande estresse ocupacional na sociedade.

E mesmo o estresse tendo fases distintas – quatro, segundo especialistas, sendo a primeira delas algo positivo, que traz motivação, e as demais negativas, com perdas para a rotina –, ele é sempre um fator de risco para o sistema cardiovascular e a saúde como um todo.

Combater o estresse, no entanto, varia de acordo com o indivíduo e como ele reage a mudanças de hábitos, terapias e tratamentos. Uma coisa é certa: “A atividade física pode ajudar até mesmo a controlar o estresse, vale começar a mudar essa situação colocando os exercícios na rotina”, afirma Kalil.

Colesterol

O colesterol é uma gordura necessária ao nosso organismo, mas quando uma de suas frações (LDL, o “colesterol ruim”) se eleva no sangue, é um perigoso fator de risco para doenças cardíacas – por causar a aterosclerose e provocar infarto do miocárdio e derrame cerebral.

O nível do LDL pode ficar elevado por fator genético e por uma dieta inadequada rica em gorduras; já o “colesterol bom”, HDL, não participa do processo de obstrução das artérias – e, na verdade, sabe-se que ele tem um efeito protetor, porque retira o colesterol dos tecidos e os leva para o fígado, onde é eliminado ou reaproveitado.

A ideia, então, é sempre baixar o LDL e aumentar o HDL (coisa na qual a atividade física – sim, ela de novo! – ajuda bastante). Em casos mais graves, medicamentos prescritos podem ser utilizados.

Mulheres

Existe aquela história sempre propagada de que a mulher tem menor risco de sofrer infarto que o homem. É um erro. A mulher tem tanto risco de enfartar quanto o homem.

Existia, antigamente, muita aceitação sobre esse mito – o que só causou despreocupação nas mulheres quanto aos fatores de risco e a prevenção e o aumento, ano a ano, dos casos entre o público feminino.

“Acontece que, depois da menopausa, as mulheres têm chance igual ou maior de ter um infarto em comparação o homem”, diz o médico. Quem está acima do peso, fuma, não faz exercícios ou não faz exames regulares tem grande chance de enfartar. Seja homem ou mulher.

Avaliações clínicas

Exames regulares são uma forma de se manter consciente sobre o próprio corpo e, em especial, sobre seu coração. As pessoas podem ter sintomas de doenças coronárias, sim, e correr em tempo para o hospital, receber atendimento e ficarem bem; mas elas também podem apenas enfartar e morrer.

É uma realidade dura, mas é um fato. Portanto, é vital estar atento. Dores no peito – ou um “aperto” no peito, como se fosse uma angústia – que irradiam para os braços são um sinal clássico. Mas como as cardiopatias são traiçoeiras, também pode acontecer uma dor na altura do estômago muito forte.

E existe ainda a dor de cabeça forte (indicando talvez um AVC). Em qualquer desses casos, se deve sempre procurar atendimento médico imediatamente. Já as arritmias, o coração “disparado”, nem sempre são preocupantes – com o corpo em movimento, são normais.

Mas vale o lembrete mais uma vez: cada fator de risco que se tem aumenta a possibilidade de episódios de doenças cardíacas.

Quem está nesse grupo e sente um desconforto deve procurar ajuda. E deve procurar, sempre, atender aos apelos do Dia Mundial do Coração.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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