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Estudo indica que 2 bilhões de pessoas estão acima do peso; sobrepeso pode matar

Problemas cardíacos, diabetes e câncer são apenas algumas das doenças relacionadas ao excesso de peso

12.06.2017 | por Elioenai Paes - Equipe Coração e Vida

Uma pesquisa publicada hoje no periódico The New England Journal of Medicine mostra que mais de dois bilhões de crianças e adultos sofrem com problemas de saúde relacionados ao excesso de peso ou obesidade. Além disso, o estudo aponta que há um aumento de pessoas que morrem em decorrência dessas condições de saúde.

Foto: Shutterstock

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Os pesquisadores descobriram que as mortes podem acontecer mesmo quando essas pessoas não são tecnicamente consideradas obesas.

De quatro milhões de mortes atribuídas ao excesso de peso em 2015, quase 40% aconteceram com pessoas que tinham o Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 30, ou em sobrepeso. Essa nova faixa de risco é caracterizada quando o IMC está entre 25 e 30.

Calcule aqui o seu IMC

De acordo com os autores do estudo, os resultados representam uma crise crescente e global de saúde pública.

“As pessoas que ignoram o aumento de peso fazem isso por seu próprio risco: risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições que ameaçam a vida”, diz Christopher Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

“Essas resoluções de ano novo sobre perder peso deveriam se tornar um compromisso durante todo o ano, para efetivamente emagrecer e evitar ganho de peso futuro”, alerta.

A pesquisa, que envolveu 195 países e territórios de 1980 a 2015, foi divulgada hoje no Fórum Alimentar EAT de Estocolmo, na Suécia, e propõe criar um sistema alimentar saudável e sustentável. Com mais de 2.300 colaboradores em 133 países, o estudo examinou mais de 300 doenças e problemas relacionados ao excesso de peso.

A pesquisa incluiu análises de outros estudos sobre os efeitos dos quilos a mais e as ligações com vários problemas de saúde. Doenças como câncer de esôfago, cólon, reto, fígado, vesícula biliar, pâncreas, mama, útero, ovários, rins, tireoide e até mesmo leucemia foram analisados durante o período.

De acordo com Murray, o instituto fez uma parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na busca de dados e conhecimentos especializados. O objetivo, segundo ele, é aumentar a compreensão coletiva sobre a epidemia de doenças relacionadas ao excesso de peso.

Década da Nutrição

A ONU criou a “Década de Ação pela Nutrição”, iniciativa que deve transcorrer entre 2016 e 2025 e busca erradicar a fome, acabar com a desnutrição, sobrepeso ou obesidade, além de reduzir a relevância de doenças não transmissíveis relacionadas à dieta em todas as faixas etárias.

O Brasil foi o primeiro país a assumir o compromisso em deter o aumento de peso.

Só em 2015, o excesso de peso atingiu 2,2 bilhões de crianças e adultos pelo mundo. Esse número representa 30% da população mundial e inclui quase 108 milhões de crianças e mais de 600 milhões de adultos com IMC maior que 30, que vai além do sobrepeso e representa a obesidade.

A prevalência de obesidade duplicou desde 1980 em mais de 70 países e aumentou de forma contínua na maioria das outras nações. Embora a prevalência de obesidade infantil tenha sido menor do que a de adultos, a taxa de aumento em crianças foi maior do que a de adultos em muitos países.

Entre os 20 países mais populosos, o maior nível de obesidade em crianças e adultos jovens está nos Estados Unidos (13%). A China e a Índia apresentaram o maior número de crianças obesas em 2015. Já entre adultos, o Egito encabeçou a lista com 35%. As taxas mais baixas foram vistas em Bangladesh e no Vietnã, com 1%.

“O excesso de peso corporal é um dos problemas mais desafiadores em saúde pública de nosso tempo e afeta praticamente uma pessoa a cada três”, explica Ashkan Afshin, professor assistente de Saúde Global no Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington e autor principal do estudo.

Segundo ele, ao longo da última década, foram avaliadas várias intervenções contra a obesidade, mas existem poucas evidências sobre a eficácia delas em longo prazo.

“Nos próximos dez anos, em colaboração com a FAO, vamos monitorar e avaliar o progresso dos países em controlar o sobrepeso e a obesidade”, detalha. “Além disso, compartilharemos dados e descobertas com cientistas, com formuladores de políticas públicas e com outras partes interessadas que procuram estratégias baseadas em evidências para resolver esse problema”, conclui.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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