Coração e Vida | Fatores genéticos podem estar ligados à dependência química

Fatores genéticos podem estar ligados à dependência química

Estado de saúde mental também tem sua influência, diz médico

7.03.2016 | por Milla Oliveira - Equipe Coração e Vida

As drogas lícitas e ilícitas são substâncias de origem natural ou química capazes de alterar o sistema nervoso e produzir diferentes efeitos no organismo. Esses efeitos podem ser de natureza curativa, relaxante, alucinógena ou anestesiante, mas o uso crônico dessas substâncias é capaz de provocar dependência e todas as consequências que ela acarreta social e fisicamente.

Especial do mês: Dois tipos de droga, inúmeros efeitos
Você sabia… Que a maior parte da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia?

Mas o que leva um indivíduo à dependência química? Existe no cérebro humano uma área responsável pelo prazer, uma espécie de sistema de recompensa, que recebe os estímulos prazerosos e os distribui para todo o corpo. É exatamente nesse ponto que as drogas atuam, provocando sensação de prazer e fazendo com que a pessoa repita seu uso em uma busca eterna por aquele bem-estar que experimentaram.

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

O psiquiatra Ricardo Amaral, do Programa de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, falou ao Coração & Vida sobre como o processo de dependência se inicia no organismo. Segundo ele, nem sempre um primeiro contato pode levar a um uso mais duradouro de drogas.

“A relação que uma pessoa estabelece com uma substância pode mudar ao longo do tempo. Primeiro, elas procuram uma droga porque ficam sabendo que pode trazer benefícios, bem-estar e isso a atrai para o uso, o que pode até nem levar à dependência. O maior risco no começo é que se tenha quadro de intoxicação por uso agudo. Contudo, em algumas condições, a pessoa vai progredir para um uso mais pesado. Um dos motivos que levam à dependência é que, progressivamente, a quantidade passa a não fazer efeito e a pessoa vai usando mais, porque desenvolve tolerância e precisa aumentar a quantidade.”

O médico avalia que essa diferença com que certas pessoas encaram as drogas tem relação com o perfil de cada uma delas. Alguns indivíduos, por exemplo, sentem rapidamente o efeito do álcool e, por isso, acabam bebendo pouco. Outros têm maior tolerância e acabam ingerindo quantidades maiores e isso também vale para outros tipos de drogas.

“Esses fatores estão associados a risco genético. Têm famílias com perfil de risco maior para dependência.” Outros aspectos também estão envolvidos no desenvolvimento de uma dependência química, como as condições de saúde mental e o gosto por novas experiências. “Depressão e quadros psiquiátricos graves aumentam as chances de alguém se interessar por drogas. Além disso, algumas personalidades gostam mais de correr riscos, de ter experiências novas e fortes emoções”, ressalta Amaral.

As consequências da dependência, no entanto, não são pequenas. O INSS calculou que, em média, 125 pessoas são afastadas do trabalho por dia em todo o país por problemas de saúde decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

“Ao longo do tempo, o dependente químico vai perdendo diversas fontes de prazer, dando preferência a circunstâncias em que se pode usar a substância, então vai deixando outras atividades, até mesmo o trabalho. Progressivamente, ele experimenta mal-estar quando diminui ou interrompe o uso, a chamada síndrome de abstinência”, explica o psiquiatra.

Com relação à saúde, os danos também podem ser graves. “A pessoa pode experimentar uma série de prejuízos físicos variados, como quadros depressivos, psicóticos, ansiosos e problemas em diversas áreas do organismo, circulatórios, cardiovasculares, respiratórios, digestórios, de movimento e coordenação motora. Então, são muitos os problemas que podem surgir com o uso crônico de drogas.”

Drogas na adolescência

Uma preocupação dos profissionais de saúde é com o início do uso de drogas ainda na adolescência.

Um grupo de estudiosos do centro de saúde mental da Universidade do Texas afirmou que, após analisar 42 usuários recorrentes de maconha, a conclusão é que a idade em que se inicia o consumo pode dizer muito sobre os efeitos de longo prazo no cérebro.

Pessoas que começam a usar drogas com 16 anos ou menos podem sofrer perda de desenvolvimento no córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pelo julgamento, o raciocínio e o pensamento complexo, segundo a pesquisa.

“A relação que se estabelece com alguma substância acontece ainda na adolescência, que também é uma fase crítica de relacionamento com a família”, finaliza Ricardo Amaral.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Deixe seu comentário

1 comentário

  1. Míriam Pinheiro disse:

    Mais divulgação na mídia desses malefícios que as drogas causam,seria muito importante.As pessoas sabem.Mas alguns desafiam.Colocando sua vida em riscos.Quase sempre as consequências são devastadoras.A dependência de algo,Já fica evidentemente que não será fácil pra ninguém.Não precisamos de droga pra ser FELUZ!

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.
* Campos obrigatórios.

Esse site é melhor visualizado no modo Portrait.

Esse site é melhor visualizado no modo Landscape.