Coração e Vida | Fique atento aos riscos do hand spinner, brinquedo da moda - Coração e Vida

Fique atento aos riscos do hand spinner, brinquedo da moda

Conhecido também como girador de mão, acessório não é recomendado para crianças menores de seis anos

26.07.2017 | por Elioenai Paes - Equipe Coração e Vida

É difícil andar pelas ruas de comércios populares e não encontrar ao menos uma dúzia de locais que vendam hand spinners, a mais recente novidade para entreter crianças e adultos. Com três pontas arredondadas que giram incessantemente, esse brinquedo é desaconselhado pela ONG Criança Segura, pelos riscos que pode trazer às crianças.

“A Criança Segura não recomenda o uso dos hand spinners pelo alto risco de sufocação. As peças redondas que compõem o produto podem se soltar e a criança engolir”, alerta Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da Criança Segura. “Desde que o brinquedo virou moda, já há vários relatos de acidentes com crianças.”

Foto: Shutterstock

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Há ainda outro agravante: por ser considerado um brinquedo, o Inmetro divulgou nota informando que esses produtos não são recomendados para menores de seis anos, e que eles só poderiam ser comercializados com o selo do Inmetro – o que não acontece em muitos modelos.

Gabriela ressalta que o principal risco é o de sufocação. “Hoje é a terceira principal causa de morte acidental de crianças de zero a 14 anos no Brasil. Somente em 2015 foram 810 casos. Ao analisar a evolução dos dados de acidentes fatais de 2001 até 2014, percebemos que enquanto as mortes por acidentes como um todo diminuíram cerca de 30%, aquelas causadas por sufocação aumentaram 7%”, preocupa-se.

Spinner relaxa?

Um dos apelos para a venda dos giradores de mão é que eles teriam poder no estresse e poderiam até ajudar crianças com distúrbios de atenção. Será verdade?

De acordo com a psicóloga Rosangela Correa, da Clínica Equilybra Psicologia, não há estudos que comprovem que o brinquedo possa fazer essa mágica, mas que eles podem, sim, ajudar em alguns casos.

“O que pode acontecer é aumentar o interesse de uma criança ou adulto autista sobre o brinquedo, já que eles gostam desses movimentos repetitivos. Mas é só se eles gostarem dos brinquedos, já que isso pode ser promovido com qualquer outra coisa, como um tambor, por exemplo. Não tem como afirmar que o hand spinner melhora”, explica.

Rosangela afirma que o mesmo acontece nos casos de Distúrbio de Atenção (DDA). “A criança fica focada no momento que está brincando, mas não há nada nisso que beneficie o DDA.”

A psicóloga explica que o hand spinner foi criado para aliviar o estresse e a ansiedade, mas desde que ele não vire um vício.

“Já vimos relatos de escolas que os alunos só querem ficar brincando e não estudam. Tudo o que é demais é ruim.”

O hand spinner pode até diminuir a mania de crianças que roem unhas. “Em vez de ficar com a mão na boca, vai ficar com o brinquedo. O problema, porém, é se a criança transferir um vício para outro. Se ela não para de brincar com o hand spinner, vai trocar um problema pelo outro”, alerta, ressaltando que a supervisão dos pais nesses casos é fundamental, já que é uma ansiedade que deve ser tratada.

“É preciso descobrir por que a criança está ansiosa a ponto de roer as unhas, por que está nervosa.”

No caso de adultos, que têm mais responsabilidade, o hand spinner pode aliviar o estresse naquele momento.

“Mas não é um tratamento, não vai melhorar o estresse para a vida. É apenas momentâneo”, explica.

O mecanismo pelo qual o hand spinner atua, nesse caso, é a distração. “O estresse é causado por vários motivos, e se a pessoa fica repetindo o mesmo movimento por alguns momentos, ela esquece um pouquinho e dá uma distraída. Mas os problemas não resolvidos continuam lá”, alerta.

De acordo com a psicóloga, o ideal é procurar um terapeuta que ajude a pessoa a criar estratégias para resolver os problemas e, assim, mandar o estresse efetivamente embora.

Ofereça um brinquedo seguro

Para não se deixar seduzir por modismos ou por qualquer brinquedo diferente que apareça no mercado, há regras a seguir para escolher um acessório seguro.

De acordo com a ONG Criança Segura, o ideal é que se considere, em primeiro lugar, a idade da criança, o interesse dela com o brinquedo e o nível de habilidade para manuseio.

“É preciso também seguir as recomendações do fabricante e procurar brinquedos com selo do Inmetro”, recomenda Gabriela.

Além disso, ela ressalta que brinquedos para crianças maiores podem ser perigosos para menores e, por isso, devem ser guardados separadamente.

“É importante inspecionar regularmente os brinquedos à procura de danos que podem resultar em algum acidente enquanto a criança os manuseia, observar se alguma parte pequena pode ser soltar e se existem pontas afiadas ou arestas”, diz.

Se encontrar algum problema, é necessário consertar o brinquedo imediatamente ou mantê-lo fora do alcance da criança.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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