Glúten e lactose: novos vilões alimentares?

Entenda como e de que forma a substituição desses alimentos pode proporcionar uma dieta mais saudável

9.02.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

As pessoas estão cada vez mais preocupadas em manter uma alimentação equilibrada, incluindo alimentos saudáveis e buscando não apenas a perda ou manutenção do peso, mas também uma melhor qualidade de vida.

Com isso, comidas antes indispensáveis no dia a dia começam a perder espaço, como o pão e o leite, por exemplo, dando lugar a dietas como a sem lactose ou glúten. No entanto, será que cortar esses ingredientes do cardápio é realmente saudável e indicado para todos?

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Foto: Shutterstock

De tempos em tempos, alimentos são alavancados a estrelas ou vilões da alimentação, quando, na verdade, mais importante do que apostar em dietas restritivas é buscar o equilíbrio e a diversidade nos alimentos.

A equipe do Coração & Vida conversou com a nutricionista Paula Hertel para entender em que casos esses dois ingredientes devem ser substituídos e como e a quem a retirada deles da dieta pode realmente beneficiar. Confira!

Deixar de consumir alimentos com glúten ajuda a emagrecer

Tirar o glúten pode emagrecer nos casos das pessoas que realmente têm sensibilidade a esse nutriente. Nas demais, pode até ajudar, mas vai depender muito de como essa substituição será feita. “Nas dietas sem glúten, as pessoas acabam restringindo pão, massas, doces e bolos, e a exclusão desses alimentos auxilia na perda de peso, já que são itens refinados, ricos em açúcar. Porém, se uma pessoa deixa de consumir glúten, mas passa a consumir alimentos industrializados sem glúten, com farinhas refinadas (farinha de arroz branco, por exemplo) e açúcares, muito provavelmente isso não vai favorecer o emagrecimento”, explica Paula.

Apenas celíacos devem cortar o glúten da dieta

Existem algumas pessoas que apresentam sintomas como dor, distensão abdominal, dor de cabeça, fadiga, diarreia ou erupção cutânea em resposta à ingestão de alimentos que contêm glúten, sendo que esses sintomas desaparecem com a remoção desses alimentos da dieta. “Esse quadro hoje é denominado como sensibilidade ao glúten não celíaca, quando o diagnóstico de doença celíaca ou de alergia ao trigo já foi descartado”, esclarece a nutricionista.

Vantagens de substituir o glúten na alimentação

Pode ser benéfico quando substituído por alimentos naturais, como tubérculos, e raízes, como mandioca, abóbora e batata doce. “Quanto menos industrializada for a alimentação, menos aditivos químicos estaremos consumindo e maior será o aporte de nutrientes”, orienta a especialista.

Dietas restritivas a lactose

Não há ainda evidências científicas que indiquem benefícios da restrição da lactose por todo mundo, nem que contribuem significativamente para o ganho de peso, sendo mais indicada para quem realmente apresenta intolerância ao nutriente.

Problemas intestinais relacionados ao uso de produtos com lactose

Os principais sintomas da intolerância à lactose são intestinais. Porém, indivíduos com disbiose, que é um desequilíbrio na flora intestinal, ou doenças inflamatórias intestinais podem apresentar uma intolerância à lactose temporária já que são condições que afetam a integridade da mucosa intestinal.

Pessoas com intolerância à lactose devem parar de tomar leite

“Pessoas com intolerância podem consumir leite sem lactose ou parar de consumi-lo, desde que a alimentação esteja balanceada em cálcio e proteínas, por exemplo”, alerta Paula.

Derivados do leite não são a única fonte de cálcio

O cálcio pode ser encontrado em muitos outros alimentos, em alguns casos até mesmo em maior quantidade. Vegetais escuros como, por exemplo, brócolis, couve, mostarda e rúcula são ótimas fontes de cálcio. “Gergelim também, podendo ser utilizado na forma de semente ou de pasta, como o tahine”, exemplifica a especialista.

Quem se beneficia com a retirada do glúten e da lactose da alimentação?

“É possível sim retirar ou reduzir esses alimentos da dieta, porém só terá benefícios para as pessoas com intolerância ou sensibilidade ou nos casos em que as pessoas reduzirem o consumo de alimentos processados e ultraprocessados com a retirada desses alimentos”, esclarece a nutricionista.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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