InCor celebra 40 anos com maturidade e motivos para comemorar

Cenário de capítulos importantes da história nacional, instituição está hoje entre as sete do mundo em números de transplantes de órgãos

17.02.2017 | por Coração e Vida

Instituições, diferentemente dos seres humanos, não envelhecem e morrem. Nascem e amadurecem. É o caso do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que chega aos seus 40 anos, em 2017, com sinais de maturidade e motivos de sobra para comemorar.

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As celebrações tiveram início nesta sexta-feira, dia 17, com a abertura do evento “Na Fronteira do Conhecimento – Formando Pessoas e Produzindo Ciência”, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

Centro de pesquisas, de excelência no tratamento de doenças cardiovasculares, o InCor é também a esquina onde a política e a medicina se encontram.

Ao longo de sua história, foi e continua sendo um hospital de referência para a população em geral, políticos, autoridades e personalidades do meio artístico, cultural e social. O hospital foi o cenário de capítulos importantes da história nacional. No InCor, o presidente eleito Tancredo Neves passou os últimos dias de sua vida e foi escrita uma importante página de redemocratização do País.

Abertura das comemorações pelos 40 anos do InCor - Foto: Coração & Vida

Abertura das comemorações pelos 40 anos do InCor – Foto: Coração & Vida

Ao InCor, recorria o então presidente da República José Sarney. E recorrem hoje milhares de cidadãos em busca de diagnóstico e tratamentos avançados, alguns desenvolvidos no próprio hospital. A instituição já realizou mais de mil transplantes de órgãos e salva centenas de vidas, realizando o sonho daqueles que construíram a filosofia de trabalho do InCor, como os professores Fúlvio Pileggi, Adib Jatene e Eurípedes de Jesus Zerbini.

“O InCor é um dos maiores centros de ensino e pesquisa e assistência em doenças cardiovasculares e pulmonares do mundo. Mas o principal: sou filho do InCor, são 31 anos de InCor. É a minha primeira casa”, definiu o diretor de cardiologia da instituição, Roberto Kalil Filho.

Cirurgião cardiovascular e torácico e vice-presidente do conselho diretor do InCor, Fabio Jatene destacou que a força do instituto está nos seus colaboradores e funcionários. “Sinto um orgulho enorme de pertencer ao InCor e ao Hospital das Clínicas.”

A 3ª edição do evento “Na Fronteira do Conhecimento – Formando Pessoas e Produzindo Ciência” segue até amanhã, com a participação de diversos palestrantes nacionais e internacionais.

O evento tem como objetivo atualizar o público a respeito de práticas assistenciais pioneiras nas áreas de Cardiologia, Pneumologia e Cirurgias Cardiovascular e Torácica.

Transplantes

O InCor está hoje entre as sete instituições do mundo em números de transplantes de órgãos.

Desde o primeiro transplante realizado no hospital, em 1985, foram 1.134 procedimentos até fevereiro de 2017.

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

A organização das equipes médicas, por meio do Núcleo de Transplantes do InCor, foi fundamental para o resultado alcançado, além do suporte da Secretaria de Saúde de São Paulo, que disponibilizou equipes multidisciplinares e helicópteros para o rápido transporte dos órgãos dentro do Estado.

Criada em 2013 como uma área focada exclusivamente em transplantes, a unidade reuniu num mesmo processo de gestão todas as equipes envolvidas neste tipo de procedimento: cirúrgica, clínica e multiprofissional de transplantes de coração e pulmão, adulto e infantil.

Segundo Kalil, a instituição poderia fazer ainda mais transplantes caso houvesse mais doadores de órgãos no país.

“Dispomos das mais modernas técnicas para o sucesso da operação, além de helicópteros para o rápido transporte dos órgãos, em intercâmbio com a Secretaria de Saúde de São Paulo. Temos estrutura para isso, o problema é o doador. Há doadores, mas precisamos de mais”, afirmou.

No início de julho de 2016, o então presidente em exercício, Michel Temer, assinou um decreto estabelecendo que a Aeronáutica colocasse um jato à disposição dos transplantes. Antes da publicação do decreto, a FAB havia realizado apenas cinco transportes de órgãos no Brasil.

Livro

livroincor

Livro sobre os 40 anos do InCor

Como parte das celebrações, a enfermagem lançou um livro comemorativo de 40 anos, com 200 páginas, distribuídas em 12 capítulos, sobre a história da formação da equipe, desde os primeiros passos até a estrutura atual da área.

Esse percurso é contado por meio de 30 depoimentos e 150 ilustrações, que se somam à pesquisa de documentos e referências institucionais.

No lançamento do livro, o presidente da Fundação Zerbini (que contribui para a manutenção e aprimoramento da estrutura de atendimento do InCor, José Antonio de Lima, expressou seu encanto pela instituição.

“Eu realmente me encantei por essa instituição logo que a conheci, porque aqui não se vê a diferença de quem é atendido por recursos públicos ou privados. Todos são tratados com muito carinho e excelência médica.”

Para o diretor executivo do Incor, Edison Tayar, o livro resgata de forma marcante um traço cultural bastante importante na estruturação da excelência do Incor.

“Eu costumo dizer que o Incor é um hospital do SUS que deu certo. Nós somos exemplo”, disse. “Isso porque o Incor tem um modelo de gestão que permitiu que seu corpo profissional se vinculasse, vestisse a camisa e se institucionalizasse na casa.”

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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1 comentário

  1. Danielli disse:

    Há 36 anos atrás, quando eu tinha 12, fui submetida a uma cirurgia de coarctação da aorta no Incor e tenho profunda gratidão por todos esses anjos que cuidam diariamente de pessoas entre a vida e a morte. Hoje, sou casada e mãe de uma linda moça de 20 anos e tenho uma vida saudável. Desejo toda a felicidade do mundo para essas pessoas, desde os funcionários da faxina até o diretor do hospital. Que Deus os abençoe imensamente.

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