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Incor encerra 2017 com recorde de transplantes de coração e pulmão

Instituição está hoje entre as sete do mundo em números de procedimentos

14.12.2017 | por Coração e Vida

Motivos há de sobra para comemorar. O Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, fecha 2017 com um recorde que salvou ainda mais vidas: 100 transplantes no ano, nos quais 66 foram de coração e 34 de pulmão. Até hoje, a instituição já fez 1.229 procedimentos desde que o primeiro transplante de coração foi realizado no mundo, há 50 anos.

O número reflete o aumento da capacidade de atendimento do hospital, que é considerado o maior centro transplantador de coração e pulmão no Brasil, além de o 7º no ranking de transplantes de coração em adultos no mundo. Atualmente, há 113 pessoas que aguardam novos órgãos no Incor,  para seguirem suas vidas por muitos anos.

Para comemorar o recorde de transplantes em 2017, a instituição promoveu nesta quinta-feira (14) a Festa do Núcleo de Transplante do Incor. Pacientes transplantados foram a estrela da festa, como um violonista de apenas 11 anos transplantado de coração que dividiu o palco com uma transplantada de pulmão.

Paulo Henrique Gonçalves Lima foi diagnosticado com miocardiopatia restritiva aos seis anos. Depois de dois anos de tratamento e meses na fila de espera para o transplante, o menino ganhou o coração há um ano e meio. Desde então, pode realizar muitos sonhos de criança, como pular em uma piscina e tomar um sorvete.

Já Anivair Vieira Bittencourt, de 53 anos, foi diagnosticada há 14 anos com fibrose cística, que a permitiu usar apenas 13% da sua capacidade pulmonar. Em outubro de 2009, entrou na fila de transplantes e, sete anos depois, em uma das fases mais críticas da doença, recebeu um pulmão compatível com seu corpo. Hoje, pode respirar fundo e caminhar, uma das coisas que mais gosta de fazer.

Confira a seguir algumas dúvidas mais frequentes sobre a doação de órgãos:

Quem pode e quem não pode ser doador de órgãos e tecidos?

Todos podemos ser doadores de órgãos desde que não sejamos portadores de doenças transmissíveis (Aids, por exemplo), de infecções graves e de câncer generalizado. Não podem ser doadores as pessoas com doenças infecciosas incuráveis e câncer generalizado, ou ainda as pessoas com doenças, que pela sua evolução, tenham comprometido o estado dos órgãos. Também estão excluídos do direito de doar as pessoas sem identidade, ou menores de 21 anos sem a autorização dos responsáveis.

Quais as partes do corpo que podem ser doadas para transplante?

As mais frequentes são rins, pulmões, coração, fígado, córneas e válvulas cardíacas. As menos frequentes, rim e pâncreas juntos. Fora do Brasil também são feitos transplantes de estômago e intestino. É possível também transplantar pele e ossos, e até mesmo uma parte completa, como a mão.

Existe limite de idade para ser doador ou receptor?

O que determina o uso de partes do corpo para transplante é o seu estado de saúde. Em geral, aceita-se os seguintes limites, em anos: rim (75), fígado (70), coração e pulmão (55), pâncreas (50), válvulas cardíacas (65), córneas (sem limite), pele e ossos (65).

Eu quero ser doador(a). O que devo fazer?
A atitude mais importante é comunicar à família e aos amigos este desejo, pois pela legislação atual todos nós podemos ser doadores, desde que a família autorize a retirada dos órgãos. Por isso, é muito importante que seus amigos e familiares saibam da sua opção de doar. Use um símbolo (um selo de doador, por exemplo) que indique claramente esta opção em seu documento de identidade.

Quando podemos doar?

A doação de rim, medula óssea ou parte do fígado pode ser feita em vida. Mas em geral nos tornamos doadores quando ocorre a morte encefálica. Tipicamente ocorre morte encefálica em pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc.) e continuam com seus outros órgãos em perfeito estado de funcionamento.

A morte encefálica pode ser diagnosticada em qualquer hospital?

Em princípio sim, porque o diagnóstico básico é clínico e deve ser feito por neurologistas. Contudo, alguns hospitais não têm condições de complementar esse diagnóstico com um exame laboratorial, como a lei exige. Entretanto, desde que haja necessidade, uma equipe médica e equipamentos podem ser deslocados de um hospital para outro.

Há chance de os médicos errarem no diagnóstico de morte encefálica?

Não. Se for seguido o protocolo, que está muito bem documentado, a chance de erro não existe.

É possível o diagnóstico de morte encefálica apenas com um exame clínico?

Sim, o diagnóstico é clínico, mas pela legislação brasileira este diagnóstico deve ser confirmado com outro método de análise: eletroencefalograma ou angiografia cerebral, entre outros. Em alguns países, essa exigência não existe.

Quem retira os órgãos de um doador?

Desde que haja um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe com treinamento específico para este tipo de procedimento. Depois disso, o corpo é devidamente recomposto e liberado para os familiares.

Como fazer para um familiar falecido se tornar doador?

Um dos membros da família pode manifestar o desejo de doar os órgãos ao médico que atendeu o familiar, ou à administração do hospital, ou ainda entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomará as providências necessárias. Se a sua família quer mesmo adotar esta atitude de doação, aconselha-se que insista com a equipe médica do hospital para que as providências sejam tomadas.

Se for tomada a decisão de doar os órgãos de um familiar, quanto isso vai custar?

A família de um potencial doador não paga pelos procedimentos de sua doação. Existem coberturas do SUS para este procedimento. A maioria dos planos privados de saúde não cobre este tipo de procedimento.

Tenho um familiar em lista de espera por um transplante. Sou compatível com ele. Se eu morrer, posso ser o seu doador?

Não. Os seus familiares não podem escolher o receptor. O receptor será sempre indicado pela Central de Transplantes com base apenas em critérios de compatibilidade e de urgência do procedimento.

Como sei se um familiar ou amigo pode doar para mim?

Se você precisa de um rim, medula óssea ou parte do fígado, um familiar ou amigo pode ser doador. Antes da doação, no entanto, eles devem ser submetidos a uma bateria de exames de compatibilidade, sempre sob a orientação de médicos, para determinar esta possibilidade.

Uma pessoa é doadora e vem a falecer. Se quando chegar ao hospital não encontram seus documentos, nem os seus familiares, seus órgãos podem ser retirados para transplantes?

Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos, sem autorização dos responsáveis, não são consideradas doadoras.

Quem faz transplante no Brasil?

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, existem no Brasil cerca de 400 equipes médicas cadastradas para realizar transplantes de órgãos.

Como funciona o sistema de captação de órgãos?

Se existe um doador em potencial (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc., com autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos), a função vital dos órgãos deve ser mantida. É realizado o diagnóstico de morte encefálica. Seguem-se então as seguintes ações:

– O hospital notifica a Central de Transplantes sobre um paciente com morte encefálica (potencial doador);

– A Central de Transplantes pede confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento;

– A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (Equipes de Transplante) onde eles são atendidos;

– As Equipes de Transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio, etc.);

– Os órgãos são retirados e o transplante realizado.

Fonte: Ministério da Saúde

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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