Inverno e doenças cardíacas

8.07.2016 | por Coração e Vida

Por Luiz Antonio Machado César

Luiz Antonio Machado César é professor associado de Cardiologia da FMUSP e diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do InCor

Luiz Antonio Machado César é professor associado de Cardiologia da FMUSP e diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do InCor

É de muito tempo, há mais de 50 anos, que especialistas em todo o mundo observam o aumento da mortalidade por doença cardiovascular durante o inverno. A relação entre mortes e fatores meteorológicos, inclusive com a poluição atmosférica, é verificada em diversas cidades do mundo. Em São Paulo, nossos estudos com Rodolfo Sharovsky, são exemplos.

Em temperaturas mais frias, com médias diárias abaixo de 14ºC, ocorre um aumento de até 30% nos casos de morte por infarto do miocárdio. O clima frio desencadeia também outras doenças cardiovasculares, como acidente vascular cerebral, angina e arritmias cardíacas. Pessoas que apresentam colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, tabagistas e idosos, especialmente com idade acima de 65 anos, são as mais vulneráveis.

Especial do mês: Doenças respiratórias: o mal do inverno
Você sabia… Que o número de infartos aumenta 30% no inverno?

A exposição intensiva ao frio pode acarretar o aumento da pressão sanguínea, enquanto que os níveis de poluição afetam a variabilidade da frequência cardíaca, podendo causar arritmias.

Outro fator que merece atenção é a variação súbita da temperatura. Conhecido como choque térmico, a transição de um ambiente muito aquecido para um lugar mais frio pode desencadear alterações cardíacas.

A poluição também é agravante, pois o sistema de defesa do organismo se reduz pela presença das partículas poluentes nas vias respiratórias e pulmão, tornando-o mais suscetível a infecções. Além disso, este choque térmico costuma desencadear episódios de angina do peito, naqueles que já são portadores de doença coronária. Ou então, nos que ainda nunca sentiram problema, podem começar os sintomas com a angina, após exposição a este contraste térmico, como sair de local quente para a rua em dia frio e especialmente com ventos.

Alguns mecanismos têm sido elucidados, como uma espécie de reação em cadeia. Por exemplo, com uma infecção, o nosso organismo fica em estado maior de inflamação, e isto piora a inflamação das placas de aterosclerose, propiciando maior chance de haver rupturas e infarto do miocárdio. Tanto que, ao se vacinar contra a gripe no outono, reduz-se a taxa de infarto do miocárdio no inverno, especialmente nos idosos.

No frio, os receptores de temperatura de nossa pele são estimulados e enviam a informação ao cérebro, que por sua vez deflagram a liberação de adrenalina e noradrenalina, este último um hormônio responsável por contrair os vasos sanguíneos.

Com o consequente estreitamento dos canais de circulação do sangue, embora não tão significativo, nas pessoas que tem a doença coronária, pode gerar rupturas de placas de aterosclerose, no interior das artérias coronárias, que irrigam o coração. Neste processo, as plaquetas do sangue tentam cicatrizar essa área exposta da artéria, e na verdade acaba havendo a formação de um coágulo no local, o que pode levar ao infarto do miocárdio.

O mesmo pode ocorrer em artérias do cérebro levando a isquemias cerebrais, o popular derrame. Se não houver ruptura de placa, mas houver constrição dos vasos, pode se desencadear angina, pelo frio.

E não podemos nos esquecer, especialmente em cidades como São Paulo, que no inverno a inversão térmica provoca maior acúmulo de poluentes, que não se dispersam, e a poluição por si só já contribui para mais infarto, mais derrames cerebrais e mais arritmias cardíacas.

Dicas:

Se você tem mais de 60 anos proteja-se do frio, ele pode fazer mal ao seu coração;

Você é diabético? Tem pressão alta? Evite sair em dias muito frios, principalmente quando estiver em ambientes aquecidos;

Você tem doença no coração e precisa sair no frio? Então proteja-se, use luvas nas mãos e cubra seu rosto quando a temperatura estiver abaixo de 15 graus e, principalmente, se estiver ventando;

Você sempre tem angina quando sai em dias frios? Converse com seu médico se é adequado um nitrato sublingual antes de sair;

O mais importante, a vacina da gripe ajuda a prevenir infarto no inverno. Vacine-se a partir de abril contra a gripe anualmente.

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2 comentários

  1. Luiza Miranda disse:

    Sou obesa (98k e 1,63m), prédiabética (117 ) , pressão variável já chegou a 14 X 8. Gostaria de receber dicas sobre como me preservar de um infarto ou derrame. Aguardo resposta.

  2. Dércio do Carmo disse:

    Eu sofri mais que um mes de frio na zona montanhosa e desde la minha tensao nao baixa, quando passo frio sofro dores, precisamente em baixo do coraçao. Ja estou cancado de estar a tomar cumprimidos todos os dias…. E todas as temperaturas sao perigosas pra mim

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