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Inverno e doenças respiratórias

23.06.2017 | por Coração e Vida

Por Roberto Kalil Filho

Estação mais fria do ano, o inverno iniciou-se oficialmente no dia 21 de junho. No frio, as mudanças repentinas de temperatura, o aumento da poluição no ar, a baixa umidade e o contato com ácaros de roupas guardadas são os principais motivos que propiciam o desenvolvimento das doenças respiratórias.

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Artigo: Inverno e doenças respiratórias

Você sabia… Que as doenças comuns no inverno podem ser evitadas com alguns cuidados básicos?

As enfermidades mais frequentes nessa estação são gripe, resfriado, rinite alérgica, sinusite, asma e bronquite. Ambientes fechados facilitam a transmissão de agentes como o vírus, o que propicia ainda mais a propagação dessas doenças.

O cardiologista Roberto Kalil Filho - Foto: Roberto Setton

O cardiologista Roberto Kalil Filho – Foto: Roberto Setton

A população mais atingida, geralmente, são os idosos e as crianças. Idosos por terem imunidade mais baixa ou já possuírem doenças respiratórias crônicas, como enfisema e bronquite. Já as crianças, além da imunidade baixa, convivem, frequentemente, em creches, cuja contaminação se torna prevalente por se tratar de ambiente fechado e o pelo próprio convívio de crianças sadias com crianças infectadas.

A vacina contra a influenza é segura e também é considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza.

A vacinação é obrigatória nos pacientes com asma, doenças cardiopulmonares crônicas, doenças renais e/ou imunodeficiências. Felizmente, nesse mês de junho, o Ministério da Saúde orientou a liberação de vacina para todas as faixas etárias. Como o organismo demora, em média, de duas a três semanas para desenvolver os anticorpos que protegem contra a gripe, o ideal é realizar a imunização o quanto antes.

Mesmo pessoas vacinadas, ao apresentarem os sintomas da gripe – especialmente se integrarem o grupo mais vulnerável às complicações –, devem procurar imediatamente o médico.

Dicas importantes para prevenir as doenças respiratórias são sempre deixar o ambiente ventilado, lavar as mãos durante o dia com frequência, beber bastante água, cobrir a boca e o nariz ao espirrar, evitar acúmulo de poeira em casa e evitar contato com pessoas com infecção respiratória.

Em relação às doenças cardiovasculares, durante o inverno, o número de infartos e AVC aumenta em 30% e 20%, respectivamente. Isso ocorre porque o organismo, com o objetivo de elevar a temperatura interna, contrai os vasos sanguíneos que irrigam a pele (por isso mãos, pés, nariz e orelhas ficam gelados), e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue.

Aliado a esse fato, as pessoas bebem menos água no frio e desidratam mais facilmente, deixando o sangue mais viscoso e mais fácil de coagular, o que aumenta a suscetibilidade a eventos trombóticos como infarto e derrame cerebral.

Idosos, hipertensos, diabéticos, dislipidêmicos, obesos, fumantes e sedentários precisam redobrar o cuidado no inverno e, mesmo quem não pertence a esses grupos de risco, evitar exposição prolongada ao frio, ambientes fechados e o choque térmico decorrente da queda brusca de temperatura.

* Roberto Kalil Filho, cardiologista, é professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor de cardiologia do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital Sírio-Libanês.

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