Coração e Vida | Já ouviu falar (ou viu) sobre as moscas volantes? - Coração e Vida

Já ouviu falar (ou viu) sobre as moscas volantes?

Entenda o que são os pequenos pontos pretos que afligem a visão de muita gente

28.11.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Durante o processo natural de envelhecimento pelo qual todos nós passamos, o vítreo, o fluído gelatinoso que preenche o globo ocular, pode acabar se contraindo e se separando da retina em pequeninos pontos – especialmente depois dos 50 anos.

Não se trata de um dano grave à visão, mas é importante saber o que são as chamadas “moscas volantes” e tudo o que as envolve.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A retina é como se fosse o filme de uma máquina fotográfica que fica na parede posterior do olho. Quando o vítreo se solta, em alguns casos, ele traciona a retina e libera alguns pigmentos dela.

São eles que formam agregados sólidos que ficam boiando no vítreo. E quando esses pontos sólidos passam pelo eixo visual, enxergamos os pontos escuros na visão.

Eles podem assumir várias formas, parecidos com teia de aranha, mosquitos, pedacinhos de lã, etc. Mas, na maior parte das vezes, as moscas volantes não interferem na rotina dos indivíduos. Já quando entram na linha de visão, elas bloqueiam a luz e lançam sombras na retina, causando algum incômodo. E os casos podem se agravar.

Com mais gravidade

“Ao tracionar a retina, o vítreo que está soltando pode forçar excessivamente e rasgar essa retina”, explica Newton Kara José Junior, oftalmologista do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

“Esse rasgo ou buraco pode causar um descolamento de retina – que é grave, pode levar à cegueira e precisa ser tratado com urgência.”

As moscas volantes que o indivíduo vê por muitos anos com pouca ou nenhuma alteração, geralmente, não são graves. Mas, nos casos graves em que ocorre esse rasgo, é preciso ir ao médico imediatamente (até para evitar que se transformem em descolamento de retina com risco de perda parcial ou total da visão).

Quando o oftalmologista constata o problema – primeiro com base nos sintomas de moscas volantes, depois com o exame clínico –, é preciso acompanhar a situação, por cerca de um mês, realizando frequentes exames de fundo de olho para avaliar possíveis mudanças na retina.

A maior chance é de o vítreo se soltar e deixar a retina intacta, segundo o Dr. Kara.

“Mas existe o risco de, nessa fase de soltura, formar um buraco na retina. Se for assim diagnosticado, o oftalmologista deve proceder com tratamento com laser ou cirurgia para evitar a perda da visão.”

O importante é que, sempre que enxergar subitamente pontos escuros ou raios de luz, o paciente procure rapidamente o oftalmologista para realizar exames. Sem que o olho seja examinado por um especialista, não é possível determinar se as moscas volantes são indícios de problemas graves.

Elas podem, sim, atrapalhar a clareza da visão – e podem ser muito irritantes no dia a dia, especialmente quando a pessoa está lendo ou fazendo uma atividade mais minuciosa. Mas se o oftalmologista concluir que elas não são um problema mais sério, não é necessário qualquer tratamento (nem mesmo uso de colírios, o que nunca deve acontecer sem prescrição médica).

Com o passar do tempo, as moscas em geral diminuem e tornam-se menos irritantes. E, com sorte, até são esquecidas em meio à rotina diária, como meros pontinhos em meio a tantos olhares.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.
* Campos obrigatórios.

Esse site é melhor visualizado no modo Portrait.

Esse site é melhor visualizado no modo Landscape.