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Jejum intermitente: vale a pena?

Passar fome propositalmente é um estilo alimentar em alta, mas é preciso saber mais sobre isso antes de apenas suspender a alimentação

9.05.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Perda de peso, melhorias no metabolismo, até mesmo um ganho na expectativa de vida. Não é à toa que o chamado jejum intermitente – uma suspensão da alimentação que cessa e recomeça em grandes intervalos de tempo – vem sendo muito comentado como “a dieta do momento”. O quanto disso é verdade, é assunto para os especialistas em nutrição.

“Quando feito corretamente, realizado em apenas alguns dias da semana, por um período de tempo adequado a cada pessoa, o jejum traz mesmo um aumento da taxa metabólica em repouso”, explica a nutricionista Paula Hertel, de São Paulo.

Foto: Shutterstock

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No jejum intermitente (chamado mais de “estilo alimentar” do que de dieta) não se trata exatamente de quais alimentos uma pessoa opta por comer, mas de quando ela fará isso. Em geral, o regime consiste em jejuar diariamente por 16 horas ou fazer jejum de 24 horas duas vezes por semana.

Hertel aponta que, sob essa condição, acontece uma reprogramação celular no período de jejum, levando a adaptações de desenvolvimento cognitivo. Resumidamente: jejuar pode acabar melhorando o desempenho neurológico e físico das pessoas de acordo com as pesquisas da área.

Há também, segundo estudos, uma alta na ação do hormônio de crescimento, melhorando a mobilização da gordura corporal (facilitando a perda de medidas), e uma redução no risco de diabetes tipo II (pela redução da resistência à insulina no organismo). Tudo depende de cada indivíduo, logicamente, mas os benefícios parecem realmente ser acentuados nesses pontos.

Essa forma de se alimentar, porém, pede um período de adaptação – e daí ser necessário, sempre, fazer um acompanhamento com um profissional apropriado. Além disso, não podem fazer jejum intermitente pessoas que já usam remédios para diabetes (pelo risco de hipoglicemia) e outros dois grupos em especial.

“Pessoas com tendência à compulsão alimentar e pessoas muito ansiosas não devem tentar esse tipo de regime”, reforça a nutricionista. Segundo estudiosos do jejum intermitente, ele também não deve ser feito principalmente por crianças, adolescentes, idosos e gestantes.

Recentemente, porém, a atriz Deborah Secco causou surpresa ao dizer em uma entrevista que fazia jejum intermitente e ficava sem comer por até 23 horas. O detalhe (chocante para muitos, daí a polêmica) é que ela estava grávida. Especialistas concordam que, pela gestação ser um período de grande demanda nutricional, não é nada aconselhável seguir esse exemplo.

Também não deve entrar nesse tipo de estilo alimentar quem pratica exercícios físicos regularmente – e precisa de uma reposição adequada de nutrientes. De outra forma (se uma pessoa pratica atividade física e não se alimenta normalmente), a chance de hipoglicemia é grande.

A ideia desse tipo de regime não é nova – teria, na verdade, uma inspiração histórica bem longínqua. Durante o período paleolítico, quando os humanos precisavam caçar sua comida, era natural passar dias em jejum, e depois basear quase todo o consumo em proteína e gordura (também um foco de muitos adeptos do jejum intermitente).

Esse é o aspecto “instintivo” do regime, defendido por quem pratica. Mas os especialistas também lembram que, na vida moderna, deve-se levar em conta o nível de estresse do indivíduo e, por exemplo, seus níveis de colesterol. Tudo para que a ideia de se beneficiar do “jejum ancestral” não acabe trazendo efeitos ruins para a saúde no presente.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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