Marcela Temer visita InCor e abraça projeto sobre cardiopatia infantil

Mais de 23 mil crianças nascem com problemas cardíacos todo ano no Brasil

20.03.2017 | por Coração e Vida

A primeira-dama Marcela Temer esteve nesta segunda-feira, dia 20, no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Na ocasião, visitou as unidades de Internação Clínico-Cirúrgica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas de Adulto e a de Terapia Intensiva Cirúrgica e, após conhecer a dura realidade de crianças cardiopatas que estão internadas aguardando cirurgia, decidiu abraçar a causa.

Mais de 23 mil crianças nascem com problemas cardíacos todo ano no Brasil. Desse total, 18 mil precisam de uma cirurgia para corrigir esses problemas.

Essas doenças são conhecidas como cardiopatias congênitas, um defeito na estrutura e função do coração presente no momento do nascimento, segunda maior causa de morte nas crianças abaixo de 1 ano.

“A partir de hoje, essa vai ser uma causa minha, pessoal. Vou ajudar com toda a minha força”, afirmou a primeira-dama, ao se emocionar com o caso do pequeno Samuel, de oito meses, que há cerca de um mês ganhou um coração novo.

O cardiologista Roberto Kalil Filho, diretor do InCor, destacou que a visita de Marcela é um estímulo para as instituições e o início de uma importante parceria para sensibilizar a sociedade sobre o tema.

“Só o InCor realiza 600 cirurgias por ano. A demanda é muito superior e grande parte das crianças que não são operadas morre”, disse o cardiologista.

Segundo Kalil, a expectativa é de que, com o engajamento de Marcela, o poder público abrace essa causa. “A fila de espera é muito grande, precisamos de mais instituições preparadas e especializadas, além de mais recursos. Esperamos conseguir aumentar o número de cirurgias após a iniciativa da primeira-dama.”

Dados do InCor apontam que, há 10 anos, eram realizadas 12 mil cirurgias por ano. Em 2016, esse número caiu para 6 mil.

Alguns fatores de risco podem desempenhar um papel no desenvolvimento da cardiopatia, entre eles hereditariedade, doenças cromossômicas, rubéola e diabetes tipos 1 e 2 na gravidez, além do consumo de álcool, drogas e alguns medicamentos durante a gravidez.

“Alguns defeitos cardíacos congênitos começam a se desenvolver já no útero materno”, afirmou Fabio Jatene, cirurgião cardiovascular e torácico do InCor.

O especialista enfatizou a necessidade do diagnóstico precoce, com o objetivo de evitar problemas graves no futuro.

Entre os sintomas da cardiopatia congênita estão cianose (pele com coloração azulada), falta de ar, pneumonias de repetição, tosse, sudorese ou cansaço para as mamadas (neonatal), tonturas ou desmaios e inchaço do tecido do corpo ou órgãos (edema), por disfunção do músculo cardíaco.

Tipos de cardiopatia

A cardiologista Nana Miúra, da unidade clínica de cardiologia pediátrica do InCor, explica quais são os tipos de cardiopatia congênita:

– Comunicação interventricular (CIV): representada por uma malformação que permite a passagem de sangue do ventrículo esquerdo ao ventrículo direito e pode causar fluxo aumentado nos pulmões;

– Comunicação interatrial (CIA): representada pela passagem de sangue do átrio esquerdo ao átrio direito;

– Persistência do canal arterial (PCA): representada pela permanência de um ducto que permite o desvio de sangue da artéria aorta para a artéria pulmonar. É comum em crianças nascidas prematuramente;

– Estenose pulmonar valvar (EPV): causa obstrução na passagem de sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar;

– Coarctação de aorta (CoAo): representada pelo estreitamento da artéria aorta e causa hipertensão arterial sistêmica;

– Valva aórtica bicúspide: malformação muito diagnosticada que pode dar sintomas na maioria dos casos na vida adulta;

– Tetralogia de Fallot (TF): é uma causa de cianose em crianças (doença do bebê azul). Trata-se de uma associação de quatro malformações, constituídas por comunicação interventricular, estenose pulmonar, hipertrofia do ventrículo direito e dextroposição de aorta (aorta mais à direita).

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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