Campanha incentiva uso de preservativo no Carnaval

Hoje, 827 mil pessoas vivem com HIV no Brasil

21.02.2017 | por Coração e Vida

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (21) uma campanha para incentivar o uso de preservativos, principalmente entre os jovens, durante o Carnaval.

Os postos de distribuição nos estados e no Distrito Federal foram abastecidos com 74 milhões de preservativos masculinos e 3,1 milhões de preservativos femininos.

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Além de prevenir contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a Aids, o uso da camisinha também evita a gravidez indesejada.

Hoje, 827 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. Com o slogan “No Carnaval, use camisinha e viva essa grande festa!”, as peças publicitárias trazem o panorama de 260 mil pessoas que vivem com HIV e não estão em tratamento e também de 112 mil brasileiros que têm o vírus e não sabem.
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Números

Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6% em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013.

“Intensificamos no Carnaval a campanha de prevenção ao HIV/Aids, mas distribuímos camisinhas o ano todo. Este ano, estamos apelando especialmente aos jovens que usem camisinha, façam a testagem e, se infectados, busquem tratamento, que é gratuito e o melhor do mundo”, alertou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Com relação aos ainda mais novos, os dados preocupam ainda mais. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada nas escolas de todo o país com adolescentes de 13 a 17 anos, reforça esse cenário: 35,6% dos alunos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual. O percentual das meninas que tiveram relação sem camisinha é de 31,3%, e dos meninos, é ainda maior: 43,02%. O mesmo estudo aponta que, quanto mais jovem, menor é o uso da camisinha. Enquanto 31,8% dos jovens de 16 e 17 anos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual, esse índice sobe para mais de 40% entre os jovens de 13 a 15 anos.

Uma das justificativas sobre o jovem não ter o hábito de usar camisinha é o fato deles não terem vivido o risco de morte da doença.

“Os mais velhos viram ídolos morrendo de Aids, como Cazuza. Mas, hoje, o tratamento é gratuito e está disponível no SUS. O fato é que as pessoas não estão mais morrendo, embora percam qualidade de vida. Então, é preciso que a população entenda o risco que envolve a transmissão da Aids e se proteja. Queremos evitar que novos casos, todos os anos, se somem aos 800 mil brasileiros que já tem o vírus”, completou Barros.

No Brasil, a epidemia avança na faixa etária de 20 a 24 anos, na qual a taxa de detecção subiu de 15,6 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 21,8 casos em 2015. Entre os mais jovens, de 15 a 19 anos, o índice mais que dobrou, passando de 2,8 em 2006 para 5,8 em 2015.

Outra característica preocupante é que, dentre todas as faixas etárias, a adesão ao tratamento nesse grupo é a mais baixa. Apenas 29,2% dos 44 mil jovens identificados no Sistema Único de Saúde (SUS) com a doença estão em tratamento. Os dados mostram que a cobertura cresce à medida que aumenta a idade das pessoas vivendo com HIV/Aids. Na faixa de 25 a 34 anos, esse percentual é de 77,5%, mantendo-se superior a 80% em todas as outras faixas etárias, até chegar a 84,3% entre os indivíduos acima de 50 anos.

Teste rápido

A evolução tecnológica nos exames laboratoriais já permite a detecção dos anticorpos para o vírus da Aids em um prazo bem curto, de até 30 minutos.

Disponibilizados no Brasil pelo Ministério da Saúde, os testes colhem saliva do paciente ou uma gota de sangue da ponta do dedo. Os exames podem ser feitos gratuitamente e de forma anônima na rede pública.

O teste feito com a gota de sangue fica pronto em meia hora. Já o resultado do teste da saliva, no qual o paciente recolhe uma amostra da mucosa bucal com um bastão, leva de dez a quinze minutos para sair o resultado.

Se o resultado do primeiro teste rápido for positivo, é feito um segundo exame (com reagente) de uma marca diferente para garantir a veracidade do teste.


Revisão técnica

Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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