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Mitos e verdades sobre a temperatura outonal

Quando os dias mais frios se aproximam, começa uma avalanche de clichês. Mas o que é real e o que é mito quanto à influência das variações de temperatura na saúde?

5.06.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

verdade, os termômetros ficam mesmo meio bagunçados durante o outono brasileiro. Muitos já devem ter notado (e reclamado) de dias que começam na casa dos 16⁰C e, não raro, chegam ao meio da tarde já nos 26⁰C ou até mais. Entre as rajadas de vento e o ar condicionado dos locais fechados, o corpo precisa, sim, tomar seus cuidados.

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Entradas e saídas em ambientes climatizados ou mesmo o simples ato de estar em local fechado e sair em campo aberto trazem alguns transtornos à saúde.

A pneumologista Elnara Negri, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que mudanças bruscas de temperatura podem gerar certas consequências.

Foto: Shutterstock

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“Acontece que a queda brusca da temperatura ambiente aumenta o gasto de energia para manter a temperatura corpórea constante”, diz. “O sistema de defesa dos seios da face e pulmão pode, então, sofrer disfunção com a queda da temperatura do ar, pois o muco que protege as vias aéreas é como uma gelatina e endurece no frio.” Isso pode acabar gerando problemas de respiração, por exemplo.

Para acontecer um choque térmico, no entanto, é preciso mais do que mães e avós zelosas tanto temiam. O choque térmico pode ocorrer quando uma pessoa sai de um ambiente quente para um frio ou vice-versa – e, algumas vezes, chega a levar uma pessoa a ter desde arritmias cardíacas até alterações pulmonares.

No entanto, é preciso um choque de temperatura realmente forte para que isso aconteça (afetando mais os idosos ou pessoas com alguma fragilidade do que um adulto saudável). Sair do banho e ir estender uma roupa no varal, por exemplo, nas condições comuns mesmo das estações mais frias, dificilmente causaria um choque térmico.

Mesmo paralisia facial – de novo, como tantas pessoas de mais idade sempre fizeram questão de alertar aos mais jovens – dificilmente acontece. Seria o caso apenas da Paralisia de Bell, que ocorre pelo inchaço ou inflamação dos nervos da face. Mas não se conhece ao certo o motivo da paralisia facial. O que se sabe é que, na maioria das vezes, ela é causada por vírus, sendo o choque quente/frio pouco provável como motivador.

Outro medo constante (e por vezes repetidos por aí) é o de pegar uma gripe ou resfriado devido às mudanças de temperatura. Não acontece exatamente assim.

“O endurecimento da mucosa no frio pode é facilitar a invasão do organismo por vírus e bactérias – os verdadeiros causadores de gripes e resfriados”, diz Elnara.

A impressão de ter mais coriza com as variações também tem explicação. “O nariz tem um sistema de condicionamento de ar controlado pela circulação de sangue na mucosa nasal. Nos dias frios, temos um aumento da circulação de sangue dentro do nariz para umidificar e aquecer o ar, e isso pode causar coriza”, explica a médica.

A situação de temperatura que varia bruscamente também não tem ligação com bebidas: aquele mito de que tomar algo gelado possa causar dor de garganta ou gripe não se comprova. Só em grande excesso pode haver fragilização da mucosa.

Quem já está com sintomas de gripe, esse sim deve ficar atento às mudanças de temperatura. Estar doente e “congestionado” e sair no frio pode aumentar o gasto metabólico, como explicado acima pela pneumologista, e piorar o quadro.

“Você vai pegar uma pneumonia!” Também é muito ouvido, não? Mas, de novo, não se trata disso: a pneumonia é outro mal causado por bactérias e vírus, não pela temperatura de outono. Que é meio maluca, sim, mas causa, na maioria das pessoas, apenas aquele dilema de se vestir para encarar o frio das manhãs contrastando com o calor da tarde.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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