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Não exagere nos corticoides!

Uso do medicamento, sem orientação médica, pode causar catarata e hipertensão arterial, entre outros problemas

3.11.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

A comunidade médica tem ficado cada vez mais atenta com um problema que parece crescer à medida que as pessoas insistem no erro da automedicação: o uso exagerado de corticoides. Como alguns desses medicamentos também podem ser comprados sem receita médica, é comum que as pessoas pratiquem o consumo indiscriminado, sendo surpreendidas posteriormente com problemas cuja origem elas sequer imaginam.

Para quem ainda não associou o nome ao remédio, o corticoide é uma substância que costuma aparecer em remédios anti-inflamatórios, em formatos diversos. É algo semelhante aos hormônios cortisol e aldosterona, que são produzidos pelo próprio corpo humano.

Foto: Shutterstock

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“Em algumas doenças específicas, o glicocorticoide [nome da classe de hormônios], seja oral, inalatório, tópico ou colírio, é muito importante para o tratamento. [Doenças como], por exemplo, lupus, artrite reumatoide, asma, uveítes. Em geral, as doenças autoimunes e inflamatórias crônicas podem necessitar do uso desses medicamentos para seu controle”, explica Érika Bezerra Parente, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês.

A especialista, no entanto, destaca: o corticoide não deve ser usado como analgésico ou para qualquer dor inflamatória, pois pode trazer complicações sérias para a saúde.

Em muitos casos, o médico prescreve ao paciente que faça uso do medicamento com o corticoide em sua fórmula durante, por exemplo, sete dias. O paciente, entretanto, guarda o restante do remédio e o utiliza, de forma indiscriminada, em qualquer situação que ele próprio julgar necessário.

Nunca é demais falar sobre os perigos da automedicação, mas, neste caso, o problema é ainda maior devido aos perigos atrelados ao uso exagerado da substância.

Conforme explica Parente, qualquer corticoide oral, inalatório ou em colírios, pode causar catarata ou glaucoma, dentre outros problemas de menor incidência, mas igual gravidade.

“Cada vez mais as pessoas querem respostas imediatas para determinado problema. […] Os glicocorticoides são potentes anti-inflamatórios. Porém, são esteroidais. São hormônios que, se usados de forma errada, podem causar graves problemas para a saúde, como hipertensão arterial, úlcera gástrica, obesidade, diabetes, alteração de hormônios da tireoide e osteoporose”, complementa.

Portanto, o ideal é ficar atento aos medicamentos prescritos por seu médico, questionando sempre se há algum corticoide em sua fórmula, e informando os remédios de que faz ou fez uso recentemente. O objetivo é evitar o consumo desse tipo de substância em curtos períodos de tempo.

“O ideal é que o glicocorticoide seja prescrito quando realmente é necessário, e que o paciente seja avisado dos riscos do medicamento. Ele pode precisar usar glicocorticoide agora, mas se souber que há problemas no uso crônico indevido, não irá comprar sem orientação médica em um próximo episódio de inflamação aguda”, explica a médica.

Vale reforçar: não “reaproveite” remédios que sobraram. Cada medicamento é prescrito com determinado fim. Ainda que a dor/sintoma lhe pareça o mesmo, o ideal é consultar um médico para certificar-se da origem do problema, do correto tratamento, bem como da dosagem adequada a ser consumida, de acordo com seu histórico médico e sua condição clínica.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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