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O que é meningite bacteriana?

Doença tem cura e pode atingir diversos públicos; entenda!

7.12.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Trata-se de uma inflamação que ocorre nas meninges, membranas responsáveis por cobrir tanto o cérebro quanto a medula espinhal. Mas a meningite bacteriana é uma das doenças que mais causam medo na população, de uma forma geral. Isso porque a enfermidade, transmitida por bactéria, pode atingir diversos públicos, ainda que algumas pessoas tenham maior probabilidade de adquiri-la.

Além disso, suas consequências podem ser gravíssimas caso o tratamento não seja feito corretamente. E para isso é necessário que o diagnóstico da doença seja feito logo em seu início, evitando, assim, que a doença seja até mesmo transmitida para outras pessoas.

Foto: Shutterstock

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De acordo com Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, a pessoa com sintomas de meningite bacteriana deve ser levada de imediato ao hospital, para não atrasar o tratamento. O tempo de incubação da bactéria causadora costuma ser de até quatro dias.

“Meningite bacteriana tem cura, mas o tratamento tem que ser instalado rapidamente. Os sintomas da meningite são febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos e, ao exame físico, a presença de alguns sinais, como rigidez de nuca”, explica o especialista, que fala também sobre a possibilidade de contaminação pela doença.

“A única meningite bacteriana contagiosa é a meningocócica. As outras meningites bacterianas não são contagiosas, incluindo a meningite tuberculosa, se for só meningite. Se houver lesão pulmonar, é contagiosa”, complementa.

Ainda que possa ser considerada uma doença apta a atingir qualquer pessoa, de acordo com Pasternak, é possível identificar alguns grupos que são propensos à atividade da bactéria causadora. Nesse sentido, o médico aponta o sistema imunológico como um dos principais responsáveis por ampliar a incidência da meningite bacteriana.

“Pessoas com defeitos de imunidade, especialmente deficientes do sistema complemento, que são doenças genéticas congênitas ou pessoas que usam um anticorpo anticomplemento, usado na síndrome hemolítico-uremica [doença caracterizada pela insuficiência renal e pela anemia] e em purpura trombocitopenica trombótica [doença hematológica grave], são altamente suscetíveis à infecção pelo meningococo”, explica o médico.

Segundo o especialista, a imensa maioria das pessoas que contrai meningite meningocócica, no entanto, não tem defeitos evidentes na imunidade, pelo menos pelos testes que temos hoje.

A meningite pneumocócica é mais frequente em pessoas de idade e em pessoas que tiveram trauma de crânio e saída de liquor pelo nariz; a meningite por germes Gram negativos é mais frequente em crianças muito pequenas, com meses de vida, ou em idosos com morbidades, como diabetes. A meningite por Listeria ocorre em pessoas que consumiram derivados lácteos não pasteurizados e também em pessoas com defeitos de imunidade. A meningite tuberculosa igualmente é mais frequente em pessoas com defeitos de imunidade celular, como os indivíduos com Aids.

Conforme exemplifica o  infectologista, é possível se atentar a alguns cuidados para evitar o aumento de chance de incidência da meningite contraída através de bactérias.

A maior atenção, entretanto, deve se voltar para aqueles indivíduos que já têm problemas de imunidade. Nesses casos, o cuidado deve ser ampliado, aumentando a atenção para o surgimento dos sintomas já mencionados.

O infectologista explica ainda que a meningite bacteriana mais comum é a meningocócica, seguida pela pneumocócica.

“A meningite por Haemophylus influenzae está cada vez menos frequente desde que a vacina contra este patógeno foi colocada na rotina de vacinação”, explica.

A vacinação, inclusive, pode ser uma grande aliada na proteção contra a meningite bacteriana e pode ser aplicada tanto em crianças (nos primeiros meses de vida) quanto em adultos, através da rede pública e privada de saúde. Tudo, é claro, sob orientação médica.

Outros cuidados para evitar a disseminação da doença estão ligados a atitudes básicas de higiene, já que se trata de uma bactéria: lavar as mãos várias vezes ao dia, evitar compartilhar talheres, copos e outros itens pessoais, trocar e lavar com frequência as roupas de cama, entre outras atitudes básicas.

No entanto, a principal informação a se destacar em relação à doença é a de que, não importa o seu tipo, todas podem ser muito graves e levar à morte se não for adequadamente tratada.

Ainda que não seja fatal, um tratamento inadequado pode gerar sequelas como paralisia motora, alterações na atividade cerebral e epilepsia.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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