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O que é terror noturno e como ajudar?

Crises são mais comuns em crianças até os cinco anos

10.05.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

Choros e gritos desesperados vindos do quarto das crianças no meio da noite. Esses são alguns dos sintomas do terror noturno, que muitas vezes pode ser confundido com pesadelos.

Além de ser mais recorrente, outro ponto típico de um episódio de terror noturno é quando os pais tentam acalmar os pequenos e a medida não surge efeito. Isso ocorre porque a criança ainda está dormindo e não tem consciência do que está acontecendo.

Foto: Shutterstock

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As crises podem vir acompanhadas ainda de taquicardia, rubor na face, transpiração intensa, dilatação da pupila e aumento do tônus muscular.

A criança pode também sentar na cama ou se levantar, não responder aos estímulos externos – como o chamado dos responsáveis -, além de ficar confusa e desorientada.

“O terror noturno é uma parassonia do sono não-REM [movimento não rápido dos olhos], isto é, não está relacionado a pesadelos ou sonhos ruins, havendo também uma amnésia ao episódio ocorrido. É um tipo de distúrbio do despertar no qual os eventos são acompanhados por choro e gritos”, explica Lucila Bizari Fernandes do Prado, presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O terror noturno está relacionado ao sonambulismo e sonilóquio (falar durante o sono), transtornos que ocorrem porque algumas áreas do cérebro despertam, mas o corpo, como um todo, não tem consciência disso.

O distúrbio acomete, principalmente, crianças, geralmente até os cinco anos.

“A prevalência do terror noturno é de 1 a 6,5% da população, sendo que 25% ocorrem em menores de 5 anos. Pode desaparecer sozinho ou reaparecer na vida adulta quando alguma situação mais estressante acontecer”, destaca Lucila.

Geralmente, o transtorno está ligado a componentes emocionais, com situações que são vividas durante o dia e afloram durante o sono.

“São experiências boas ou ruins, não bem resolvidas do ponto de vista psicológico”, pontua a especialista.

A médica destaca que há outros fatores, como distúrbios respiratórios durante o sono, enxaquecas, encefalites e hipertireoidismo, por exemplo, que também podem levar ao terror noturno.

O que fazer

Não é aconselhado acordar a criança, uma vez que ela estará confusa e não terá conhecimento do que aconteceu.

“Como a crise é relativamente rápida, com duração de segundos, deve-se aguardar a diminuição dos eventos e reconduzir [a criança] para a cama”, orienta Lucila.

Os cuidadores devem ainda manter a calma e observar os atos das crianças, para que não caiam ou tropecem.

O tratamento, na maioria das vezes, não é medicamentoso e consiste em encontrar o gatilho que leva ao distúrbio e tentar contorná-lo, fazendo com que a criança lide melhor com ele e passe a não ter mais episódios de terror noturno.

Porém, é importante procurar ajuda médica para que o quadro possa ser analisado e o pequeno volte a ter um sono mais tranquilo e restaurador.

Fases do sono

O sono é dividido em cinco fases, sendo as quatro primeiras chamadas de não-REM, sigla que vem do inglês Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos, compreendendo o período desde quando a pessoa está sonolenta até o sono profundo.

Nele, o organismo libera desde hormônios do crescimento até a reposição de células danificadas. É quando há menor atividade cerebral e ocorrem os casos de sonambulismo e terror noturno.

Já a quinta fase do sono é conhecida como REM, caracterizada pela intensa atividade cerebral, e quando acontecem os sonhos ou pesadelos. Nesse período, os músculos estão relaxados, mas o cérebro está em intensa atividade.

Os dois tipos de sono vão se alternando durante a noite, ciclicamente.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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