Coração e Vida | Óleo de coco: mocinho ou vilão? - Coração e Vida

Óleo de coco: mocinho ou vilão?

Mesmo se tornando uma “moda” entre quem quer emagrecer, o produto pode não ser tão bom assim para o corpo

13.01.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Quem circula pelo mercado e se detém um pouco na área dos produtos ditos “naturais” já deve ter percebido a invasão do óleo de coco nas prateleiras. Muito associado ao emagrecimento por boatos e publicações sobre dieta, o produto se tornou uma celebridade nos últimos tempos. Mas usar óleo de coco diariamente pode não ser uma atitude tão saudável assim.

Aqueles que propagam a moda costumam falar que faz bem tomar uma colher de óleo de coco diariamente. Bem: antes disso, é importante saber que o produto contém cerca de 87% de gordura saturada em sua composição.

É um porcentual maior que o da manteiga (64%) e de muitas carnes vermelhas (40%). É bem maior até que o porcentual de gordura saturada na banha de porco (40%).

Foto: Shutterstock

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O consumo de muita gordura saturada eleva o nível de LDL no sangue – o chamado “colesterol ruim”, aumentando o risco de doenças cardíacas. A quantidade diária indicada de gorduras saturadas é de 22 gramas (em uma dieta de 2.000 calorias ao dia).

Mesmo aquela “porção recomendada” de óleo de coco sendo de cerca de 15 gramas (uma colher de sopa), isso representa 13 gramas de gordura saturada – o que equivale a quase 60% do valor total diário.

É verdade que o óleo de coco, segundo estudos, também aumenta o colesterol HDL (o “colesterol bom”), mas ainda assim a equação não é equilibrada.

A maioria das pesquisas até agora consistiu em estudos de curto prazo para examinar o efeito do óleo de coco sobre os níveis de colesterol – mostrando que ele pode ter alguns benefícios, mas que não é tão saudável quanto outros óleos vegetais, como o azeite de oliva (que é principalmente composto de gordura insaturada e, portanto, reduz o LDL e aumenta HDL).

“O fato de aumentar o HDL pode fazer o óleo de coco ‘menos ruim’ do que outros ingredientes em uma dieta, mas provavelmente ainda não é a melhor escolha entre os muitos óleos disponíveis – especialmente levando em conta o risco de doenças do coração”, explica o médico e professor Walter C. Willlett, da escola de saúde de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.

“Saboroso, ele pode ser usado esporadicamente, em algumas receitas. Mas a ideia de fazer uso diário, substituindo outros óleos ou como um auxiliar de emagrecimento, não é o indicado”, completa.

A indústria que se apressa em recomendar o uso diário do óleo de coco gosta de salientar que a dieta tradicional Polinésia – rica em óleos tropicais como esse – está relacionada com taxas relativamente baixas de doença cardíaca. Mas é importante lembrar, como mostram pesquisas, que a doença cardíaca envolve diversas variáveis.

Sim, estudos mostram que a dieta tradicional polinésia torna esse povo menos propenso a doenças do coração. Mas também mostra níveis de LDL altos – e algumas considerações sobre estilo de vida são determinantes.

Outros aspectos da alimentação nativa na Polinésia provavelmente ajudam a neutralizar o efeito de disparar o colesterol que a gordura de coco provoca.

A dieta tradicional é, por exemplo, muito elevada quanto a fibras e ômega 3, trazendo os benefícios dos ácidos graxos dos peixes, e muito pobre em sódio.

Os habitantes da região também tendem a não fumar e são fisicamente muito ativos. Todos esses fatores certamente promovem a saúde do coração. Muito mais coerente do que acreditar que apenas um produto torne alguém mais saudável.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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