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Olho aberto com os pequenos

Colesterol alto também atinge as crianças e o tratamento requer atenção da família

15.12.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

As mudanças que o ser humano vivenciou em sua rotina nas últimas décadas atingiram também as crianças. Para o bem e para o mal. O sedentarismo e a má alimentação passaram a contribuir para que também as crianças apresentassem diagnósticos de colesterol, uma doença que, em décadas anteriores, era essencialmente atribuída a pessoas em idade adulta.

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Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que 20% das crianças e adolescentes entre os 2 e os 19 anos apresentam níveis elevados de colesterol no sangue. Além disso, ainda levando em consideração esse público, 8% têm altos valores de LDL (considerado o “colesterol ruim”) e 45% têm baixos níveis de HDL (“colesterol bom”).

Foto: Shutterstock

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O “colesterol bom” é assim chamado porque é responsável pela redução do risco de acúmulo das placas de gordura. Já o LDL é ruim porque colabora na formação dessas placas nas artérias, dificultando o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de problemas cardíacos e/ou vasculares.

Para Claudia Cozer Kalil, coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtorno Alimentar do Hospital Sírio-Libanês, é possível dizer que as crianças de hoje têm tido mais problemas com colesterol do que há 30, 40 anos. A especialista aponta as principais causas que contribuíram para este cenário.

“Constitui uma consequência do fim da desnutrição infantil e aumento da obesidade nas crianças e adolescentes”, afirma. Sedentarismo (mais horas em frente às telas e dentro de casa), excesso de calorias na alimentação, alimentos ultraprocessados, aumento do consumo de sal, açúcares e gordura também são fatores responsáveis pelo aumento do colesterol nas crianças, de acordo com a médica.

José Rodrigues Coelho Neto, endocrinologista pediatra do Hospital da Criança, da Rede D’Or São Luiz, também alerta para o colesterol alto em crianças, mas chama a atenção para alguns exageros que têm ocorrido nesta seara.

“Ocorrem exageros como solicitação de exames em crianças muito novas, sem nenhum histórico de doença familiar ou algo que pudesse sugerir a necessidade real de se fazer estes exames, gerando preocupação para seus familiares e muitas vezes criando uma doença que a criança não tem”, afirma.

Riscos e tratamento

Crianças com colesterol elevado correm o risco de sofrer um infarto até 10 anos mais cedo na vida adulta.

De acordo com a SBC, os pais ou responsáveis devem conversar abertamente com a criança nesta situação, explicando porquê ela deve manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física. Além disso, é preciso dar o exemplo. Não adianta cobrar que a criança se alimente adequadamente, se os pais estão sempre consumindo refrigerantes, exagerando nos doces ou vivendo de forma sedentária.

Segundo a endocrinologista do Sírio-Libanês, após o diagnóstico na criança (que pode ser feito com simples exame de sangue), toda a família deve colaborar para mudar hábitos e incentivar práticas mais adequadas para o menor.

“[É preciso] prevenir o aumento do colesterol com alimentos mais ‘in natura’ e menos processados, reduzir o consumo de açúcares e gorduras e evitar o ganho de peso. Mas se a criança já chega com a alteração laboratorial, a primeira medida é mudar hábitos, reorganizar a alimentação, estimular atividade física e reduzir as horas de ‘tela’”, explica Cláudia, em referência ao uso exagerado de tablets, celulares e computadores por crianças e adolescentes.

Sobre a alimentação, Neto ressalta que os maus hábitos passaram a fazer parte da rotina das famílias, gerando crianças que não comem minimamente o que é recomendado. “Hoje vemos crianças saindo de casa sem tomar café da manhã, trocando leite por sucos, restringindo ao mínimo a variedade de alimentos que querem comer entre outros erros que realmente nos deixam muito preocupados. Mal estar súbito, tonturas e desmaios por jejum prolongado causado pela falta do café da manhã passaram a ser comuns nas escolas”, avalia.

“Se a criança, mesmo perdendo peso e mudando hábitos, não conseguir reduzir as taxas, pode haver a indicação de tratamento medicamentoso”, complementa Claudia. Questionada se é possível levar uma vida normal mesmo com a doença, a médica afirma que sim, afinal o colesterol alto não gera sintomas ou incômodos, passando despercebido.

No entanto, com o passar do tempo, aumenta o depósito de gordura nas artérias, favorecendo a ocorrência de infartos e derrames em idades precoces. E mais um ponto de atenção: famílias com histórico de colesterol alto devem redobrar a atenção quanto ao surgimento da doença nas crianças. Ainda que não seja um problema inteiramente genético, o colesterol alto pode, em alguns casos, sofrer influência da herança genética, de acordo com a endocrinologista.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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