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Os efeitos da bebida alcoólica no cérebro

Apesar da sensação inicial de relaxamento e bem-estar, o consumo pode trazer riscos

10.04.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

A bebida alcoólica age de forma diferente em cada um e, após algumas doses, sobe à cabeça, inevitavelmente. Os efeitos variam, podendo deixar a pessoa mais desinibida, alegre, leve, corajosa ou, ainda, agressiva e depressiva.

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Você sabia… Que o consumo de bebida alcoólica aumenta a vontade de comer?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas. Nesse sentido, entende-se que o uso traz riscos à saúde, especialmente se a pessoa beber mais de duas doses por dia e não deixar de beber pelo menos dois dias na semana.

“O álcool é uma substância que tem efeito depressor no sistema nervoso central. Em pequenas quantidades, deixa a pessoa mais desinibida e relaxada e, conforme o número de doses ingeridas aumenta, a pessoa passa a apresentar diminuição de reflexos, dificuldade de coordenação e alteração de funções visuais”, explica Arthur Guerra, coordenador do Núcleo de Álcool e Drogas do Hospital Sírio-Libanês, presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), além de psiquiatra e especialista em dependência química.

Foto: Shutterstock

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Ele destaca ainda que, em altas concentrações na corrente sanguínea, o álcool pode causar “blecautes” e até mesmo deixar a pessoa inconsciente. E que os efeitos são influenciados por características individuais, como peso, altura, gênero, metabolismo e vulnerabilidade genética.

Por atuar diretamente no cérebro, ligada a ações como reflexo e coordenação, a combinação de álcool e volante é perigosa.

“Não há dose segura para o uso de álcool e direção. Diversas pesquisas científicas demonstraram que, mesmo baixos, os níveis de álcool no sangue podem prejudicar a habilidade do motorista para condução de um automóvel e aumentar os riscos de acidente. Certas habilidades necessárias para operar veículo motorizado já são prejudicadas a partir de níveis próximos de zero. A partir do nível de 0,05g de álcool/l de sangue, há perda de reflexos e da percepção visual e aumento do tempo de resposta”, alerta o especialista.

Além disso, a linha entre o consumo recreativo e a dependência pode ser tênue, uma vez que além da quantidade e frequência de uso, a condição de saúde do indivíduo e fatores genéticos, psicossociais e ambientais também influenciam.

“A dependência ocorre quando o consumo é compulsivo, ou seja, o comportamento do indivíduo está voltado para o impulso de ingerir o álcool. Segundo a classificação da OMS, a dependência é definida como um conjunto de sintomas que se desenvolvem após o uso repetido de álcool”, pontua Guerra.

Entre os sintomas que servem de alerta de quando o uso recreativo passa a ser vício são: forte desejo de beber, dificuldade de controlar o consumo (não conseguir parar de beber depois de ter começado), uso continuado apesar das consequências negativas, maior prioridade dada ao uso da substância em detrimento de outras atividades e obrigações, aumento da tolerância (necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido anteriormente com doses menores e por vezes sinais físicos) e sintomas como sudorese, tremedeira e ansiedade quando não está bebendo.

O médico faz ainda um alerta final. “Deve-se lembrar que a dependência de álcool ou de qualquer outra substância não é uma escolha, pois o uso contínuo de substâncias psicoativas provoca modificações no funcionamento cerebral.”

O caminho da bebida no corpo

A primeira etapa da metabolização da bebida alcoólica no organismo é a absorção, que ocorre através do estômago e intestinos grosso e delgado.

Estima-se que a absorção leva em média uma hora, dependendo de fatores como a velocidade com que a bebida foi ingerida e se a pessoa consumiu algum alimento.

A seguir, o álcool é distribuído através da corrente sanguínea para órgãos como cérebro, fígado, coração, rins e músculos.

Cerca de 90 a 95% da bebida ingerida é metabolizada no fígado por enzimas especiais, que dividem o etanol em outras substâncias, como o acetaldeído e o ácido acético. Por fim, é eliminado através da urina, transpiração, salivação e respiração.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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