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Os perigos da infecção urinária

Ela parece simples, mas, se mal tratada, pode evoluir para cenários mais graves

11.09.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

O diagnóstico de infecção no trato urinário (ITU), também conhecida como infecção urinária, costuma ser recebido com surpresa. Principalmente porque, em alguns casos, os sintomas demoram a aparecer ou surgem de forma mais intensa em regiões do corpo não associadas, de imediato, ao sistema urinário.

Febre e mal-estar costumam ser comuns nesse tipo de infecção, especialmente em casos considerados mais graves. Identificar a causa da infecção, portanto, torna-se essencial para determinar o tipo de tratamento e o medicamento que deverá ser utilizado por cada paciente.

Foto: Shutterstock

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Segundo Limírio Leal da Fonseca Filho, urologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, as causas da infecção urinária variam, inclusive, devido ao gênero do paciente.

“As causas são diferenciadas entre homens e mulheres. As causas comuns a ambos os sexos são, por exemplo, o cálculo de bexiga e a chamada bexiga neurogênica, quando o paciente apresenta um problema neurológico e sua bexiga passa a funcionar mal”, explica.

José Antonio Longo, urologista do Hospital Albert Einstein, explica ainda que algumas atitudes podem aumentar consideravelmente as chances de alguém desenvolver infecção no trato urinário. Longo cita, por exemplo, a baixa ingestão de líquidos durante o dia e, consequentemente, o fato de o paciente urinar poucas vezes diariamente. O ideal, de acordo com ele, seria fazer xixi ao menos seis ou sete vezes todos os dias.

Além disso, o urologista do Albert Einstein relata que em cenários de próstata aumentada, diabetes, doenças oncológicas, faixa etária avançada com baixa hormonal, uso de fraldas, sedentarismo e sondagens vesicais, a infecção urinária pode se tornar muito mais frequente.

Ocorre, no entanto, que é a mulher quem mais sofre com infecções no trato urinário. Segundo Limírio Filho, de imediato, é preciso diferenciar a infecção urinária que acomete a mulher antes e depois da menopausa.

O médico explica que a menopausa é responsável pela diminuição do nível de hormônios e estrogênios nas mulheres, reduzindo assim a resistência local às bactérias no sistema urinário.

“A mulher passa então a ter infecções urinárias muito mais frequentes do que a mulher antes da menopausa. São as chamadas cistites. A menopausa traz um risco maior de infecção”, explica o urologista, que aborda também a ocorrência da chamada infecção urinária pós-coito.

“Ocorre na paciente mais jovem depois de uma atividade sexual. Não sabemos a causa de forma específica, mas o trauma na região durante a relação sexual pode facilitar o surgimento da infecção”, revela.

Longo complementa que o tratamento desse tipo de infecção requer necessariamente a identificação e o combate à causa – ou às causas – do problema. A partir daí, a infecção é atacada com o uso do antibiótico adequado.

“Uma infecção mal conduzida pode evoluir para o sistema urinário alto [rins] e se espalhar pelo sangue, atingindo outros órgãos [septicemia]. Os cuidados básicos [para evitar a infecção] são ingestão de 1,5 a 2 litros de líquidos diários, urinar de três em três horas durante o dia, fazer atividade física e procurar um profissional especializado [urologista] para o rastreamento da etiologia das infecções em caso de repetição do problema”, afirma.

O conhecimento a respeito das causas e a preocupação em relação ao tipo de tratamento a ser utilizado em cada caso são recentes. Em um passado não tão distante, quando os antibióticos não existiam ou ainda não haviam se popularizado, era comum a ocorrência de mortes derivadas de infecções no trato urinário, já que os tratamentos mostravam-se ineficazes.

“Antes da era de antibióticos, infelizmente a evolução da infecção urinária baixa era comum. A infecção atingia o sangue e consequentemente o índice de mortes era sem dúvidas grande”, completa o urologista do Hospital Albert Einstein.

É necessário falar também sobre a importância da higiene no sistema urinário. Antes, durante e após qualquer tipo de infecção no local.

Limírio Filho avalia que a higiene tem que ser feita normalmente, sem grandes recomendações. “A pessoa termina de evacuar, ou termina a micção, e deve se lavar, se limpar normalmente. Não precisa fazer nada exagerado, porque não se comprova que isso seja causa de infecção urinária”, explica.

A avaliação, no entanto, não se aplica às crianças e aos idosos que fazem uso de fraldas. Eles, sim, precisam de uma higiene mais atenta. “A presença da fralda mantém a umidade, prolifera fungos e acaba facilitando infecções. Isso tanto em crianças quanto em idosos”, afirma. Quando o problema é recorrente, a investigação sobre as causas se faz ainda mais importante.

“Em crianças, sabemos que quando há infecção urinária masculina, temos que investigar todo o trato urinário. Pode haver algum problema congênito, algum estreitamento na saída do rim, ou uma doença que é chamada de refluxo vesicoureteral. É muito associado no menino que a causa seja anatômica. Nas meninas, também fazemos a pesquisa, mas é uma pesquisa menos intensa e pode ser só por questão local, higiene local. Nos idosos é a mesma coisa. Tem que pesquisar se há algum problema prostático, obstrutivo ou não, se existe algum problema neurológico. É muito comum estar associado [a outra doença]”, relata.

Por fim, o especialista aponta a febre como um fator determinante para a análise e a escolha do tratamento adequado das infecções urinárias. Quando não há febre, a infecção gera ardor ao urinar, aumenta consideravelmente a frequência do xixi, e, por vezes, ocorre sangramento.

“Quando você tem febre, é possível também ter dor na região lombar, dor na região baixa, como se fosse uma lombalgia, febre com calafrios e mal-estar geral”, completa.

Sintomas tão comuns a tantas outras doenças e que, consequentemente, retardam o diagnóstico e o tratamento da infecção no trato urinário.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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