Proteja-se! Sexo sem proteção aumenta os riscos de câncer na boca e garganta

Homens têm duas vezes mais chances de desenvolver a doença

10.03.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

Nos últimos anos, o câncer de boca e garganta foi associado, principalmente, ao tabagismo e ao consumo de álcool. Com as campanhas de prevenção e redução do número de fumantes, a expectativa era de que esse tipo de doença diminuísse, o que não ocorreu.

O câncer de cavidade oral e orofaríngeo está entre os dez tipos de maior incidência entre os homens brasileiros, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Estudos recentes mostram ainda a relação do câncer nesses locais com o sexo oral desprotegido, em pessoas com HPV.

Foto: Shutterstock

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“A incidência de câncer de boca e garganta é alta no Brasil, sendo antigamente relacionada ao tabagismo. Hoje, outros fatores também contribuem, como o HPV, transmitido por meio de sexo oral desprotegido”, explica Marco Aurélio Kulcsar, chefe do grupo de cirurgia de cabeça e pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Informação divulgada no início do ano pela Associação Americana para Avanços na Ciência (AAS), durante seu encontro anual, aponta ainda que homens têm o dobro de chances de desenvolver esses tipos de câncer, por conta de infecção por HPV, da pratica de sexo oral sem proteção e de um maior número de parcerias sexuais.

A mudança de comportamento reflete ainda o aparecimento da doença em pacientes mais jovens, até 40 anos, quando historicamente os casos aconteciam em pessoas com mais de 50.

Além de investir em educação sexual, destacando a importância de realizar sexo protegido mesmo nas práticas orais, o diagnóstico precoce é importante.

“Os diagnósticos de câncer de boca e garganta, relacionados ao HPV, no Brasil ainda não são muito frequentes, chegando a 30% dos casos, mas requer atenção. A doença pode se manifestar tanto em homens como em mulheres”, esclarece Kulcsar.

Quando diagnosticado em estágio inicial, as chances de cura são altas, próximo a 90% dos casos. No entanto, a maioria chega para tratamento já em estágio avançado, com tumores com mais de 6 centímetros e prognóstico de 30%.

“Os sinais iniciais são feridas [úlceras] na boca, que se assemelham a aftas e que duram por mais de 15 dias. Persistindo os sintomas, a pessoa deve procurar um médico para avaliação. O diagnóstico precoce nesses casos é muito importante, aumentando a chance de cura para o paciente”, aponta Kulcsar.

O especialista destaca ainda que a demora entre o diagnóstico e o início do tratamento é outro ponto que faz com que as chances de cura diminuam. Ele aponta que hoje, no Brasil, esse processo leva de 6 a 8 meses, o que faz com que o câncer evolua e o tratamento também fique mais longo, complicado e caro.

Além disso, aumenta-se o risco de metástase, quando o câncer se espalha para outros órgãos, dificultando o tratamento.

“A prevenção é sempre o melhor caminho, como parar de fumar, fazer sexo seguro, além de consultar um médico nos primeiros sintomas. O câncer relacionado ao HPV tende a diminuir por conta da vacinação que entrou há pouco no calendário, mas isso ainda requer observação”, analisa o cirurgião.

Sintomas de câncer de boca e garganta

– Boca: Lesões parecidas com aftas por mais de 15 dias, que podem doer e sangrar;

– Garganta: Dificuldade para engolir e rouquidão também por mais de 15 dias;

– Mau hálito persistente.

Em todos os casos, um médico deve ser procurado e a causa investigada.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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