Coração e Vida | Sim, é importante falar sobre sexo anal

Sim, é importante falar sobre sexo anal

Se durante o sexo surgir a vontade, é importante estar informado sobre o tema

30.03.2016 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Esse é o tipo de assunto que costuma aparecer acompanhado ou de vergonha ou de risadas. O sexo anal talvez seja um dos maiores tabus quando se fala sobre sexualidade – e se fala bem pouco sobre ele.

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Se já foi complicado clicar para ler este texto, saiba que você, leitor, pode se considerar alguém bastante esperto, além de ousado: quando se trata do corpo humano, deixar a timidez e o riso de lado um pouquinho traz muitas informações vitais para sua saúde e do(a) parceiro(a) – e, por que não, para a melhoria da vida sexual.

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Sem vergonha, então, vamos direto ao assunto. A consultoria clínica é do médico Caio Sergio Rizkallah Nahas, cirurgião do Aparelho Digestivo e coloproctologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Cuidado essencial

Quando os parceiros decidem praticar o sexo anal, existe a regra de ouro: não passar do coito anal para o vaginal sem antes higienizar o pênis ou trocar a camisinha. Isso evita a ocorrência de infecções, especialmente na vagina, pela ação de bactérias.

Se a coisa esquenta, vale a mesma coisa: há risco de infecções no contato da língua ou dos lábios com o ânus. É sempre necessário usar uma proteção.

Higiene

O prazer precisa estar ligado à razão: é essencial higienizar o corpo com água e sabonete após praticar sexo anal. Aos homens também é indicado urinar após o sexo, para limpar a uretra (o jato urinário pode remover alguma bactéria que se instalou na uretra durante o contato sexual), e lavar o pênis, para evitar infecções urinárias e uretrites.

Camisinha sempre

O uso da camisinha? Nem se discute: ela é grande aliada tanto para evitar contaminações e doenças sexualmente transmissíveis quanto para evitar maior atrito e evitar dores.

Sobre o ato em si

É possível, sim, praticar o sexo anal com segurança e prazer – e o uso de lubrificante ou gel a base de água, vendido em farmácias, junto com a camisinha ajuda bastante nesse momento.

Não se deve usar outros cremes, porque podem comprometer a resistência do preservativo e fazê-lo romper. Algumas pessoas relatam que, nas primeiras vezes, a sensação é um pouco tensa, mas depois é mais fácil sentir prazer.

Se não houver relaxamento e boa lubrificação, pode haver traumatismo da mucosa anorretal, escoriações, fissuras, traumatismo de hemorroidas – causando dor e até sangramento ao evacuar após a relação anal.

O orgasmo feminino

É muito comum as mulheres terem esse receio. Mas elas podem chegar ao orgasmo, principalmente se o envolvimento do casal acontecer de forma lenta e cuidadosa. Pode ser que a primeira tentativa não seja tão prazerosa – e daí é interessante que os parceiros conversem muito e que a mulher não ceda apenas para satisfazer o outro.

Quando há problemas…

O sexo anal desprotegido pode transmitir inúmeras infeções sexualmente transmissíveis, dentre elas o HIV, hepatite B, Hepatite C, Sífilis, Clamídia, Gonococo e, muito comumente, o vírus do HPV.

As hepatites e o HIV geralmente não deixam nenhuma marca ou sinal infeccioso no canal anal propriamente, mas trazem inúmeros problemas para a saúde. Já a sífilis, algumas bactérias como Clamídia e Gonococo, assim como alguns vírus como o Herpes, podem causar sinais e sintomas bem desconfortáveis tanto na borda e canal anal (geralmente úlceras ou vesículas dolorosas, com ou sem secreções).

Também podem acontecer problemas no reto (a chamada retite), em que o paciente tem vontade de evacuar muitas vezes por dia, com ardência, e com a presença de sangue e/ou muco nas fezes. Porém, não existem dados que comprovem qualquer prejuízo esfincteriano relacionado à prática do sexo anal convencional consentido e protegido.

Apenas é preciso cuidado para evitar algumas práticas distorcidas, como uso de objetos eróticos de grandes dimensões, que podem, a longo prazo, causar alguma disfunção muscular.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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