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Temperaturas mais baixas aumentam risco de infarto, alerta Roberto Kalil

Estudo canadense indica que queda de 10ºC na temperatura está associada um aumento de 7% no nº de infartos

18.07.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

A chegada do inverno é acompanhada, para a maioria das pessoas, de gripes e resfriados. No entanto, a queda nos termômetros também pode indicar o aumento do risco de desenvolvimento de doenças mais graves, como o infarto agudo do miocárdio.

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Isso é o que aponta recente estudo da Universidade de Manitoba, localizada no Canadá. A diminuição de 10oC na temperatura está associada a um aumento de 7% no número de infartos.

Foto: Shutterstock

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“Além de aumentar a incidência de infartos no inverno, sua intensidade também é maior. Motivo pelo qual idosos, hipertensos e cardiopatas devem ficar mais atentos”, afirma o cardiologista Roberto Kalil Filho, diretor do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O estudo canadense analisou durante seis anos a temperatura no dia que os pacientes enfartaram na cidade de Winnipeg. Quando os termômetros ficavam abaixo de 0oC, a taxa de ataque cardíaco era de 0,94 por dia e  quando ficavam acima de 0oC, a taxa era de 0,78.

Segundo o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), durante o inverno, o índice de infartos cresce em 30%, principalmente quando a temperatura está abaixo dos 14oC.Isso ocorre porque, no frio, os receptores nervosos localizados na pele, ao sentirem a temperatura baixar, estimulam a liberação de substâncias que contraem os vasos sanguíneos, com o objetivo de manter a temperatura corporal em 36oC. Esse estreitamento dos vasos sanguíneos obriga o coração a fazer mais força para bombear o sangue pelo corpo.

“No inverno, as pessoas também tendem a beber menos água. Isso faz com que o sangue fique mais viscoso, dificultando ainda mais a passagem pelos vasos mais estreitos. Por isso, manter-se hidratado também é uma medida importante”, orienta Kalil.

Além disso, a pressão sanguínea sobre os vasos mais estreitos aumenta, propiciando o desprendimento de placas de gordura que, eventualmente, possam estar dentro das artérias e que poderiam levar a um bloqueio do fluxo do sangue para o coração e para o cérebro.

“A melhor forma de evitar infartos nessa época é a prevenção. Pessoas que fazem parte de grupos de risco para infarto, como diabéticos, hipertensos e obesos, devem se cuidar mais, com uma alimentação mais saudável, prática de exercícios e acompanhamento médico”, alerta Kalil.

Por isso, é importante deixar a preguiça característica dessa época do ano de lado, se movimentar e também se manter aquecido com roupas adequadas, evitando mudanças bruscas de temperatura.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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