Tudo sobre um bom chá

Para quem considera uma bebida de “vovozinha”, melhor voltar atrás: suas propriedades e sabores são de surpreender qualquer um

27.01.2017 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

É de uma planta apenas que vem uma variedade imensa dos chás que consumimos. Assim como as uvas produzem vários tipos de vinhos, a planta de nome Camellia sinensis produz inúmeros tipos de chás – que, hoje em dia, entram e saem da moda prometendo energia, emagrecimento e outras conquistas. Mas é importante saber mais sobre o chá para tirar mesmo o melhor dele.

A diferença entre chá verde, preto e branco, sempre muito comentados, está na secagem. “No verde, as folhas da Camellia sinensis são colhidas e submetidas à secagem pelo calor; no preto, as folhas são colhidas e colocadas em tanques fechadas; no caso do chá branco, são colhidas apenas as folhas jovens [botões novos] que são vaporizadas e secas sem sofrerem oxidação”, explica a nutricionista Paula Hertel, de São Paulo.

Foto: Shutterstock

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O que difere esses chás e os demais tipos, como os feitos a partir de ervas (na verdade, denominadas infusões), são os ativos que cada planta contém (catequinas, antocianinas, silimarina, terpenos etc.). E cada planta tem uma ação específica – portanto não existe um chá apenas que melhore a saúde.

“Existem, isso sim, ações e contraindicações – inclusive para o chá verde, que vem sendo cada vez mais celebrado, mas que não é indicado para pessoas com hipertensão, por exemplo. Gestantes e lactantes também não podem consumir a maior parte dos chás”, lembra a especialista.

O resultado do cultivo milenar dessa planta é uma enorme variedade de chás consumidos pelo mundo afora, todos com características e sabores muito particulares. Vamos falar mais sobre os chás abaixo – e aprender a tirar o melhor de cada um deles.

História

Pensando em chá, logo vem à cabeça o Oriente. De fato, a bebida tem forte tradição histórica principalmente na Ásia – e é lá onde, ainda hoje, em diversos países, se faz rituais como a cerimônia do chá japonesa. Mas também no Ocidente ele é muito desfrutado. O famoso chá da tarde inglês é também uma tradição antiga, do século 16. As pesquisas sobre a origem do chá ainda são poucas, mas se sabe que ele é a segunda bebida mais consumida no planeta, logo depois da água.

Características

No mundo são produzidos quase três mil tipos de chás. Entre as principais nações produtoras estão Índia, Sri Lanka, China, Japão, Indonésia, Inglaterra, Irlanda e África do Sul. Preto, verde, branco, aromatizado, de flores e frutas, erva-mate e outros estão expostos em caixinhas, com a erva a granel, em latas ou sachês. No Brasil, chamamos tudo de chá, mas é bom deixar claro que a denominação da palavra é específica para as bebidas que contenham a folha Camellia sinensis. Os demais são bebidas de outros vegetais, como infusões de hortelã ou erva-doce.

Nutrição

Muitos estudos científicos têm se dedicado a estudar os efeitos do chá sobre o corpo humano, em conhecer melhor seus nutrientes e o que eles provocariam. Todos os tipos de chá possuem praticamente as mesmas substâncias, como cafeína e oxalatos, porém em concentrações diversas dependendo do processo pelo qual passou. Existem, por exemplo, plantas com propriedades termogênicas, que aceleram o metabolismo, como o chá verde, a erva-mate e o chá de casca da laranja (Citrus aurantim). E existem, vale repetir, contraindicações. Dois exemplos: pessoas com hipotireoidismo não devem tomar infusões de melissa e pacientes com problemas renais não devem ingerir infusão com cavalinha. Com um acompanhamento nutricional, pode-se conhecer melhor os chás apropriados para tomar – e variar também os sabores, para tirar melhor proveito e não se acostumar às mesmas substâncias.

Como comprar

Não existe nenhum selo de qualidade para os chás especificamente. O importante é que ele seja comprado em lojas confiáveis e seja o mais fresco possível – daí ser muito importante checar, na embalagem, sua data de validade.

Armazenamento

O chá em forma de erva deve estar acondicionado em uma embalagem que não deixe passar luz e precisa ter cheiro bom, não cheiro forte de “guardado”, indicando fungos. O chá deve ser armazenado em recipientes limpos, atóxicos e que o protejam da umidade.

Dicas importantes

– Adoçar ou não o chá é uma questão de gosto, mas é essencial prestar atenção ao que vai ser adicionado para evitar que esse sabor se sobreponha ao aroma e sabor delicados da bebida.

– O chá pode ser quente ou frio; o importante é consumir no mesmo dia do preparo.

– As melhores chaleiras para evitar que a bebida fique amarga são as de aço inoxidável, vidro, porcelana e cerâmica.

– A quantidade de erva é mais importante do que a quantidade de água utilizada no preparo. E é uma boa ideia verificar a dose utilizada no caso de a pessoa lidar com alguma patologia (levando em conta idade e condição fisiológica). Seguir as indicações de um nutricionista é vital para isso.

– Use água mineral ou filtrada para o preparo de qualquer tipo de chá ou infusão. A qualidade da água sempre vai ser importante para se fazer um bom chá.

– Chás em forma de erva costumam ser muito mais saborosos do que aqueles em saquinhos. Afinal, os sachês passam pela industrialização – e, depois de imersos em água, eles viram um chá que mistura erva, papel e até barbante. Quanto mais natural for a matéria prima, melhor será consumir um bom chá.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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