Coração e Vida | Você conhece a Síndrome do Choque Tóxico? - Coração e Vida

Você conhece a Síndrome do Choque Tóxico?

Uso de absorvente interno é um dos meios de desenvolver a doença

25.04.2017 | por Camila Sotério - Equipe Coração e Vida

O caso da modelo americana Lauren Wasser que precisou amputar a perna direita após uma infecção possivelmente causada pelo uso de absorventes internos chamou a atenção das mulheres para a Síndrome do Choque Tóxico.

Mas o que isso significa? A síndrome é uma doença rara causada pela ação de bactérias, principalmente o Staphylococcus aureus e o Streptococcus, do Grupo A, no organismo.

Foto: Shutterstock

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As toxinas liberadas pelas bactérias evoluem rapidamente para uma infecção, que pode levar à morte. A doença tem altas taxas de mortalidade, que chegam próximas a 70%. Sua ocorrência e gravidade dependem de fatores relacionados à bactéria e à pessoa acometida.

A síndrome é caracterizada por sintomas como febre alta, náuseas, vômitos, manchas pelo corpo, descamação da pele e queda de pressão, podendo evoluir para falência de órgãos e necrose de tecidos.

Apesar de poder atingir homens e mulheres, a síndrome é comumente associada ao uso de absorventes internos, pois o acúmulo do sangue menstrual por muitas horas, juntando-se à questão do material usado na fabricação dos tampões, favorece o desenvolvimento das bactérias.

“Os absorventes internos podem fornecer um ambiente propício para o crescimento da bactéria Staphylococcus aureus e a produção da toxina responsável pela síndrome. Esse ambiente propício é favorecido ainda pela alteração da acidez vaginal, causada pelo fluxo menstrual”, explica Lívio Dias, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

O especialista destaca ainda que a presença das bactérias, associada a pequenas fissuras na parede vaginal, causadas pelo próprio absorvente, facilita a absorção da toxina e desencadeamento da síndrome.

No entanto, como não é uma doença restrita às mulheres, a Síndrome do Choque Tóxico pode ocorrer também em pessoas com faringite, após cirurgias, infecções de pele e em uma séria de outras situações.

Não é preciso abrir mão do uso de tampões. Nos últimos anos, a composição dos absorventes internos foi modificada, com o uso de materiais que inibem o crescimento bacteriano. Também deixaram de ser comercializadas as versões de alta absorção, que favoreciam o quadro.

A principal recomendação para a prevenção do choque tóxico é não usar o mesmo absorvente por mais de 8 horas e, preferencialmente, trocá-lo entre 2 e 4 horas, dependendo do fluxo.

Quem tem fluxo menstrual intenso deve realizar trocas ainda mais frequentes do tampão. A mesma recomendação se aplica aos coletores menstruais, como explica o infectologista.

“Os coletores parecem reunir condições predisponentes semelhantes à dos absorventes internos para ocorrência da síndrome. Devido à raridade da ocorrência da síndrome, é difícil afirmar que os coletores são uma alternativa mais ou menos segura. Outros métodos absorventes e procedimentos ginecológicos já tiveram correlação estabelecida com o choque tóxico”, pontua.

Mulheres que já tiveram o diagnóstico de síndrome do choque tóxico têm até 30% de chance de apresentar um novo episódio e devem discutir com o ginecologista outro método absorvente.

Ao observar os sintomas do choque tóxico, o médico deverá ser consultado, já que a doença evolui rapidamente, podendo levar à morte.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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