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Você sabe o que é a fibromialgia?

Doença afeta 3% da população brasileira e causa fortes dores durante um período extenso

24.11.2017 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Quando a cantora norte-americana Lady Gaga anunciou o cancelamento do show que faria no Rock in Rio no último dia 15 de setembro, a reação dos fãs foi imediata. De início, houve incredulidade e tristeza. Com o passar do tempo, no entanto, os sentimentos deram lugar a dúvidas quanto ao motivo do cancelamento: fibromialgia, conforme informou a própria cantora. Afinal, que doença é essa? Quais seus sintomas e como se dá seu tratamento?

A fibromialgia é conhecida também como Síndrome da Dor Generalizada. Isso porque a enfermidade tem como principal característica a ocorrência de fortes dores em diversos pontos do corpo, por períodos prolongados. Acredita-se que no Brasil aproximadamente 3% da população sofre com a doença. No mundo, o índice chega a aproximadamente 5%.

Foto: Shutterstock

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De acordo com a fisiatra Christina May Moran de Brito, coordenadora Médica do Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, a dor intensa e prolongada é, de fato, o principal sintoma da doença, mas não é o único.

Os principais sintomas são: dor generalizada persistente, acompanhada de distúrbios do sono, fadiga moderada a intensa, transtornos do humor (ansiedade e depressão), disfunção cognitiva leve e alteração do hábito intestinal (síndrome do cólon irritável).

A especialista fala também sobre uma análise clínica que já é usada pelos médicos que tratam da doença.

“No passado, considerava-se a quantidade de pontos dolorosos como critério diagnóstico, mas este critério foi abandonado. E os exames complementares, laboratoriais e de imagem não apresentam alterações”, complementa.

O diagnóstico da fibromialgia é justamente uma das principais dificuldades para que o tratamento seja feito de maneira correta e no tempo adequado. Os exames complementares são solicitados apenas para descartar diagnósticos diferenciais, já que a constatação da doença se dá por meio clínico, através do histórico e exame físico realizado no paciente, verificando os pontos em que há dor forte e contínua.

Além disso, infelizmente ainda não se conhece uma causa específica da fibromialgia.

De acordo com a fisiatra do Sírio-Libanês, o entendimento mais aceito atualmente é de que a doença decorre de uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central. Dessa forma, seu tratamento irá incluir a utilização de analgésicos e relaxantes musculares, sendo estes utilizados de forma complementar.

“Em casos em que sintomas depressivos estejam presentes (frequentemente estão), procura-se utilizar medicamentos antidepressivos que atuam no sistema supressor de dor”, explica.

“E, fundamental, em adição à terapia farmacológica: psicoterapia; terapia cognitiva comportamental; manejo de estresse; técnicas de relaxamento e meditação; exercícios aeróbios com o objetivo de atingir, de forma progressiva, 150 minutos de atividade física moderada, distribuídos na maior parte dos dias da semana; e orientação para uma dieta saudável e higiene do sono”, completa.

A prática da atividade física é essencial para quem recebe o diagnóstico da fibromialgia. Isso porque o exercício, além de melhorar o condicionamento físico, poderá funcionar como uma espécie de “distração” para o sistema nervoso, minimizando momentaneamente as fortes dores associadas à doença.

Importante alertar também que a fibromialgia pode atingir ambos os sexos e todas as faixas etárias. No entanto, de acordo com a fisiatra, a doença tem afetado mais frequentemente as mulheres, a partir da meia idade.

“Estudos evidenciam que pode haver influência genética, familiar e que, frequentemente, há um gatilho, um estressor significativo, que precede o início dos sintomas, que pode ser físico ou psíquico”, conclui a especialista.

Ainda segundo a médica, na presença de dores, o paciente deve sempre procurar assistência médica. Não necessariamente ocorrerá o diagnóstico da fibromialgia, mas a dor será sempre um alerta de alguma desordem no corpo humano. Seja ela qual for, deve ser tratada.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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2 comentários

  1. Juliana santos disse:

    Gostei muito da explicação , porque do nada começa as dores e se expalha a gente fica vulnerável e o problema e que demora a passar.

  2. Cléa Magnani Pimenta disse:

    Bom Dia!
    Farei 70 anos dia 29/12. Sou diagnosticada com FIBROMIALGIA desde 1980. Faço tratamento constante das dores, que migram por todo o corpo e nunca me deram mais de uma semana de sossego.
    E tenho também esse desagradável incômodo que são as “MOSCAS VOLANTES” , que povoam minha paisagem e minha concentração visual…
    Esses dois transtornos tem correlação?
    Obrigada!
    Cléa

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