Coração e Vida | A hanseníase ainda circula pelo Brasil; saiba mais - Coração e Vida

A hanseníase ainda circula pelo Brasil; saiba mais

Com cerca de 5 casos a cada 10 mil habitantes, a doença, antigamente conhecida como lepra, precisa ser tratada ainda nos primeiros sinais

31.01.2018 | por Eli Pereira - Equipe Coração e Vida

Nos tempos antigos, a hanseníase, também conhecida como lepra, foi causa de temor e discriminação. Atualmente, porém, há tratamento capaz de curar a doença. O maior problema é que os sinais são discretos e muita gente que desenvolve a doença só percebe quando ela já causou danos. Frear a doença é possível, mas reverter os danos já causados não é.

Neste Janeiro Roxo, de Combate e Prevenção da Hanseníase, entenda o que é o problema e o que fazer para evitá-la.

Foto: Shutterstock

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De acordo com a dermatologista Adriana Vilarinho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a hanseníase é uma doença contagiosa, mas de evolução lenta. Ou seja, é possível que alguém que tenha contraído a bactéria causadora fique anos sem ter manifestação da doença.

“Ela se manifesta principalmente por meio de sinais e sintomas dermatoneurológicos, como lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pé”, explica.

Pelo fato de afetar os nervos, a hanseníase provoca deformidade nos nervos, quando não tratada. E é então que surge o estigma da doença, explica Adriana. “Quanto mais precocemente diagnosticada e tratada, mais rapidamente é possível curar o paciente”, alerta.

Sinais e sintomas

Jorge Sampaio, médico assessor para Microbiologia do Fleury Medicina e Saúde, explica que um dos primeiros sinais da hanseníase é justamente uma mancha na pele.

“É uma mancha que não cura. Não tem conexão com nenhuma micose ou outras causas. Além disso, outro sinal de alerta é a alteração de sensibilidade: a pessoa não consegue diferenciar o quente do frio”, afirma.

Adriana explica ainda que essas manchas podem aparecer em qualquer parte do corpo, mais frequentemente no rosto, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas. “São manchas avermelhadas ou esbranquiçadas”, detalha a especialista.

Com a evolução da doença, os nervos podem ficar engrossados e doloridos, além de a pessoa apresentar uma menor sensibilidade nas áreas inervadas por eles, como olhos, mãos e pés.

A perda da força dos músculos que são atendidos pelos nervos comprometidos também é algo para se preocupar. “Essas lesões são responsáveis pelas incapacidades e deformidades características da hanseníase”, diz a dermatologista.

De acordo com Sampaio, uma das características da doença não tratada é a mão em forma de garra, quando os nervos encolhem. Mesmo nesse ponto avançado, ainda é possível curar a hanseníase, porém os danos já causados são irreversíveis.

Os nervos não voltarão mais à posição original. Procurar um médico já nos primeiros sinais, portanto, é o que faz com que o tratamento seja eficaz e sem sequelas.

Tratamento

A dermatologista explica que há cerca de cinco casos para cada 10 mil habitantes no Brasil. Ainda mais comum nos estados do norte do país, o tratamento contra a doença é feito com uma quimioterapia específica, a poliquimioterapia.

De acordo com Sampaio, o tratamento é fornecido gratuitamente pelo SUS, e o tempo de tratamento depende da resposta de cada pessoa e do tipo de doença. “Mas pode levar de seis meses a anos, dependendo da gravidade”, completa.

Prevenção

Mas como se contrai? Qualquer pessoa pode ter a doença, explica a dermatologista. “O contágio se dá por meio de uma pessoa doente, portadora do bacilo de Hansen, que não está em tratamento e que elimina para o meio exterior, contagiando pessoas suscetíveis.”

Segundo ela, a principal via de eliminação do bacilo pela pessoa doente e a mais provável porta de entrada no organismo de quem está passível de ser infectado são as vias aéreas superiores, o trato respiratório. Para isso, porém, é preciso que a pessoa tenha um contato direto com quem tem a doença e não está tratado.

Se o contato for rápido, o risco é baixo. “Não se pega facilmente em metrô, ônibus ou elevador”, tranquiliza Sampaio.

Pelo fato de a doença ser de evolução lenta, muitas vezes alguém contrai a hanseníase e ela só se manifesta depois de muitos anos. É o caso de a infecção surgir durante a gravidez.

“As alterações hormonais da gravidez causam uma baixa da imunidade celular, fundamental na defesa contra o Mycobacterium leprae [bacilo de Hansen]. Portanto, é comum que os primeiros sinais de hanseníase em uma pessoa já infectada apareçam durante a gravidez e puerpério”, explica a médica.

A boa notícia é que a gestação nas mulheres com hanseníase tende a apresentar poucas complicações. E, mesmo gerando um bebê ou amamentando o filho, não é contraindicado fazer o tratamento. “Algumas drogas são excretadas pelo leite, mas não causam efeitos adversos”, conclui.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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