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Adoçantes: salvadores ou vilões?

Mesmo estudos científicos têm dificuldades para definir esses produtos; entenda!

31.01.2018 | por - Equipe Coração e Vida

Os edulcorantes não-nutritivos, ou adoçantes, como costumamos chamar, tornaram-se uma rotina na alimentação de muitas pessoas. São, além disso, muito utilizados hoje em dia em uma grande variedade de produtos (como refrigerantes e outras bebidas) e mesmo em medicamentos. Mas é importante refletir – e se informar melhor – sobre o uso desse tipo de produto.

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Os adoçantes fornecem menos calorias e doçura muito mais intensa que os produtos que contêm açúcar, como se sabe. Costumam ser usados por motivos diversos, seja por quem quer controlar o peso ou pessoas com diabetes. E são conhecidos, essencialmente, por seis agentes: aspartame, sacarina, sucralose, neotame, acesulfame e stevia.

Foto: Shutterstock

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Na maioria dos países, como no Brasil, os adoçantes recebem um status de segurança comum. Ou seja: são liberados pelos órgãos de saúde para o consumo da população. Mas enquanto se mostram ferramentas para promover a perda de peso e considerados seguros para consumo por diabéticos, estudos levantam certos alertas sobre esses produtos cumprirem o prometido – ou mesmo que tenham benefícios.

Há uma falta de relatórios voltados para avaliar a eficácia dos adoçantes em diferentes populações, enquanto outras pesquisas se mostram confusas, muitas vezes produzindo dados opostos no mesmo estudo.

O que se sabe com certeza, entre outras coisas, é que indivíduos como mulheres grávidas e lactantes, crianças, pessoas que sofrem de enxaquecas e epilepsia são grupos suscetíveis aos efeitos adversos de produtos que contenham edulcorantes.

Mesmo os diabéticos precisam de acompanhamento médico constante para entender quais adoçantes podem ser usados – e dosados com muito cuidado. Foi o que apontou um grande estudo liderado por médicos e pesquisadores na Índia recentemente.

A pesquisa dos indianos fez, inclusive, uma importante ressalva sobre o uso de adoçantes por pessoas muito jovens.

“As crianças são especialmente importantes de considerar, porque têm maior consumo de alimentos e bebidas por quilo de peso corporal. O estudo epidemiológico pediátrico encontrou uma correlação entre a ingestão de bebida contendo adoçantes e o aumento de peso”, cita o texto da equipe de Arun Sharma.

Um outro estudo recente, na Dinamarca, realizado com 60 mil grávidas, também mostrou que o uso de bebidas “zero”, com edulcorantes, aumentaram o risco de parto prematuro e o aumento da adiposidade e triglicérides nos recém-nascidos.

Para falar sobre o assunto, Simone Kikuchi, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, respondeu a três perguntas centrais do Coração & Vida sobre o uso dos adoçantes.

Quem deve usar?

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os adoçantes dietéticos são formulados para dietas com restrição de sacarose, frutose e/ou glicose para atender às necessidades de pessoas sujeitas à restrição desses carboidratos.

Já os adoçantes “de mesa” são produtos formulados para dar sabor doce aos alimentos e bebidas. As matérias-primas sacarose, frutose e glicose não podem ser utilizadas na formulação desses produtos alimentícios. Assim, seu consumo deve ser feito sob orientação de médicos e nutricionistas para pacientes que necessitem de controle glicêmico, como os diabéticos. Acontece que existem várias exceções. Por exemplo: os portadores de fenilcetonúria (doença genética identificada no Teste do Pezinho) devem ter cautela com adoçantes que contenham fenilalanina em sua composição (como aspartame); hipertensos devem preferir outros adoçantes que não ciclamato e sacarina, pois esses contêm sódio em sua composição; os pacientes com doença renal crônica e em hemodiálise que seguem dieta com restrição no consumo de nutrientes como potássio e sódio devem evitar adoçantes a base de acesulfame de potássio, ciclamato de sódio e a sacarina sódica. E assim por diante.

Usar adoçantes pode fazer mal a pessoas saudáveis?

As teorias sobre edulcorantes artificiais e câncer surgiram quando estudos iniciais em ratos com uso de sacarina e ciclamato foram associados com câncer de bexiga. Porém, em resultados de estudos subsequentes sobre substâncias que podem causar câncer, esses edulcorantes não mostraram evidências claras de associação. Então, mais estudos precisam ser realizados para determinar restrição no consumo. Desde que utilizados dentro dos limites recomendados, os edulcorantes artificiais não devem ser prejudiciais à saúde, portanto.

Qual a recomendação dos especialistas, no geral?

O ideal é usar o mínimo de adoçantes possível, educando o paladar a sentir e apreciar o sabor natural dos alimentos. Além disso, é importante dar preferência e maior consumo de produtos in natura em vez dos industrializados e ultraprocessados.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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2 comentários

  1. Suzanne tamie disse:

    Excelente entrevista!!!!

  2. Rosangela H. disse:

    Muito bom, bastante esclarecedora, principalmente para quem não tem condições de frequentar um nutricionista

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