Coração e Vida | Adotar vegetarianismo exige cuidados, não siga por “moda”

Adotar vegetarianismo exige cuidados, não siga por “moda”

Encarar a opção de cortar a carne é uma questão de preparação e de incluir alimentos na dieta também

18.01.2016 | por Equipe Coração e Vida

Dentre todas as “ondas” que afetam o hábito de se alimentar, o vegetarianismo é uma das poucas que não pode ser considerado, assim, uma modinha. Acontece que ele existe há séculos e ganha adeptos a cada década que passa. Muitos podem entender essa opção com estranhamento – e outros podem mesmo embarcar nessa por “ouvir dizer que emagrece” ou outros motivos pouco louváveis. O fato é que ser vegetariano não é uma novidade, mas tampouco deve ser uma escolha feita do dia para a noite. Ou do almoço para o jantar.

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Ser vegetariano engloba uma variedade de hábitos alimentares; a rigor, excluem-se todos os subprodutos animais e de carne da dieta. Mas ovo-lacto-vegetarianos comem laticínios e ovos também, enquanto pesco-vegetarianos comem ainda todos os frutos do mar. Os veganos mais radicais é que não consomem nenhum alimento de origem animal (nem mesmo mel).

Foto: Shutterstock

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E quanto mais restrita a dieta, mais cuidado deve-se tomar para obter todos os nutrientes necessários ao corpo. Em dietas à base de vegetais, várias substâncias essenciais podem ficar em débito, ausentes ou pouco absorvidas. Incluem-se aí as proteínas animais com seus nutrientes específicos, o ômega-3 e os ácidos graxos, ferro, zinco, cálcio e vitaminas D e B12.

“As pessoas veganas precisam de acompanhamento nutricional e reposição de alguns componentes por meio de vitaminas sintéticas”, explica o cardiologista Everton Gomes, pesquisador do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP.

“A B12, por exemplo, está relacionada com a formação dos neurônios e tem importante atuação no sangue e no metabolismo, mas ela só chega por meio das carnes, peixes, manteiga, alimentos que veganos não aceitam”, diz.

Sim, até para virar vegetariano é importante cuidado – e não apenas passar a viver de salada. A mudança de cardápio deve ter o acompanhamento de um especialista em nutrição para evitar também, por exemplo, problemas como a deficiência de ferro e de cálcio, o que poderia levar à anemia, osteoporose e queda da imunidade celular.

“O acompanhamento nutricional é importante inclusive para ter conhecimento das quantidades de alimentos que se deve ingerir”, lembra o doutor Everton. “O que acontece é que, muitas vezes, as pessoas cortam a carne vermelha do cardápio e decidem virar ovo-lacto-vegetarianos… E viram, na realidade do dia a dia, ‘ovo-ovo-ovo-lacto-lacto-muitos-carboidratos-vegetarianos’. Comendo tudo isso – muitas massas, por exemplo – a chance de ganhar peso e tender à obesidade é grande. E, em vez de melhorar a saúde, piora-se.”

Para repor as fontes de proteínas, é aconselhável a ingestão de leguminosas de cor verde-escura, de soja, feijão, lentilha e grão-de-bico e de oleaginosas como nozes, castanhas e amêndoas.

No caso de mulheres grávidas, os suplementos vitamínicos podem suprir o aumento da necessidade de ferro, ácido fólico, vitaminas e minerais. E as crianças criadas dentro de uma dieta vegetariana também precisam ser observadas.

A opção familiar pelo vegetarianismo não precisa ser condenada, só precisa ser cuidada. Artigos científicos recentes mostram, por exemplo, que não há diferenças entre crianças vegetarianas e não vegetarianas quanto ao surgimento de cáries, como se pensava antigamente. Observar a qualidade da alimentação importa mais. Fibras em maior grau são adequadas, por exemplo, para incentivar a mastigação e a digestão dos pequenos vegetarianos.

Tornar-se um vegetariano traz vantagens mais do que comprovadas. A mais evidente está relacionada à mudança de estilo de vida, de uma alimentação mais leve e de baixo colesterol e que pode ir até a prevenção de câncer colo retal e outros problemas intestinais.

Mas talvez o equilíbrio ainda seja o melhor tipo de alimentação. “O que se aconselha é procurar um especialista para conversar sobre o tema e fazer uma escolha orientada, consciente e com variedade de alimentos”, diz o doutor Everton Gomes.

“Reduzir a quantidade de proteína animal é interessante, segundo estudos científicos, mas até isso varia de indivíduo para indivíduo e depende do histórico de saúde”, pondera.

“Talvez seja mais o caso de diminuir um pouco o consumo dessas proteínas alguns dias por semana e incluir mais verduras e grãos no cotidiano. Porque não basta ser vegetariano e cortar alimentos; é o caso também de incluir outros novos [alimentos, para suprir a falta dos retirados]”, completa o médico.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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