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Alerta nas cidades

Baixa umidade do ar favorece o aumento de eventos cardiovasculares e respiratórios

8.10.2014 | por Equipe Coração e Vida
AMEAÇA: Quando a umidade relativa do ar cai abaixo de 60% o alerta é disparado - Foto: Shutterstock

Quando a umidade relativa do ar cai abaixo de 60% o alerta é disparado – Foto: Shutterstock

Milla Oliveira

Cidades como São Paulo e Brasília costumam registrar baixos índices de umidade relativa do ar em alguns períodos do ano, o que favorece a permanência de maiores concentrações de poluentes na atmosfera. Além dos males causados ao pulmão, a exposição a esses materiais também está relacionada ao aumento de eventos cardiovasculares graves.

O pneumologista Gustavo Prado, do Instituto do Coração (Incor), afirma que essa concentração de poluentes pode causar o surgimento de arritmias, angina e até de infarto. O especialista recomenda maior regularidade no acompanhamento médico nesses períodos para quem já sofre de doenças cardiovasculares e respiratórias.

Além do risco de problemas cardíacos, o acúmulo de poluentes durante os períodos de baixa umidade pode provocar inflamações nos brônquios e nos pulmões, bem como agravar enfermidades como asma, enfisema e bronquite, explica o médico do Incor.

“Outros problemas típicos dos dias mais secos e frios são as infecções virais, sobretudo pelos vírus respiratórios, mais comumente transmitidos nessas épocas”, diz. De acordo com Prado, idosos e crianças são os grupos mais vulneráveis aos efeitos nocivos da poluição atmosférica.

O especialista do Incor também alerta para o risco da concentração de ozônio na camada mais baixa da atmosfera terrestre nos dias secos e ensolarados. Embora tenha um efeito protetor na estratosfera, a cerca de dez mil metros de altitude, o ozônio é um poluente quando se forma por reações químicas entre outros gases emitidos por veículos automotores e indústrias. De acordo com Prado, a exposição a altas concentrações de ozônio também está associada a sintomas respiratórios e agravamento de doenças como a asma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o índice de umidade tido como ideal está acima de 60%. Quando a umidade cai abaixo dos 30%, a entidade considera que a localidade está em estado de atenção. Índices abaixo desse patamar podem ser classificados como estado de alerta ou emergência. Em Brasília, por exemplo, a umidade pode chegar a apenas 15%.

“É importante manter-se bem hidratado através da ingestão abundante de líquidos nestes dias mais secos”, recomenda o pneumologista. Para se ter uma ideia, a cidade de São Paulo chegou a entrar em estado de alerta na última semana de agosto ao apresentar um índice de umidade relativa do ar de apenas 14%, semelhante ao registrado na Argélia, no deserto do Saara.

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