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Apneia do sono atinge cerca de 30% dos paulistanos

Doença impacta na qualidade de vida dos pacientes; ronco não é o único sintoma

10.06.2016 | por Equipe Coração e Vida

Ronco alto e persistente na grande maioria das noites e sonolência excessiva durante o dia são alguns dos sintomas da apneia do sono, doença que atinge cerca de 30% dos paulistanos, mas que não se restringe a maior cidade do País.

“Todas as pesquisas, em diferentes cidades, mostraram uma presença de apneia do sono cada vez maior. O principal fator relacionado ao avanço da doença em todo o mundo é o sobrepeso e a obesidade”, alerta o otorrinolaringologista Michel Burihan Cahali, especialista em Medicina do Sono.

Foto: Shutterstock

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A doença é mais predominante em homens acima dos 40 anos, mas pode ocorrer em pessoas de todas as faixas etárias e também mulheres. Em suas consequências mais graves pode levar a morte súbita de causa cardíaca.

Também conhecida como Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), a apneia é uma doença crônica, caracterizada pela obstrução total ou parcial das vias respiratórias, que impede que o ar chegue aos pulmões, o que vem a causar paradas respiratórias temporárias e repetitivas.

Nem sempre as pessoas com apneia sabem que possuem a enfermidade, pois como estão dormindo acabam não percebendo os sintomas primários.

Os sinais são geralmente observados por pessoas que dormem no mesmo quarto, e que percebem engasgos ou sufocamentos repetidos.

A enfermidade impacta principalmente na qualidade do sono, o que reflete na concentração e habilidade para desenvolver tarefas do dia, aumentando os riscos de acidente, tanto de trânsito como de trabalho.

O esforço constante que a pessoa precisa fazer para respirar ao dormir aumenta o risco das doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico e arritmia cardíaca.

Tratamento

Os tratamentos têm como principal objetivo ampliar o espaço para a passagem do ar entre o nariz e a entrada dos pulmões, região conhecida por faringe, que pode ser feito com o uso contínuo de equipamentos durante todo o sono ou com cirurgia.

“Os equipamentos mais usados são o CPAP, que amplia a faringe com pressão de ar através de uma máscara colocada no nariz/boca do paciente e o aparelho reposicionador mandibular, que amplia a faringe deslocando a mandíbula para frente”, afirma o especialista.

Segundo ele, as cirurgias que ampliam a faringe são de três tipos: as que removem tecidos em excesso da faringe, as que mudam a posição dos músculos que formam a estrutura da faringe e as que deslocam partes dos ossos que envolvem a faringe para ampliá-la.

Nos últimos 15 anos, houve uma grande evolução nas técnicas de cirurgia para reposicionamento dos músculos da faringe, o que permitiu que um maior número de pacientes pudesse realizar o procedimento com sucesso, evitando o uso vitalício de equipamentos para apneia do sono que podem ser incômodos para uma parcela dos pacientes.

Além dos tratamentos específicos, cuidados com a alimentação à noite – preferindo alimentos leves e de fácil digestão -, manter uma boa forma física e terapia para obstrução nasal também são benéficos na busca de uma melhor respiração durante o sono.

No entanto, engana-se quem imagina que pessoas com sobrepeso ou obesas são os únicos grupos de risco.

“1/3 dos pacientes com apneia tem peso normal. Há fatores que irão determinar a doença em cada pessoa que não são conhecidos, talvez de origem genética, e que até o momento não podem ser evitados”, pontua.

Como é uma doença que não está relacionada apenas a padrões comportamentais, é difícil listar o que deve ser feito para evitá-la, mas manter hábitos saudáveis ajuda a prevenir as principais enfermidades, inclusive a apneia do sono.

“O melhor que se pode fazer é manter uma boa forma física, evitando o sobrepeso e a obesidade com uma dieta adequada e prática regular de alguma atividade física”, indica Cahali.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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