Coração e Vida | Ar seco afeta até a saúde do coração

Ar seco afeta até o coração; veja como contornar o problema

Desidratação aumenta risco de trombose e sobrecarga ao coração

18.07.2018 | por Equipe Coração e Vida

Quando os níveis de umidade do ar ficam muito baixos, o coração sofre. Em São Paulo, sem registro oficial de chuva há 32 dias, segundo o Instituto Nacional de Metereologia, o ar seco que atinge a cidade nesta quarta-feira (18) deve ser um sinal de alerta para todas as pessoas, mas principalmente para quem tem problemas cardíacos.

O ar seco aumenta a concentração de poluentes e pode inclusive aumentar em 50% o risco cardíaco em quem já tem alguma vulnerabilidade, como algum comprometimento coronário. Na capital, o índice de umidade ficou abaixo dos 30% em todas as regiões. A previsão para mudança de clima é dia 31 de julho.

Ar seco aumenta em até 50% o risco de eventos cardiovasculares - Foto: Shutterstock

Ar seco aumenta em até 50% o risco de eventos cardiovasculares – Foto: Shutterstock

Em entrevista ao Coração&Vida, o patologista e especialista em poluição atmosférica Paulo Saldiva explicou que os poluentes do ar promovem uma irritação no pulmão. “Essa irritação é ruim, pois os brônquios ficam mais fechados. Quando isso acontece, os vasos também se fecham mais e o coração vai bombear contra um pulmão mais fechado, aumentando a resistência dos vasos.” Asmáticos sofrem ainda mais com essa reação.

A desidratação pelo ar seco também preocupa, pois quando a umidade do ar está baixa, o pulmão continua necessitando de um ar com 100% de saturação.

“O ar chega lá como se fosse uma sauna, com umidade acima de 95%. Mas e se fora a umidade estiver em 20%? A pessoa passa a perder mais água do que o habitual. Pode perder até 1,5 litro a mais do que o normal”, alerta Saldiva.

É importante saber que a desidratação traz também outras consequências graves, como maior risco de trombose e sobrecarga ao coração, pelo fato de o sangue ficar mais espesso. Com isso, o coração se vê obrigado a trabalhar mais depressa.

Saldiva explica que a poluição proporciona uma inflamação que não dá febre, mas, como todo processo inflamatório, pode aumentar a chance de o sangue coagular, elevando o risco de trombose.

A boa notícia é que apesar de o dia ser difícil, a umidade aumenta à noite. “Mesmo em períodos de baixa umidade do ar, à noite sobe para 50% ou 60% – o que ainda não é o ideal, mas é mais tolerável.”

Idosos e bebês precisam de mais cuidados: “Idosos perdem a sensação de sede e passam a perder água sem sentir sede. O ideal é olhar a cor da urina: se escureceu, tem que oferecer mais água, como se fosse realmente uma medicação”, recomenda. O mesmo vale para os bebês, já que não tomam água sozinhos. “A mães podem olhar a cor do xixi pela fralda”, ensina o especialista.

Atividade física ao ar livre exige atenção: “É preciso se hidratar mais do que o normal e evitar os períodos de maior insolação”, explica Saldiva. Em outras palavras, o ideal é só praticar atividade ao ar livre antes das 8h e depois das 19h.

O fundamento para essa preocupação também é científico, já que o ozônio – gás que está presente na atmosfera – e outros poluentes fotoquímicos agem com maior intensidade durante as horas mais quentes e ensolaradas do dia.

“Sem vento e chuva, as partículas de poluentes ficam de dois a cinco dias voando sem se depositar, e vão sendo transformadas pela radiação solar, gerando radicais livres. O ozônio é o maior representante, mas há uma família de aerossóis voláteis que causam esse problema”, explica o especialista.

Corrida na avenida? Melhor não: Outro conselho de Saldiva é não correr próximo aos carros. “Os níveis de poluentes são muito mais altos nos corredores de tráfego do que no meio das árvores de um parque, por exemplo”, explica ele.

Essa dica não vale apenas para os dias mais secos, mas para todos que se exercitam em grandes avenidas ou regiões com muita movimentação de carros.
“O ideal é se manter com mais de 150 metros de distância das vias de tráfego.”

Veja dicas para minimizar as consequências do ar seco

Ao contrário do que muita gente pensa, umidificar o ar é indispensável durante o período mais crítico do dia, entre 11h e 16h, já que à noite o ar volta a ficar mais úmido, melhorando o risco de todas as condições já citadas.

Quem tem umidificador de ar pode usar, mas desde que o filtro esteja limpo para evitar a colonização por fungos. “A bacia de água também ajuda a aumentar a umidade relativa do ar.” Usar esse truque durante o dia traz muito mais conforto respiratório e melhor qualidade de vida.

Além disso, beber mais água é fundamental para aliviar as sensações ruins trazidas pela baixa umidade do ar. “Deixar o vapor de água que sai do chuveiro quente também é uma alternativa”, explica Saldiva.

Gotas de soro fisiológico para limpar o nariz e lágrimas artificiais para os olhos também trazem conforto para enfrentar os dias de umidade desértica.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.
* Campos obrigatórios.

Esse site é melhor visualizado no modo Portrait.

Esse site é melhor visualizado no modo Landscape.