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Bactéria intestinal é ligada a doenças autoimunes

Pesquisa norte-americana diz ter achado a raiz de condições como lúpus e diabetes tipo 1 – e sugere futuras formas de tratá-las

3.05.2018 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

As doenças autoimunes são inflamações crônicas causadas por células de um indivíduo que, de modo errado, passam a acreditar que o organismo está sob ameaça – e a atacar os tecidos saudáveis dessa pessoa. Mas um estudo recém-concluído diz ter encontrado a provável causa (e possíveis soluções) para essa condição.

Lúpus, artrite reumatoide e tireoidite de Hashimoto são três das mais de cem condições que se encaixam na categoria das doenças autoimunes (onde entram ainda vitiligo e diabetes tipo 1, por exemplo).

Alimentos fermentados, probióticos e ricos em fibras ajudam a manter uma boa microbiota intestinal - Foto: Shutterstock

Alimentos fermentados, probióticos e ricos em fibras ajudam a manter uma boa microbiota intestinal – Foto: Shutterstock

De acordo com a pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, elas agora podem ser adicionadas à longa lista de doenças ligadas à ação das bactérias intestinais.

Bactéria é a culpada

Durante o estudo, os pesquisadores criaram camundongos para serem suscetíveis a doenças autoimunes. Eles, então, analisaram as bactérias do intestino dos ratos para identificar aquelas que causaram inflamação ou foram envolvidas na produção de anticorpos. A resposta tem o nome de Enterococcus gallinarum.

Os resultados foram confirmados quando se comparou células hepáticas em cultura de pessoas saudáveis ​​com as de pessoas com uma doença autoimune – até encontrar vestígios da bactéria Enterococcus gallinarum no último grupo.

A melhor parte é que não só os cientistas foram capazes de identificar a fonte do problema, mas de desenvolver uma base de formas eficazes para reduzir os sintomas autoimunes.

Usando antibióticos ou vacinas, dependendo do caso, os pesquisadores puderam reduzir os sintomas suprimindo o crescimento da Enterococcus gallinarum.

Agora, a equipe espera que a pesquisa possa ser desmembrada em estudos sobre tratamentos específicos para cada uma das doenças autoimunes.

Segundo Martin Kriegel, autor sênior do grupo de pesquisadores de Yale, “tratamentos com antibióticos e outras abordagens, como a vacinação, são formas promissoras de melhorar muito a vida dos portadores”.

Para aplicação em humanos

Apesar de serem resultado preliminares que não foram testados em humanos ainda, especialistas acreditam que essas descobertas abrem as portas para entender a função do intestino, decisivo para a saúde geral.

“Caso esses resultados sejam reprodutíveis em seres humanos, isso poderia revolucionar o modo que entendemos e tratamos doenças”, explica Stefania Braga, mestranda em biotecnologia pela Universidade de São Paulo.

Ela explica que, atualmente, as pesquisas já realizadas não indicam o suficiente para determinar quais são as “bactérias boas e ruins” ao organismo humano – pois isso depende da coleção de microrganismos envolvidos e a simbiose entre eles.

“Mas algumas medidas podem ser tomadas para fortalecer a microbiota intestinal, como consumo de alimentos fermentados, probióticos e ricos em fibras e o uso consciente de antibióticos, preservando as pessoas de muitas doenças conforme sugerem as pesquisas. ”, completa.

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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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