Boa nutrição começa na lancheira

06 de outubro - 2015
Por: Equipe Coração & Vida

Uma pesquisa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou dados, digamos, nada doces a respeito da alimentação infantil no país. Segundo o estudo, 60% das crianças brasileiras com menos de 2 anos consomem regularmente biscoitos, bolachas e bolos.

São números alarmantes quando pensamos que esse tipo de alimento não é apropriado para a faixa etária – e que uma alimentação desse tipo é mais provável de causar obesidade ainda na infância e piorar na vida adulta.

Os especialistas em pediatria e nutrição sempre se apressam em fazer esses alertas, mas a verdade é que, no dia a dia corrido de pais e filhos, a praticidade acaba muitas vezes vencendo a boa alimentação.

Na pressa de mandar a molecada para a escola e partir ligeiro para o trabalho, por exemplo, mães e pais montam a lancheira com o que está mais à mão – na base de caixinhas de suco, pacotinhos de bolos prontos… e quem tem tempo de pensar, lavar e embalar as frutas? Esse tempo, porém, deveria ser prioridade. E olha que não precisa ser uma prova de resistência organizar uma “lancheira do bem”.

“O lanche do meio da manhã ou da tarde é mais para matar aquela fominha entre as principais refeições e para evitar que os pequenos, ao almoçar ou jantar com muita fome, exagerem na quantidade”, explica a nutricionista do Instituo do Coração (InCor), Thaís Leão.

“O lanche deve apenas repor energias, vitaminas, minerais e líquidos, ajudando na concentração para as atividades. Para isso, uma fruta mais um iogurte, por exemplo, já seria o suficiente para a maioria das crianças.”

Organizar com antecedência um lanche bem composto (vasculhando as prateleiras do mercado e vendo também nossas sugestões no quadro abaixo) é a chave – assim, na hora de entregar a molecada na escola, o princípio já está mantido e contido na lancheira. Não é preciso fugir completamente do supermercado e passar horas assando bolos ou biscoitos caseiros com receitas mirabolantes. É bom equilibrar alimentos naturais com aqueles pelos quais as crianças sentem desejo.

“Sucos e achocolatados contém mesmo muito açúcar – mas é possível encontrar nas prateleiras versões integrais dos sucos. Ou mesmo mandar a fruta em vez do suco, que conserva melhor vitaminas e fibras”, lembra Thaís.

Nas gôndolas, prefira também cereais matinais integrais sem açúcar, pães integrais, mix de castanhas ou frutas secas – escolhas que devem, inclusive, fazer parte de uma alimentação geral da criança. E vale sempre comparar: biscoitos integrais sem recheio são mais interessantes do que os recheados (que contam mais como doce que como biscoito).

Recentemente, a apresentadora de TV Bela Gil se viu em meio ao fogo cruzado de julgamentos nas redes sociais por ter mostrado a foto da lancheira da filha Flor – que continha alimentos como batata doce, banana da terra, granola e uma garrafinha de água. Ponderada, a nutricionista Thaís Leão fica com o meio termo.

“É muito fácil encontrar alimentos altamente processados, com alta densidade calórica, açúcares, gorduras, corantes, conservantes nas lojas – e que as propagandas na TV influenciam muito as escolhas das crianças e, muitas vezes, os pais têm receio de impor limites. Mas a forma de se opor a isso não precisa ser o outro extremo. Não precisa ser sempre o legume cozido no vapor sem sal. Existem os temperinhos naturais, o azeite, molhos caseiros à base de iogurte. Precisamos, sim, estimular a formação de bons hábitos alimentares, procurar escolher sempre que possível alimentos frescos, orgânicos, da época, do local mais acessível para cada um – mas em um contexto de equilíbrio. E estimular a criança a experimentar novos alimentos, a fazer a alimentação na mesa. Não pode ser só fast food, mas também há a necessidade de abrir, às vezes, uma exceção.”

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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