Coração e Vida | Camisinha rasgou: veja o que fazer para se proteger de doenças - Coração e Vida

Camisinha rasgou: veja o que fazer para se proteger de doenças

Pílula do dia seguinte para evitar gravidez e profilaxia pós-exposição ao HIV são medidas que amenizam problemas mais graves

17.04.2018 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Acidentes acontecem, mas o mau uso dos preservativos é uma das razões que aumentam o risco de a camisinha romper, e a proteção contra a DSTs e gravidez indesejada vai por água abaixo. Aí é hora de considerar a pílula do dia seguinte e a profilaxia pós-exposição ao HIV, para minimizar os danos.

Quando a camisinha rasga, portanto, a primeira recomendação é não entrar em pânico, até mesmo porque a limpeza imediata da vagina ou do ânus não diminuirá as chances de uma gravidez indesejada ou da transmissão de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

Além de uma possível gravidez, é preciso também se preocupar com a contaminação do vírus do HIV

Além de uma possível gravidez, é preciso também se preocupar com a contaminação do vírus do HIV

Pílula do dia seguinte

Quando a principal preocupação é uma possível gestação, é possível recorrer à chamada pílula do dia seguinte. Ela deve ser ingerida em até 72 horas após a relação sexual, sendo que quanto antes isso for feito, maiores as chances de a gravidez não acontecer.

Trata-se, entretanto, de um método emergencial, devido à alta carga de hormônios que a pílula apresenta. Seu uso, portanto, deve ser visto como uma das últimas alternativas possíveis e não deve ser repetida em um intervalo de poucos meses, sob o risco de gerar danos à própria mulher.

Doenças sexualmente transmissíveis

Como a camisinha não serve apenas para evitar uma gravidez, é preciso atentar-se aos procedimentos necessários logo após o ato para fugir das DSTs. Munir Akar Ayub, infectologista do Hospital e Maternidade Brasil, destaca que, logo de início, é preciso haver uma conversa entre os parceiros para que ambos possam indicar se são ou não portadores de alguma doença transmissível pelo sexo.

“Quanto à Hepatite B, teoricamente todas as pessoas devem estar vacinadas. Então já seria uma preocupação a menos. Já a Hepatite C, é preciso que a pessoa saiba que tem a doença, mas ainda assim não há o que ser feito para o parceiro, porque não há nenhum procedimento posterior satisfatório se não houve a prevenção”, explica o infectologista.

A profilaxia de outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia, pode ser feita no dia seguinte (ou o quanto antes), em um hospital ou centro de saúde, através de uma injeção em dose única.

Profilaxia Pós-Exposição ao HIV

 A prevenção do HIV requer um tratamento posterior mais longo e complexo. Se o parceiro(a) é soropositivo – ou se há fortes suspeitas de que o seja – é preciso que você vá a um posto de saúde e pedir pela Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

O PEP é composto por um coquetel de antirretrovirais que deve ser tomado durante 28 dias, em sequência, sem interrupções. “O ideal é que ele comece a tomar nas primeiras 12 horas após o contato sexual. Depois de tomar a medicação, ele faz os exames de acompanhamento. Com a medicação – administrada corretamente – se diminui muito a possibilidade do parceiro se infectar com o HIV”, explica.

Atualmente, de acordo com Ayub, essa medicação também está sendo oferecida para pessoas que fazem sexo sem proteção. No caso, é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). “Em casais em que um dos dois é soropositivo, o outro também toma a medicação, como se ele também tivesse o HIV”, afirma o infectologista, salientando que há críticas a essa medida.

“Tem gente que é contra, que acha que isso aumenta a promiscuidade, o sexo sem proteção. Existem prós e contras nesta medida, mas o governo brasileiro assumiu essa posição e libera a medicação para esses pacientes: ou para quem tem um parceiro (a) sabidamente soropositivo ou para pessoas que têm comportamento de risco. Claro que há efeitos colaterais nessa medicação, mas é uma possibilidade”, completa.

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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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