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Câncer colorretal vira preocupação entre mais jovens

Doença afeta ambos os gêneros e o diagnóstico precoce é essencial para a cura

25.04.2018 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

O câncer colorretal é um dos mais frequentes no Brasil: é o 2º mais comum entre as mulheres e o 3º entre os homens. O que tem chamado a atenção dos médicos, no entanto, é o aumento da incidência deste tipo de câncer na população mais jovem (abaixo dos 40 anos).

“Mesmo com estudos recentes, ainda é cedo para afirmar e esclarecer os reais motivos do aparecimento desse tipo de câncer nos jovens. Mas há alguns fatores que conseguimos identificar e estão relacionados principalmente com o hábito e estilo de vida”, diz Marcello Ferretti Fanelli, oncologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim.

Má alimentação é o fator principal para o surgimento da doença - Foto: Shutterstock

Má alimentação é o fator principal para o surgimento da doença – Foto: Shutterstock

“Vale destacar também que há outros tumores que tem acometido a população jovem. São doenças da mesma linhagem e que se comportam de maneiras semelhantes ao câncer colorretal”, alerta.

O câncer colorretal abrange tumores que atacam parte do intestino grosso (o cólon) e o reto. A maior parte desses tumores tem início com pólipos (lesões benignas) que aparecem na parede interna do intestino grosso. É um tipo de câncer curável, na maior parte dos casos, mas é essencial que o diagnóstico ocorra precocemente.

Diagnóstico

Para Ulysses Ribeiro Júnior, coordenador da Clínica Cirúrgica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), no que diz respeito ao diagnóstico da doença, o Brasil tem adotado um modelo utilizado na Europa. A partir dos 50 anos, o paciente faz um exame de fezes para verificar se há presença de sangue oculto. Se houver, é preciso realizar uma colonoscopia para identificar possíveis tumores.

Se o resultado no exame de fezes é negativo, é possível realizar a colonoscopia em um intervalo de 5 a 10 anos. O acompanhamento, no entanto, deve ser frequente e recomenda-se que tenha início a partir dos 25 ou 30 anos, caso o indivíduo apresente casos da doença na família.

“Se o diagnóstico é feito no início, esse tumor é perfeitamente curável. Até do ponto de vista endoscópico, é possível na colonoscopia já retirar a lesão, que às vezes é um tumor pequeno. Agora, se o diagnóstico é avançado, é preciso fazer quimioterapia, radioterapia e por vezes cirurgia para tratar esse câncer”, afirma Ribeiro Júnior.

Causas de aumento de incidência

Ambos os especialistas consultados afirmam, também com base nos dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que o principal vilão do aumento de câncer colorretal é a má alimentação. Associada a outros hábitos nocivos, ela têm levado à maior incidência da doença entre os jovens e a uma maior concentração de casos na região Sudeste.

“A má alimentação é o fator principal, além do tabagismo e consumo de álcool. A ingestão exagerada e frequente de alguns tipos de alimentos pode levar ao aumento desse câncer, como, por exemplo: carnes vermelhas e processadas, embutidos (salsicha e linguiça), conservantes, corante, pouca ingestão de frutas, legumes e verduras. Esses alimentos contribuem para que ocorram alterações no corpo, podendo assim, desenvolver um tumor”, explica Fanelli.

“O Estado de São Paulo, assim como a região Sudeste, tem apresentado uma incidência alta do câncer colorretal, na comparação com a média brasileira. Essas regiões costumam ter um maior consumo de carnes, de industrializados”, completa o médico do Icesp.

A obesidade e o sobrepeso, por conta do consumo excessivo desses produtos, também estão chamando a atenção dos especialistas para o aumento de casos deste tipo de câncer, pois podem causar inflamações internas no paciente. Essa suposição, no entanto, ainda carece de estudos específicos.

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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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