Coração e Vida | Cigarro eletrônico e os danos pulmonares semelhantes a queimaduras

Cigarro eletrônico e os danos pulmonares semelhantes a queimaduras

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos atualiza número de vítimas e dá nome às doenças causadas pelo uso do dispositivo

30.10.2019 | por Equipe Coração e Vida

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O uso de cigarros eletrônicos (também conhecidos como vaporizadores, vapes, vaping, e-cigs, e-cigarretes etc) cada vez mais frequente, principalmente, entre jovens, produziu centenas de casos de uma nova doença pulmonar — inclusive com mortes recentes nos Estados Unidos. Entre os diversos estudos sobre os casos, um divulgado recentemente pelo periódico científico New England Journal of Medicine mostra que o uso do dispositivo causa danos parecidos com queimadura química nos pulmões.

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Após avaliarem exames de pessoas que adoeceram depois do uso do dispositivo, pesquisadores da Mayo Clinic afirmam que os ferimentos são os mesmos que ocorreriam em casos de exposição a produtos químicos tóxicos, gases e outras substâncias.

Ao menos, agora, essas doenças pulmonares têm nome: Evali (veja abaixo). Trata-se de uma sigla em inglês para ‘lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico’ ou vaper.  “O termo caracteriza uma nova epidemia que mostra ser grave a curto prazo e desconhecida a longo prazo. O combate é urgente”, analisa Elie Fiss, pneumologista e pesquisador sênior do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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A denominação foi dada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).  No país, a instituição lançou um guia que sugere aos jovens e adultos que estiverem usando produtos de cigarro eletrônico ou vaper que parem de fumar; que troquem a estratégia por tratamentos baseados em evidências científicas.

Desde o final de agosto, o CDC já registrou 1604 casos de doenças, com 34 mortes entre os usuários do dispositivo. São dados que acabam com a teoria de que os cigarros eletrônicos são inofensivos à saúde.

Diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz afirma que as constatações comprovam como o produto é perigoso e tóxico. “Os próprios consumidores acrescentam as substâncias que são ‘vaporizadas’. Usam desde canabidiol a propilenoglicol e glicerol, produtos utilizados pela indústria alimentícia que oferecem riscos de intoxicação quando inalados”, diz a especialista.

Como funciona:
O cigarro eletrônico vaporiza um líquido que contém nicotina misturada a essências que imitam diferentes sabores, podendo ter, ou não, outras substâncias, como o THC– composto psicoativo da maconha. O percentual de nicotina utilizado, geralmente, é até maior do que o encontrado em cigarros comuns. Com isso, o risco de dependência química e de outras complicações aumenta.

Estudos já comprovaram que adeptos à “novidade” têm até três vezes mais chances de serem vítimas de infarto.

Jaquelina Scholz acredita que tais fatos possam ajudar a fortalecer o discurso que vai contra a liberação do dispositivo no Brasil. O cigarro eletrônico é proibido no país desde 2009, mas em agosto desse ano a Anvisa pôs em discussão a regulamentação do produto. “Esperamos que não só o Brasil, mas o mundo todo proíba a venda do vaporizador”.

FONTE: Medscape

FONTE: Medscape

 

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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