Coração e Vida | Aprenda como lidar com as cólicas do bebê

Aprenda como lidar com a cólica do bebê

Mitos e verdades sobre o tema – e como fazer para acalmar o recém-nascido durante as crises

3.09.2018 | por Equipe Coração e Vida

Por Daniela Spilotros

Depois de um dia exaustivo dedicado à troca de fraldas, banho e amamentação, chega o momento de respirar. Mas o dilema vem se repetindo: o bebê se contorce por horas num choro desesperado, sem motivo aparente. A vontade dos pais, muitas vezes, é de chorar junto. Calma: a cólica do bebê uma condição benigna que pode acometer o recém-nascido a partir da segunda semana de vida. A médica Maria Lúcia Saraiva Lobo, da UTI pediátrica do hospital Sírio-Libanês, explica como agir nesse momento delicado.

A amamentação ajuda durante as cólicas do bebê - Foto: Pixabay (Creative Commons)

A amamentação ajuda durante as cólicas do bebê – Foto: Pixabay (Creative Commons)

“É uma situação transitória, que irá passar no terceiro ou quarto mês. Com o acompanhamento de um pediatra e a garantia de que o bebê esteja saudável, não há porque se preocupar”, assegura.

O que provoca a cólica nos bebês?

Não se sabe exatamente a causa, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores. A hipótese mais aceita é a imaturidade do trato gastrointestinal, dificultando a absorção do leite. Além disso, o bebê pode engolir muito ar durante a mamada e ter gases (a mamadeira com válvula anti-cólica ajuda a reduzir esse problema); ou pode ingerir uma quantidade excessiva de leite. Sem contar a ansiedade que os pais transmitem à criança, que ainda tem o sistema nervoso imaturo e bastante sensível.

Como saber se é mesmo desconforto abdominal?

É preciso excluir outras possibilidades, como fome, frio, sono, vontade de colo e necessidade de troca de fralda. O choro de cólica tem início súbito e costuma ter um som estridente, mais alto que o normal. O bebê pode ficar vermelho, apresentar palidez ao redor da boca, abdômen distendido, tronco arqueado, pernas flexionadas, mãos fechadas com os dedinhos apertados.

Existe alguma relação com os leites artificiais?

Essa associação não está comprovada, mas observa-se que os bebês alimentados com fórmulas costumam ter mais cólica – principalmente na fase de adaptação, quando o novo alimento é introduzido. A criança pode ficar constipada por algum ingrediente da fórmula; ou então, começa a engolir mais ar pelo uso da mamadeira.

Intolerância ou alergia à proteína do leite causam cólica?

Sim, mas só o pediatra é capaz de avaliar. Esses distúrbios nunca provocam apenas cólica, e costumam estar associados a outros sintomas como diarreia, dificuldade para ganhar peso, problemas respiratórios, coceira e lesões na pele.

É possível usar algum medicamento?

Somente se prescritos por um médico. Do contrário, nem fitoterápicos devem ser oferecidos. Uma boa opção são os probióticos em gotas, à base de lactobacilos. Eles melhoram a flora intestinal e podem ajudar a diminuir a intensidade das cólicas. Mas lembre-se: só o pediatra pode orientar de forma segura sobre a dosagem e o modo de uso.

As dicas da especialista para lidar com as crises

– Pegue o bebê no colo e embale-o devagar; cante baixinho ou coloque uma música relaxante;

– De bruços, faça uma leve massagem na barriga com movimentos circulares;

– Prepare um banho quentinho;

– Coloque o bebê no sling, mantenha o contato barriga com barriga;

– Reduza os estímulos: apague as luzes e mantenha o ambiente silencioso;

– Flexione as perninhas dele sobre a barriga com cuidado;

– Tente amamentar: a sucção tem efeito calmante; além disso, o cheiro e o toque da mãe tranquilizam.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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