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Contato médico/paciente: para usar com bom senso

Novas ferramentas virtuais facilitam troca de informações sobre a saúde – mas atendimento presencial ainda é prioridade

14.06.2018 | por - Equipe Coração e Vida

A tecnologia, sem dúvidas, alterou a forma como o ser humano se relaciona. E o contato entre paciente e médico não ficou ileso a esse processo de mudanças. Com a chegada de ferramentas como WhatsApp, Skype e mesmo o e-mail, o atendimento ultrapassou a sala de consultas. Mas é preciso levar em conta também aos pontos mais delicados desse cenário.

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No atendimento de casos que podem ser acompanhados a certa distância, alguns médicos têm facilitado o contato com os pacientes por meio de ferramentas digitais. Assim, é possível tirar dúvidas e obter informações de forma mais pontual.

Os médicos ressaltam, porém, que a extensão do atendimento por esses canais digitais deve ser dosada. O paciente deve entender que a prioridade segue sendo a consulta presencial, “olho no olho”, para que o diagnóstico ou o tratamento não sejam prejudicados.

 

O atendimento usando redes sociais e a tecnologia tem suas limitações e precisa ser dosado. Foto: Shutterstock

O atendimento usando redes sociais e a tecnologia tem suas limitações e precisa ser dosado. Foto: Shutterstock

 

A tecnologia fica na sala de espera

Para Maria Alice Fontes, psicóloga e diretora da Clínica Permanente, é preciso diferenciar uma dúvida simples a tirar ou uma opinião sobre determinada condição já diagnosticada de uma consulta completa feita por meios virtuais.

“É muito difícil fazer um bom diagnóstico sem uma consulta presencial com o paciente. Nada substitui uma boa anamnese (a entrevista médica que tem a intenção de iniciar o diagnóstico) e o exame clínico do médico”, afirma.

Cláudia Cozer Kalil, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtorno Alimentar do Hospital Sírio-Libanês, também entende haver um lado perigoso no uso dos novos meios de comunicação entre médico e paciente. A médica ressalta, entretanto, que eles podem ser úteis em algumas situações.

“Pode ser válido para uma comunicação mais rápida e objetiva, em dúvidas pontuais. Ou para localizar o profissional e pedir uma orientação em caso de urgência. Temos de estar abertos aos avanços tecnológicos e tentar usufruir deles da melhor forma possível, mas temos que ter em mente algumas limitações que possam acontecer também”, afirma.

 

Pequenos (mas significativos) problemas

Tanto Cláudia quanto Maria Alice chamam a atenção para alguns “ruídos” que podem surgir em meio à comunicação entre paciente e médico por meio das ferramentas digitais.

“É preciso lembrar que, muitas vezes, o médico não está online, ou sua mensagem ‘some’ no meio de tantas outras que o profissional recebe. Nesses casos, se faz necessário ligar para um número fixo ou arrumar outra forma de comunicação”, alerta a endocrinologista.

E é preciso considerar também que o atendimento ampliado dos novos canais pode consumir um tempo considerável do dia de um médico, além de quebrar, muitas vezes, a privacidade e a segurança dos dados pessoais.

 

O que é prioridade

As duas profissionais ressaltam também que determinadas dúvidas ou perguntas não são urgentes a ponto de precisarem ser encaminhadas por mensagens. E que pedidos de exames, de receitas médicas, agendamento de consulta e outras questões podem ser resolvidas até mesmo mais rápido sem precisar mandar um Whatsapp direto ao médico.

“O atendimento pessoal para avaliação é soberano e dificilmente poderá ser substituído, mas as interações eletrônicas já têm um papel fundamental no vínculo e manutenção do cuidado do paciente”, completa Maria Alice Fontes. O bom senso, assim, é o melhor remédio.

 

Texto
Thassio Borges

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